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Editorial
Yellow, fiquei esperando teu texto até 00:47...
Essa noite eu sonhei que minha vizinha teria me dito que estava
indo à Roma! Acordei e fui até lá para saber
se ela iria mesmo. Resposta negativa. Saco, pensei que eu era clarividente...
Eu tinha escrito como foi chato o lance de não poder ter
tocado com a minha banda na apresentação de domingo
por causa da precariedade do som de palco. Acontece que no outro
dia ligaram da prefeitura oferecendo um outro horário pra
gente. Foi que na terça-feira acabamos tocando e agradando!
A galera agitou pra caralho e foi melhor do que se tivéssemos
tocado no domingo! Valeu a força de quem foi lá conferir!!!!
Pensei que a coisa se resumiria a domingo...
Isso me lembrou, inclusive, um concerto de rock na década
de sessenta, acho que foi em 69, chamado The Altamont Festival nos
EUA, onde tocaram Jefferson Airplane, Rolling Stones e Greatful
Dead. O lance é que os caras da organização
tiveram a capacidade de contratar para segurança do evento
nada mais nada menos que um grupo de Hell's Angels!!! Daí
o que veio a seguir dá pra imaginar! Ao invés de manter
a paz, os caras bateram até na vocalista do Jefferson! Os
Stones foram os próximos e o Mick Jagger pedia, pedia e pedia
pras "véia" ficarem mais calmas, mas não
adiantava. Lá no backstage chegava o Garcia e a galera do
Greatful. Olharam para o que estava acontecendo e nem subiram ao
palco. Foda, né?
Aliás, minha vida mudou depois que tive conhecimento da
existência de RAP gospel.
E cá estamos no número 7 do Mulatas! Confesso que
não imaginava que continuaria escrevendo, mas tem tanta gente
assinando e gostando que isso empolga a gente. To começando
a receber contribuições e isso é tri. Muito
porque eu já estou me vendo às loucuras tendo que
escrever quase tudo! Mas é bom. É bom deixar fluir.
"Now I have the Golden Ticket..."
Vocês nunca sentiram vontade de prender um bando de freiras
numa sala e forçá-las a assistirem "Saló",
do Pasollini? Tenho vontade de fazer isso com umas três da
época que eu estudava no colégio ...
Fábio L. Emerim
Colaborações literárias? Mande a sua para
mulatas@terra.com.br
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sumário
Casulo 14 - O Portal das Averiguações Noturnas
Se tem uma coisa que me deixava enjoado era Q-Suko! E o pior é
que por mais que você evitasse
Interrupção:
Cara, to assistindo ao dvd do Alice In Chains acústico
que eu comprei e o Layne Staley tá muito chapado! É
muito engraçado as caras que ele faz!
Fim da interrupção.
tomar em casa, você sempre acabava tendo que ingerir o terrível
produto. Onde estava Deus nessa hora? O pior é que eu sempre
preferia água. Logo eu, que uso água só pra
tomar banho. Sou viciado em Coca Cola! E Coca Cola Light! Sim, essa
é a minha maldição yankee! Por mais que eu
negue McDonald's e tudo mais dos tios lá de riba, eu devo
confessar que não almoço sem coca light! É
foda tu ser viciado em um lance que não te faz viajar! Bosta!
Citações...
Já dizia Alberta Freymouth, a grande escritora australiana
que morrera em 1934 após ter deixado seu grande amor, o diretor
de cinema italiano Benito Guidolini: "Meus papéis de
vida definidos, meus pulsos regenerados, preciso de um cigarro...".
Digo isso, que pesa mais para o lado "pseudo-poético"
tão bem definido por Arthut A. Lindsay, grande cartunista
do século XIV, porque nada na vida pode ser mais chato que
tentar expor idéias de uma maneira à lá Giefrey
August. Eu juro que perambulo pelos meandros da alma humana (não
como Roberta Montserrat, não se preocupem) todas as noites,
mas não consigo equilibrar um ponto real entre o que é
Rubens Rebelato e Amanda Maria Minessota! Sempre que tento fica
Francisco Arriendes demais. Sei lá, coisas de Grugere Andradda...E
se na época da tomada da ponte de Melissa, tão bem
descrita pelas audazes mãos de Bubba Freet, desmedidas, mas
audazes, os soldados do império persa fossem aurelianos,
tudo seria mais Oswald Summervile. Mas aí seria outra história...
Oi, Deirdre...
Me contaram da tua, digamos, via sacra na semana passada e não
pude me furtar a te escrever essa carta.
Digamos que no momento em que eu soube do acontecido, não
esperava tal fato. Tipo como se víssemos um tamanduá
atravessando a Borges, tá ligada?
Bem, antes que penses errado, não, não aliviei o
lado do André e da Vilma. Tu foste testemunha, aliás,
única, das merdas que eles fizeram e nunca me perdoaria em
voltar a sorrir pra eles. Não, não. Eu tenho esse
lance de tolerância zero que adquiri da minha família.
Tu sabe bem como é, Deirdre, olha eu e o pai que não
nos falamos há 34 anos. E tudo por causa de um livro que
ele achou que eu teria emprestado à uma ex-namorada. Que
merda! A gente faz as coisas e se arrepende! Mas azar, afinal, já
dizia Débora Machiavel: "dados jogados, destinos traçados".
E a mãe, como tá? Ainda tá saindo com aquele
cobrador da Carris? Sabe, Dê, eu não tenho preconceito
algum e nem quero meter meu bedelho nos casos da mãe, mas
o cara é pai-de-santo! E não tenho a menor dúvida
que ele fez um trabalho pra amarrar a mãe! E tu há
de convir comigo que ele não precisava ir de vermelho dos
pés à cabeça no aniversário do Thiaguinho!
Puta que pariu,. Eu fiquei com tanta vergonha que eu queria sumir
da casa! A Fátima me olhava meio de canto de olho como que
dissesse: "onde fui me enfiar?" e eu alí, com cara
de elevador completamente embasbacado, mas mostrando (tendo que
mostrar) um semblante de normalidade...Foda!
Família é foda! Falta de emprego bom é foda
e a minha empregada é foda porque não consigo achar
meu óculos! Ando irritado pra caramba. To falando sério.
A coisa não anda boa aqui. Ainda ontem o cara que lê
os relógios de luz levou uma mordida do Devil, que tava escondido
perto do portão comendo um osso. E o cara disse, aos pulos
num pé só, que ia me processar nem que isso fosse
a última coisa na vida dele.
Acabei matando o Devil.
Pois é, Deirdre, to com saudades! Ve se manda notícias!
Hoje não fui trabalhar porque peguei uma gripe desgraçada!
Daí comprei uns mil-folhas e um refri e loquei uns filmes
do Wesley Snipes pra passar o tempo. Também sinto falta do
Devil, e só de pensar que a qualquer momento vai chegar aqui
um mandado por causa da mordida daquele cachorro infeliz, sinto
que eu deveria ter enfiado o relógio de luz no cu do safado.
Também, que mania de entrar nos pátios assim, sem
avisar!
Tá! Vou ver o filme no vídeo! Tá começando
a chover. Acho que vou dormir no meio do filme.
Beijos pra ti e manda lembranças pro Caio! Aliás,
diz pra esse viado mandar notícias!
Té +
Bianco
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sumário
A Ibañez® Universe como meio de comer uma colega gostosa
ou
Por quê o os caras do Twister deveriam estar aprendendo
oboé
*Nota do autor: Em nenhuma momento pretendi ofender os praticantes
da arte
de tocar oboé. Apenas não consegui resistir à
tentação de escrever oboé.
Viu? Aconteceu de novo.Oboé.putz...isso vicia.
Vocês já pensaram no conceito de "normal"?
Ontem uma amiga, na verdade uma
colega minha de faculdade que tem uns peitões e acho que
tá dando bola pra
mim, já que ri das minhas piadas e fica me esperando nos
fins de aula, que
nem aquela vez que(Interrupção da cabeça de
cima do autor: Acalmem-se,
retomei o controle. O devaneio masturbatório-literário
vai acabar por aqui.)
Continuando->Ontem discuti isso com uma amiga minha, enquanto
olhava os
peitos dela. O Helmet. Sim, o Helmet. Não, não é
Helmut. HEL-MET! Aquela
banda que diz a lenda, tocou de graça no M2000 Summer Concerts
na beira da
praia em Imbé, causando até hoje revolta neste que
vos fala. Eles foram uma
das primeiras bandas a usarem afinações alternativas
pra dar mais peso. Você
aí de camisa preta que gosta de Soudgarden; você que
acha Korn "afudeãn" por
usar umas Ibañez de 7 cordas afinada 1 tom abaixo, todos
vocês! Agradeçam ao
Mr. Page Hamilton. E é agora que este monte de besteiras
começa a fazer
sentido: O Helmet era uma banda MUITO pesada. O Helmet era uma banda
cujos
integrantes usavam roupas normais, causando estranheza em quem os
via no
palco. Ou seja, num mundinho de vocalistas com uma cobra flamejante
tatuada
na testa, guitarristas de botas de couro de búfalo vesgo
da Tunísia,
bateristas usando fêmures(sic) de criancinha como baqueta
e tocadores de
oboé de terno xadrez, a banda era estranha por usar roupas
que fora do palco
são perfeitamente normais. Não se a minha lógica
complexa pode ser entendida
pelas presentes, mas a questão é essa: normalidade
é uma questão de
parâmetros. Isso que eu acabei de dizer é uma puta
obviedade, mas
normalmente essas coisas são justamente as que a gente não
nota. Dá próxima
vez que algum de vocês disser "bah, mas que troço
estranho", tentem imaginar
isso em um contexto diferente. Pra finalizar toda essa besteira,
um
provérbio chinês: "Para que existam sombras é
preciso haver luz."
Guilherme Atencio
(nota do editor que começam a ser freqüentes, não
acham?: realmente o Helmet é bom pra caralho!)
(nota do editor II: dou um doce para quem me disser que foi ao
show do Helmet em Capão, pois até hoje só ouvi
falar!)
(nota do editor III: acabei de descobrir que o Yellow foi no show
do Helmet em Capão. Puta que pariu!)
(nota do editor IV: e ele foi de Maverik, com SEIS pessoas dentro!)
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"Pessoas Sem Corações" - Cap VI
De cima do muro branco de cetim estava Deirdre! Não entendia
por quê tudo cheirava a esterco. Boi nem tivera passado alí.
Clêiver tinha ido embora, com raiva! Ódio. Nada era
como antes! Nem antes! E depois não tinha porque ser como
agora. E o durante muito menos, pois se o durante em segundos transforma-se-á
em antes, o depois será o agora de daqui a pouco?
Mataram-se todos
Fim espetacular, não?
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sumário
DE SUPETÃO - por Roberto Moschen Yellow Jr
Finalmente, consegui iniciar minha oprimida coluna alguns dias
antes do prazo final. Acho que nem F. Lindsay, tão conhecido
por seus prazos adiabilíssimos, conseguia enervar tanto seu
editor.
Quanto ao desconcertante show de meu amigo Emerim, creio que no
final a coisa foi mais engraçada do que se tivesse dado tudo
certo. Logo após ele declarar que não tocariam mais,
um mendigo iniciou um pranto terrível na frente do palco
e uma gangue do CLJ (umas 80 pessoas) adentrou a área do
show cantando alguma coisa gospel, os pais do Fábio desapareceram
(vergonha?), um amigo disse que jura que Deus apareceu perto do
palco e anoiteceu misteriosamente. Procurei algum meteoro no céu,
mas nada tão grave aconteceu. Apoteótico.
Dizem que o show do The Woombles no Central Park teve final semelhante,
ao ser interrompido por uma seita meio indiana (do tipo riponga).
O engraçado é que eles tiraram a banda do palco e
as pessoas continuaram assistindo a cantilena zen dos malucos.
A nave inteira recendia a incenso. Jamais convide um zeltariano,
já dizia Ihliat Srebar, se a procura do cosmo dentro do teu
umbigo não for mais que uma piada. Procurei Nira, tinha que
pedir que parasse com aquilo, ia levar dias até que os filtros
dessem conta de todo aquele terrível cheiro.
Enfim, decidi consultar meus orixás quanto ao prosseguimento
da missão. Já nos aproximávamos de Deca-7 e
ainda não ouvira nada sobre a situção lá
embaixo. Programei uma órbita de três horas antes de
entrarmos na atmosfera, serviria para a incorporação
e os preparativos para arriar a nave até a superfície
do planeta. Nira sumira, devia estar em transe em algum compartimento
silencioso. Só temia que ingerisse alis, eu precisava iniciar
a criação de atmosfera imediatamente ou teríamos
problemas com a Empresa. O primeiro relatório tinha que ser
impecável, minha cotação não andava
muito em alta, apesar da intercessão de Xangô junto
ao Conselho Receptor. Pôrra, por que fui pegar justamente
Nira?!
Coloquei meu manto branco cerimonial, acendi as velas junto ao
Altar de Adoração, limpei mente e espírito.
O Sintonizador inciou as batidas ritmadas que me levariam ao encontro
de minha entidade. Sempre ficava um pouco nervoso, mas apenas por
alguns segundos, até sentir a força de Xangô,
a boca mole, a sensação de estar e não estar
ali ao mesmo tempo, e acordar no chão com um gosto de açúcar
queimado na boca. Liguei o diário vocal para ouvir o que
Xangô falara por mim. Estava ansioso, nunca havíamos
nos afastado tanto do círculo de proteção da
Câmara Universal de Comércio.
Então ouvi. Oxalá não o tivesse feito.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨DIAS
DE ESTANHO¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
3diasatrás/
4diasatrás/16:00 - O psicodélico show do Fábio.
Chego muito cedo, ainda assisto o show de uma dupla de rappers gospel
falando sobre "aidéticos arrependidos que matavam a
tiros e desperdiçaram sua vida". Uma vontade de estrangulá-los,
mas passou depois que andei pela feira. Um show de um grupo de dança
nativista da Guajuviras. O show da Blight, abortado prematuramente
e encerrado com um coro gospel de uma gangue do CLJ, uma pizza com
cerveja e muita, muita risada. Destaque para o rap bíblico
dos repentistas Fábio e Telmo. Saí passando mal, não
é legal rir muito depois de comer.
6diasatrás/19:00 - Num ônibus, em Porto Alegre, indo
para o Jardim Ipê. Na Oswaldo sobem uma guria e um guri, ele
com um violão dentro de uma capa, toquinha colorida, bicho
do Bom Fim. Ela "descolada", casual, tranças loiras,
rosto pequeno e bem feito. Os dois com sotaque portoalegrense, uns
21 anos. Papo legal, ela começa a contar das viagens de quando
fuma maconha. Voz alta, clara.
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Como se estivesse falando sobre a
compota que a avó tinha feito. Gosto de Porto Alegre.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨:O)¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Estive pen |