As Mulatas
de Jesus Cristo
nº 64 - Canoas - 20/09/2002
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SUMÁRIO
EDITORIAL Fábio
Luis Emerim
CASULO 14 - O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS Fábio
Luis Emerim
CARTAS nossos leitores
CACHIMBO-URUBU (III parte) Fábio Luis Emerim
COLUNA DO BORVAZ SARSA Borvaz Sarsa
MOVIMENTOS MINÚSCULOS Inácio Otávio das Dores
REALIDADE PLEONÁSTICA Telmo dos Santos Abech
SOU JULIÁN CATINO Julián Catino
VERSOS SOLTOS Fábio e seus alter egos
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EDITORIAL
Fábio Luis Emerim
Os Olhos da Lei
Meu pai tem 60 anos. Dirige há mais de 40. Nunca foi multado,
nunca teve uma infração de trânsito, nunca,
sequer, arranhou o carro. Ele é, sem sombra de dúvida,
o cara mais correto na direção de um carro que eu
conheço. Mas hoje recebeu pelo correio uma notificação
do DETRAN com a foto do carro, acompanhando uma multa por ter sido
flagrado na impressionante velocidade de....57 Km/h!!!! São
os incansáveis olhos da lei.
Domingo, 16 horas, parque residencial Jardim do Lago em Canoas;
um bairro de classe alta que serve de "point" pra playboyzada
desfilar carangos bagaceiramente envenenados. Eles cantam pneus,
fazem fumaça, ouvem música em volumes incondizentes
e arrancam em velocidades absurdas. Cadê os olhos da lei?
BR 116, 23 horas, Canoas, em frente ao Xis do Zé, no cruzamento
do viaduto da antiga Cautol. Palco de vários "pegas"
de carros que vão até tarde da noite. Os carros ficam
estacionados num posto obscuro que fica alí perto preparando-se
pra correr. Mais adiante há uma parada de ônibus, com
gente voltando de Porto Alegre; crianças, jovens, mulheres,
praticamente à mercê da destreza de inúteis
que passam por alí a mais de 120 por hora. Eu já presenciei
a cena mais de dez vezes, só os olhos da lei que, veja só,
não vêem nada!
Claro, claro, os olhos da lei não poderiam. Me esqueci que
eles estão de tocaia em locais privilegiados à espreita
e à espera de perigosos senhores pais de família que
oferecem risco à nossa sociedade ao voarem pelas nossas ruas
a mais de 57 quilômetros por hora! Avante, homens da lei!
Mostrem quem é que manda!
Vamos celebrar a estupidez humana.
De maio a setembro de 2002 houveram cerca de 130 mil multas no
RS, significando um volume arrecadatório de mais de 21 milhões
de reais. Quantas empresas geram essa receita em 4 mêses?
Meu pai terá que pagar R$459,69. Liguei pro disque DETRAN
e soube, estupefato, que o benefício do parcelamento da multa
só é aplicado aos infratores que têm multas
anteriores vencidas, ou seja, quem é correto, nunca foi multado
antes e sempre honrou com suas dívidas tem que se foder e
pagar tudo numa paulada só. Gostaria de saber quem são
os cretinos que fazem e os filhos da puta que aprovam tais leis.
......
Ando meio em crise criativa!
Encheção de saco essa propaganda política
na TV. Não bastasse que temos que desligar a televisão
de tarde e de noite, de umas três eleições pra
cá todo o intervalo comercial traz drops de propaganda política,
com aqueles candidatos que não são dignos de pleitear
ser síndico de prédio de três andares, quanto
mais preencher uma vaga na câmara dos deputados. Esses dias
vi que o (*) é candidato. O (*) é dono de um lance
que é bem conhecido na zona norte de Porto Alegre. Ele é
competente no que faz, mas puta que pariu, aquele cara é
uma anta caminhante! Aliás, qualquer um pode ser candidato
a qualquer cargo político, com o agravante que qualquer um
vota, logo, a palhaçada está formada. E chega desse
papo.
(*) resolvi ocultar o nome da criatura porque, sabe cumé,
é fácil pra eu acabar me fudendo por causa disso...
...
Foda é tu ir pra faculdade, que é privada, come teu
dinheiro, e meia dúzia de vagal do fundão querer ver
filme no ginásio de esportes. Pior: "A Paixão
de Jacobina"!!! vão se foder! Vão se foder todo
mundo!!!!!!!!
...I'm the backwards traveller....
...
Bah, e aquele maluco que entrou armado na Atlântida e forçou
o apresentador a rolar o CD dele na íntegra? Muito engraçado,
tenho certeza que o acontecido contou com a secreta satisfação
de muito músico que não consegue espaço. Mas
o lance é correr atrás! E fazer boa música,
pois o som do cara era uma merda...
Críticas, sugestões, textos, antrax: mulatas@terra.com.br
Lista, ou grupo, ou o que você entenda que é: mjcgroup-subscribe@yahoogrupos.com.br
Mande também uma mensagem para esse e-mail que não
existe: frijgerew@hebonuz.com
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Casulo 14 - O Portal das Averiguações Noturnas
Fábio Luis Emerim
Aqueles dias em que nada vem à cabeça - ou meu própio
brainstorming sozinho
Daí o cara pega um café preto, outro, outro. Liga
a TV pra ver o que tá passando. Dia úmido, meio frio,
meio quente. Vontade de dormir por 45 dias. A cara da Luciana Genro
não pode ser verdadeira. Aquele cabelo dela é transgênico,
não é possível. Tem candidato sapateiro, candidato
protético, patético, protéico, calça
boca de sino, pantalona larga. O Vieira da Cunha tenta, mas não
consegue me passar seriedade, incrível. Café preto.
Tem gente que ainda cita Jango e Getúlio Vargas. Outros só
faltam citar Hitler. Lembra daquele candidato gay de Pelotas que
apareceu no acampamento farroupilha semana passada? Foi expulso
de lá, quase linxaram o cara. Também vai ter idéia
de girico assim na casa do caralho.
...
O Yellow tava doente. Problema de pulmão, segundo ele. Também
fuma que é um desgraçado! Tava me contando que foi
numa formatura que a festa depois mais parecia um pesadelo. A começar
pela banda, daquelas que animam bailes de formatura, sabe? A burguesia
tem um mau gosto do caralho, como é que pode?
Burguesia: grupo social de pessoas que gastam seu bom dinheiro para
mostrar o que não são para pessoas que não
gostam. Além do agravante de assistirem Hebe.
Eu não queria ser burguês, mas queria ter dinheiro.
Ah, dinheiro... o que eu faria com muita grana? O que é muita
grana? A idéia de muita grana pra mim é diferente
do conceito que o Gerdau tem de dinheiro, por exemplo. Mas o que
impora? Aliás, por que eu to dizendo isso?
...
Assim, ó, to com coceira nos dedos de tanta vontade de tocar
de novo. Meu baixo tá parado com as cordas frouxas pra não
empenar o braço (explicaria, mas não to com saco).
Tenho que reativar algo. Em outubro to indo pra casa do Fabian em
Passo Fundo pra gente gravar um CD novo.
E as malditas idéias ainda não rolam. É isso
que chamam de crise criativa? Preciso de mais café.
I need a motivation...
....
Eu - Por gentileza, gostaria saber a respeito de multas, meu pai
foi multado por um pardal, eu gostaria de saber sobre parcelamentos.
DETRAN - Blá, blá, blá?
Eu - Er...57 quilômetros por hora...
DETRAN - Blá, blá, blá, blá...
Eu - Ahã...eu queria saber se posso parcelar!
DETRAN - Blá, blá, blá, blá, blá!
Eu - Mas por quê? Ele nunca foi multado antes, ele não
pode ter um benefício?
DETRAN - Blá, blá, blá!
Eu - Quer dizer que quem já tem multas acumuladas pode parcelar,
e quem sempre foi correto e está recebendo uma primeira multa
não?
DETRAN - Blá, blá!
Eu - Não dá pra levar essa gente a sério...
....
Projetos que não mereceram ser continuados:
Lucy In The Sky With Paixão Cortez (uma viagem psicodélica
num T2)
"The magical mistery tour
Is waiting to take you away
Waiting to take you away..." (Magical Mistery Tour, dos The
Beatles)
Poucos sabem, mas em 1967 Paul McCartney esteve com John Lennon
em Porto Alegre de férias. Naquela época, todos em
Londres sabiam que a agência de viagens Alberston & Alberston
era a maior furada da história. Todos, menos Lennon e McCartney,
que, ofuscados pela mídia, que não os deixava em paz
nem pra cagar, resolveram fugir pra algum paraíso tropical
com tetudas, muito mambo e tchá-tchá-tchá.
E pra que pensar muito? Nada melhor do que um país da américa
do sul, com muitas praias e com a capital mundial do Tango, Buenos
Aires: Brasil.
Os caras tinham acabado de gravar Sgt. Pepper's, o álbum
que mais tarde revolucionaria a indústria fonográfica
mundial. Depois de um LSD cada um, os dois entraram na Alberston
& Alberston, fecharam um pacote pra cidade que tinha um porto
e alegria, fizeram as malas e foram pro aeroporto. Paul levou apenas
uma mala de mão, Lennon quando perguntado no check in se
ele ia checar a mala disse que "não, Yoko vai ficar
em casa".
Coisas Que Não Compensam
[da série: qual a vantagem de ser Reinaldo Gianechinni se
é pra comer a Marília Gabriela?]
Tu estuda pro vestibular. Te mata um ano inteiro pagando cursinho,
porque quer UFRGS, 34 por vaga. Passa. Mas fica janeiro e fevereiro
estudando porque fizeram greve. Greve todos os anos. Tu te forma
com 43 anos. Há 12 sem ir pra praia.
Outra: tu não estuda muito e passa numa faculdade privada.
125 por mês cada cadeira. Faz uma por semestre; resultado:
tu te forma com 43 anos de idade, sem nunca mais ter ido pra beira
do açude, por falta de dinheiro e a mulher tá grávida
do terceiro guri.
(não continua)
==== / ====
Cartas
Queridos amigos
Achei de extremo mau gosto aquele poema "Deus Omnia Purgat",
onde uma caganeira é relatada em seus detalhes. Que nojo!
Por que vocês não mudam um pouco o tom das bobagens?
Américo Luis
Fortaleza - Ceará
É mesmo, Américo! Tens plena razão! Também
achei um mau gosto horrível relatar detalhes de uma desinteria!
Eu mesmo me senti mal, sabe? Comecei a sentir o suco gástrico
subindo meu esôfago até transbordar em um quente e
ácido vômito sobre minhas pernas! Quase desmaiei ao
ver aqueles restos de comida amarelado mais parecendo com uma arte
abstrata sem sentido! Aquele gosto amargo de meu íntimo sistema
digestivo jazia, secando, em minha calça nova. Odeio esse
tipo de nojeira!
....
Editores
Por quê?
Lancelot direto de Londres
Me irritei, agora! A partir desse mail vou responder somente em
poemas:
Perguntaste porquê / esperando reposta / te digo o quê
/ tua vida é uma bosta / pois pra escrever tal pergunta /
das duas, uma / ou és um cara de bunda / ou sósia
do Romeu Tuma
....
Olá
Gostaria de saber como eu consigo números anteriores.
obrigada
Rita - Rio De Janeiro
O passado perturba / incomoda e some / queres saber de coisas passadas
/ ou estás a procura de ôme? / quem tem essa preocupação
anormal / deve estar com problemas / ou é falta de cópula
anal / ou tem que comprar novos bleumas
....
Caro Fábio Emerim
Sou psiquiatra e gostaria de oferecer meus trabalhos para tentar
recuperar a sua sanidade mental.
Só responder
Eduardo Hartmann Jr
Porto Alegre RS
Ora vejam vocês / que horror a mente humana / pensa ser demais
amiga / além de ser tão mundana / mas quer entrar
sempre numa briga / quer manter a vez e a voz / une e desune num
piscar de olhos / acha-se semente de butiá e casca de noz
....
Amigos
Sou fã de vocês! Adoro suas aventuras! Adoro suas
estórias e textos !!!!
Um abraço!
Eloá
Curitiba- PR
Ao arbusto em ti identificado / mostra a mão e sai cagado
/ ouve a ti mesmo e fique perturbado / demonstre a fúria
rebelada num bilhete sobre o armário / outrora mal lembrado
/ outrora bem enfeitado
....
Prezados senhores
Sou pastor da Igreja Universal do Reino de Deus. Ungido, graças
a Deus pela glória de nosso Senhor Jesus Cristo pela sua
Honra e sua glória! Peço, encarecidamente, que párem
de ataques infundados a esta tão maravilhosa organização
que fez com que minha vida mudasse pra melhor e ter uma família
abençoada sob a luz Daquele que tudo pode, que é Deus!
Aceite Jesus em sua vida e tudo mudará.
Pastor Andrada
Florianópolis - SC
Pediste esmola ao pedinte / subiste ao alto da montanha bonita
/ curraste a caturrita / emolduraste a tua própria sabedoria
/ envenenaste a mãe das gurias / em ti grita o satanás?
/ em ti ilumina a santa ceia? / em vez de começar, termina
/ em vez de iniciar / pega na minha peia
Mande sua carta com críticas, opinião, elogios, dinheiro
para: mulatas@terra.com.br
==== / ====
Cachimbo-Urubu , suas vidas e idas (III e última parte)
Fábio Luis Emerim
Uma semana antes de JFK visitar Dallas, fui mandado para lá
pra largar água benta em todas as esquinas da cidade. Tarefa
árdua, pois Dallas é uma cidade onde há muitas
curvas, ruas compridas e esquinas poucas. O que eu não falei
pro presidente, é que na Elm Street acabou meu produto bento
e tive que pegar um pouco de uma torneira do banheiro de um depósito
de livros em um edifício alí perto. Eu tinha conseguido
a confiança da família Kennedy quando JFK ficou sabendo
que eu tinha fugido de Cuba e sabia que a máfia queria sua
cabeça, pois não tinha tido coragem de mandar matar
Fidel. Isso mesmo, como Kennedy contou com a ajuda da máfia
pra se eleger, a Cosa Nostra teria pedido, como troca, que o presidente
dos EUA detonasse com Fidel Castro antes que o revolucionário
tomasse conta da ilha fechando todos os cassinos de lavagem de dinheiro
dos capones. Como JFK se cagou e na hora deu de ombros para o pedido
dos mafiosos, foi jurado de morte. Isso tudo eu sabia que ia acontecer,
pois Exu-Aranha confidenciou-me em sonho. Então, sabendo
que algo terrível poderia acontecer, o homem pediu que eu
abrisse os caminhos.
Aliás, ele sempre me pedia pra abrir caminhos, quando todo
mundo, menos a Jackie, pensava que ele comia a Marilin Monroe, eu
desfiz a fofoca colocando a quele falso namorado da atriz numa festa
da Casa Branca. Todo mundo inquietou-se. Aliás, ele nunca
comeu a Marilin, quem comia ela era eu, mas creio que isso não
fará a menor diferença agora. Aliás, o John
Kennedy já estava dividindo uma amante com o mafioso Sam
Giancana, um detalhe que eu sempre achei que ia acabar em morte.
Na manhã do dia 22 de novembro, 1963, eu estava fazendo
pela décima vez o caminho que o presidente percorreria nas
ruas de Dallas. A única coisa que me intrigava, era que o
lugar onde eu passei a "água não benta",
era um lugar muito amplo, próximo a um túnel embaixo
de um viaduto e com uma pequena parte arborizada, com grama e tal.
Na hora do desfile, eu tinha me esquecido que tinha deixado a garrafa
que continha a tal água benta falsa no banheiro do edifício
do depósito de livros quando eu tinha subido pra, digamos,
fazer necessidade. Lá no banheiro tive a idéia de
pegar mais água, pois tinha muita rua pra abençoar.
Daí chamei um cara que passava por alí, meio calvo
que fumava cigarro. Perguntei seu nome e ele disse "Oswald".
Mostrei minha identificação como do comitê de
JFK e pedi que buscasse a garrafa no depósito. Coitado, o
Oswald, apenas querendo ser prestativo, acabou por principal suspeito
do assassinato de John Kennedy. Todos apontavam que o tiro fatal
teria vindo do andar do depósito de livros. Eu saí
dalí de fininho. Aliás, saí dos EUA de fininho,
principalmente depois que apagaram o pobre do Oswald.
Vim pro Brasil em 63 mesmo, fui morar em Brasília, onde
fui mentor espiritual de Janio Quadros. Lá vivo até
hoje onde atendo num 0800 sobre astrologia, numerologia e búzios,
afinal de contas, alguém precisa dar um jeito nesse país...
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Retorno hesitante: Coluna de Borvaz Sarsa (20)
por Borvaz Sarsa [como Ermenegildo Fontana]
Mar de Dirac
Uma vez, tendo lido um conto que me tocou bastante eu estava em
um anfiteatro esperando pelo início de uma aula, quando aconteceu
algo que me lembro bem. Um daqueles eventos que, embora não
seja realmente significativo, não tenha realmente causado
grandes repercussões, a gente guarda, mais como um emblema
de um conjunto de coisas. De uma época.
Esse conto primeiro: Ondulações no Mar de Dirac,
de Geoffrey Landis. Se eu não falar do que se tratava, não
creio que possam acompanhar. O conto era muito bem engendrado, curto,
cheio de saltos narrativos. O autor usou um símbolo conhecido,
os anos sessenta: a época da inconseqüência, do
viver o dia-a-dia pelo prazer, sem pensar no futuro. De não
se preocupar com o legado.
Então o autor criou um personagem que não tinha escolha,
que era incapaz, mesmo que quisesse, de deixar sua marca na história
e o colocou lá, vivendo com os hippies que escolhiam viver
de uma forma que ele era obrigado. Para o resto do mundo ele era
uma sombra: um cientista obscuro falecido em um incêndio em
um quarto de hotel as vésperas de anunciar sua maior descoberta:
como viajar para o passado.
No conto ele não havia realmente morrido. Havia fugido para
o passado. O homem está preso pois sempre deve voltar ao
quarto de hotel em chamas, sem chance de salvação.
Tudo que ele vive a partir de então é tempo emprestado,
todas as conseqüências de seus atos são imediatamente
apagadas quando ele retorna ao ponto inicial de sua viagem. Ele
não pode mudar os eventos que um dia irão conduzir
à sua própria morte. Para o mundo ele já está
morto. O recurso que o autor usa para isso é uma maquina
do tempo o que torna este um conto de ficção científica.
O tema, entretanto, é outro: legado, conseqüências.
A partir do evento no hotel ele pode refazer sua vida a vontade,
como quiser, morrer de mil formas, participar de todos os eventos
históricos conhecidos mudando aparentemente os rumos da história.
Pode até mesmo avisar a si próprio no passado antes
que tudo aconteça. Nada altera o passado real. O universo
modificado em que ele vive, qual fora uma alucinação,
é só dele e, tão logo ele chegue ao momento
presente, está de volta no quarto em chamas.
Ele pode enganar a morte por muito tempo, de diversas formas, mas,
com todas as possibilidades que tem, ele retorna sempre ao mesmo
grupo de hippies nos anos sessenta, e revive com eles diversas variações
sobre a mesma história. Uma história que não
lhe pertence. Numa busca obsessiva de significado, de se identificar
nas pequenas mudanças que poderia imprimir as vidas daquelas
pessoas.
Eu estava absorto no significado do conto quando chegou minha colega
de então, sentou-se a meu lado e perdida em uma linha de
pensamento que era só sua disse: Você já se
perguntou como seria mudar seu passado? Já se arrependeu
de algo?
Eu então sorri, e respondi: ¨De cada dia de minha vida.¨
O engraçado é que na época era realmente como
eu me sentia.
Se eu hoje pudesse voltar aquela época, provavelmente apenas
aproveitaria para avisar minha versão mais jovem que a Isaac
Asimov Magazine só duraria até o número 25.
Para lhe poupar a decepção.
Antes que me perguntem: Não, não sei do que ela se
arrependia.
Luc
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ía
Aquele dia de verão, naquele anfiteatro lotado, me voltou
a cabeça recentemente por uma boa razão: na sexta-feira
passada, fui assistir Lucía e o Sexo, de Julio Medem. A ligação
que existe é que este filme lida exatamente com os mesmos
conceitos do conto, desde o título até o final: conseqüência
e arrependimento. Legado.
O tratamento do autor, claro, é bem outro.
A partir do título a abordagem é delineada. Lucía
não é a protagonista, mas sim o espirito livre, aquela
que se deixa levar pela busca da felicidade. O sexo em questão,
não é de Lucía, mas um evento específico,
um idílio vivido em uma ilha pelo verdadeiro protagonista,
Lorenzo. Um acontecimento anônimo e pretensamente inconseqüente,
mas que acaba por desencadear uma série de eventos trágicos.
O jogo de oposições no filme é bastante evidente.
Lucía assume seus desejos e vontades e com isso consegue
arcar com as conseqüências e seguir adiante, chegando
em alguns momentos a parecer leviana em suas escolhas. Já
o personagem narrador principal, Lorenzo, define sua felicidade
como a ausência de dor, o idílio perdido no passado,
ao mesmo tempo em que corteja a sua própria tragédia
em um mórbido teatro de dissolução.
A simbologia chega a quase ser obvia, o farol que aponta o caminho,
no caso de Lucía, uma estrada aberta para o futuro. O buraco
no fim da história no caso de Lorenzo. Aquele túnel
que lhe permite, em uma fantasia auto-indulgente que conta a Elisa,
retornar ao meio de sua própria narrativa e desfazer os erros
dolorosos.
O túnel é também uma clara referência
ao retorno ao útero, ao medo patológico da tragédia
e ao mesmo tempo ao recurso esquizofrênico que permite revive-la
sempre e sempre. Medem claramente toma partido.
No começo, o diretor consegue conduzir a narrativa de uma
forma bastante competente. O uso de cenas repletas de símbolos
freudianos como elementos de conexão entre eventos é
interessante, mas a certa altura da história deixa de funcionar
a contento. A história meio que se afrouxa, com um excesso
de tomadas que não adicionam nada.
O foco excessivo na interpretação psicológica
da narrativa, em deixar uma mensagem, torna alguns dos personagens
frágeis, quase caricatos apesar das boas interpretações
dos atores. A história paralela de Belén, é,
por exemplo, mal resolvida e o personagem de Elisa parece passar
por três encarnações desconexas ao longo da
história.
Tenho dificuldades em atribuir um valor ao filme. Ele claramente
não é um veredicto, como de resto abordando tais temáticas
é impossível alcançar um. É mais como
uma caderneta de anotações onde Medem deixa suas conclusões
parciais.
Acho que em parte a narrativa me pareceu um tanto antiga no tratamento
que dá a solução psicológica dos conflitos.
Sua parcial defesa do hedonismo. Uma certa indulgência com
os personagens no final. Isso talvez possa ser atribuído
ao mecanicismo simplista da tradição psicológica
nos países do terceiro mundo. Ou não.
Talvez o filme pudesse ser menos carregado e pretensioso, mas ainda
assim dadas as opções atuais, tem o seu valor. Ainda
mais quando em minha última ida ao cinema havia assistido
Resident Evil...
Para quem quiser tentar, fica a dica: não é exatamente
um bom filme para assistir de casal. A não ser que vocês
dois gostem muito mesmo de ¨discutir o relacionamento¨.
Nota de Rodapé
Pois eu já tinha escrito esta resenha quando meu amigo Filipe
me indicou Vanilla Sky, que eu incrivelmente ainda não havia
assistido. Passei na locadora e peguei.
Surpreendentemente é um bom filme e também é
sobre legado. Sobre as conseqüências, as vezes dolorosas
do que fazemos. Usa uma outra abordagem também, bem mais
leve, neste caso bastante ligada a iconografia pop.
Grande trilha sonora.
¨A fila tem que andar.¨ (a sempre erudita apresentadora
Babi nos brinda com o mote existencialista definitivo).
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Informações: borvazsarsa@zipmail.com
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Saldos de balanço: Meu baú de Imbuia
Inscrição
Cabelos negros como piche. A face oval e simples. Os olhos redondos
e profundos. Faiscava em vermelho pelo campus a jovem Maíra.
E se escrevia por inteiro: seu nome de emes macios e tantos erres
cuneigrafados. Precipitando-se em riscos fortes, impetuosos, grafismos
quebrados. Imprimia no papel a confirmação de sua
existência.
Espalhava sua presença em meneios de cabelos.
Hoje, de dias passados, eclipsada em sua baia, Maíra rubrica
a rotina.
Contem comigo até Três...
Um::A Timidez
Quero,
mas temo.
Beijo. Não peço...
Dizes:
Não para!
Dois::A pausa
...e tinha aquele pontinho sabe? Dentre tantos, uma pinta.
Pouco acima do umbigo: à direita.
Que quando eu descia seu corpo em beijos era ali que parava.
Eu pausava, momentos.
E no ar suspenso do instante, nós dois tomávamos
fôlego.
Três::A menininha
Chora
Perdida no shopping
colorido.
As lágrimas secam:
Olha a vitrine.
Contempla-se...
...um novo brinquedo.
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Movimentos minúsculos
por Inácio Otavio das Dores
Melodia íntima I
Celina era jovem e vivia um casamento falido. O carinho inicial
na relação havia sido substituído por um comodismo
tranqüilo, alimentado pela necessidade de criar sua filha,
de três anos.
A situação se agravara pois Celina havia prestado
concurso para agente penitenciária e passado a trabalhar
em uma cidade próxima à capital. Seu marido então,
se antes lhe parecia possuir um certo charme juvenil, hoje cada
vez mais a lembrava dos velhos caipiras de mentalidade interiorana
em que era pródiga sua cidade natal na campanha.
Conheceu André em uma saída com as colegas de trabalho
para descontrair após o expediente. Trocaram olhares em mesas
próximas. Ela recebeu o telefone dele em um guardanapo. Em
um dia de plantão tomou coragem e ligou. Conversaram horas.
André era culto, bem lido, fazia doutorado e esbanjava simpatia
pelo telefone. Marcaram de se encontrar em Porto Alegre no fim-de-semana
seguinte em uma famosa casa de shows no bairro universitário
da cidade.
Celina combinou de pernoitar na casa de uma colega e viajou para
a capital. Para o marido estava em um curso de preparação
qualquer: ia tomar todo o fim-de-semana. Nenhuma novidade nisso.
Ele foi buscá-la para o encontro, era um cavalheiro. Juntos
estavam completamente à vontade, fisicamente confortáveis.
Ela se sentia envolvida pela conversa, pela vivência, pelos
grandes objetivos dele. Dançaram, beberam, riram. Divertiram-se
muito. No volume alto da música devoravam-se com os olhos.
Quando a noite chegava a seu ápice, ele contou que morava
a poucas quadras dali. Convidou-a para o seu apartamento. Ela o
seguiu.
O apartamento era pequeno e bem decorado. André mostrava
suas coisas, seus muitos livros, apontava diversos objetos e contava
suas histórias. Celina ouvia com atenção. Vê
um violão apoiado a um canto. Você toca? Ele diz que
sim.
Sentam-se no sofá, conversam baixinho, quase a roçar
as bocas, ele dedilha MPB. Demonstra alguns acordes, toca Djavan.
Ela ouve de fôlego contido, os olhos plenos de aceitação.
Inclina seu corpo, aproxima-se mais.
André lembra de algo, levanta-se de ímpeto e larga
o violão. Vai até o balcão, remexe em seus
CDs e escolhe um. “Tive uma banda!”, ele diz. ²Chegamos
a gravar uma música². Coloca o CD a tocar. A sala se
enche com um rock balada. De uma pilha de papéis ao lado
do som ele tira uma folha amarrotada e lhe alcança: A letra
da música.
Segurando o papel, ainda sentada no sofá, Celina observa
André tornar a empunhar o violão e, enquanto acompanha
a música gravada animadamente, lhe dizer: ²Vamos lá!
Canta junto!!².
==== / ====
Realidade Pleonástica
Telmo dos Santos Abech
O delicto grassa solto na provincia
Um crime de morte ocorreu hontem apos a meia-noute no Becco do
Fanha.
Ignacia de Tal, donna de um alcouce no número dezassete
daquelle mal affamado sitio, matou a punhaladas sua rival, a parda
Gervazia Lima de Souza, que, embora golpeada variadas vezes, ainda
conseguio, à busca de soccorro, arrastar-se, todavia em vão,
até à esquina da rua da Ponte, vindo a fallecer na
porta da tasca do João da Bica, local também conhecido
pela frequencia de embarcadiços, desoccupados, vadios e turbullentos
de toda a sorte, dessa malta, enfim, que, com a complacencia das
auctoridades da Intendencia e da Chefia de Policia, vem infectando
Porto Alegre.
Soube-se, por commentários entreouvidos à súcia
desqualificada que alli nos maes sordidos officios àquellas
horas mortas assistia e que se ajuntou apos o acontecido, que a
negra Ignacia, demmonstrando toda a maldade e villania proprias
à gente de sua laia e de sua raça, já tinha
ammeaçado, não uma, senão que varias vezes,
pôr para fora as tripas da ammasia do marido caso os soubesse
ou visse junctos.
E hontem foi só o caso de encontrarem-se naquelle antro,
na hora em que as pessoas de bem já de ha muito se deviam
haver recolhido ao recesso dos lares, para que a cousa se desse.
A criminosa, depous de ferir mortalmente a rival, andou apenas
alguns quarteirões, sendo dettida e presa pela guarda civil
na Rua da Praia, entre a Rua Clara e o Becco dos Sete Peccados Capitaes,
quando batia ao cortiço em que seu irmão, o carroceiro
de alcunha Vinte-e-um, se installara fazia uns dias, para acoutar-se
no intervallo dos biscates.
Já o pivot do crime, Manoel dos Passos, alferes lotado
no Oitavo, encontrava-se, naquella hora, inteiramente alheio ao
occorrido, a beber garapa a uma taverna do Becco do Céo,
em companhia da escoria e do mulherio que invariavelmente àquelle
local accorre, vindo principalmente da General Paranhos, dos immundos
e infames casebres do Becco do Poço.
Agora, com a Ignacia na Casa de Correcção, as famílias
das imediações é que terão motivos para
exultar; não so as pessoas de bem residentes na Rua da Praia
e na Rua da Ponte, proximidades do malsinado conventilho, vão
poder dormir maes descansadas, sem que sejam allarmadas em plena
madrugada pelos sarilhos armados na frente da tal casa (que, sem
a donna, decerto terá pelo Dr. Leite, distincto dellegado
titular do primeiro Districto, suas portas fechadas), como também
as senhoras poderão ir à tardinha a comprar suas fazendas
e a buscar seccos e molhados aos talhos e armazens sem cuidarem
de cruzar a vista com essa gaja de tão baixa extracção
e de arriscarem-se a esbarrar com ella e virem-se a comprometer
e corromper ouvindo-lhe algum dicto ofensivo a moral e outros que
taes. (Edicção de 18/9/1898)
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
Publicamos abaixo, de auctoria do Dr. Epaminondas Paranhos, distinctissimo
e emmerito collaborador, o soneto especialmente composto para esta
edicção de A Gazeta:
SONETO DO DESPREZO
Morbido, obsceno, pallido e abjecto
De estranhos vícios podre e consummido
Em monstruoso ventre qual um feto
De vil materia foste concebido
Vieste à luz decerto prematuro
E já à luz mesma foste offensivo
Ao teu redor devia erguer-se um muro
Que aos olhares te fizesse privo
Não sei por que ainda me importo
Co’ o immenso nada que tu significas
Pois és p’ra mim não maes do que um aborto
Nesta existencia de cousas tão riccas
Nem tem alias sentido algum que eu fale
De quem nem mesmo este soneto vale.
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
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Sou Julián Catino, o novo editor do Mulatas!
Farei a coluna "Minuterias", ou "sabedoria de botequim
em gotas
ácidas e amargas".
Terá, por agora, quatro mini-seções, e para
que nas próximas seções
fique claro, como bem as revistinhas de moda de adolescente dividem,
"o que pode e o que-não-com-bi-na",as quatro seções
são as seguintes :
Minuterias news: pingos de notícias da net ou observações
daquilo que
a mídia nem vai se importar e que me parece relevante.
Minuterias nerd: sendo um membro da classe nerd, não posso
deixar
de falar deste mundo de conclusões bizarras e desprezíveis,
curiosidades da informática ou fotos Kirlian do meu video-cassete.
Minuterias mirror: reflexões relevantes deste mundo opaco.
Liquid Minuterias: gotinhas de sabedoria ácida da boa.
Minuterias news --- Minuterias news --- Minuterias news ---
Em 9 de setembro, Peter Gabriel lançou o single "Barry
Williams
Show", do disco "Up" que será oficialmente
lançado em 23 setembro.
"Barry WIlliams Show" deve estar inspirado no Ratinho,
pois com uma poesia sutil mas enfática, PG descarrega devagar
e
sempre uma crítica impiedosa contra a banalização
da vida dita ´real´,
explorada por reality shows, programas de auditório e reportagens
com
câmeras ocultas.
O video foi dirigido por Sean Penn; infelizmente não consegui
ainda
vê-lo inteiro, mas a letra deixa clara a crítica ao
tipo de circo em
que os meios de comunicação populares estão
explorando a vida diária
das pessoas mais bizarras e extravagantes.
Não há os grandes efeitos dos videos de dez anos
atrás de Peter
Gabriel,
mas acho que nessa caso não caberia. As inovações
técnicas
foram trocadas pelo estética crua para colocar em primeiro
plano o
tema central da canção.
Obviamente, nossa corajosa MTV deve passar o vídeo após
as 21:30,
o que é um contra-senso, já que o Gugu Liberato consegue
ter seus
programas em pleno domingão à tarde.
Para os mulatos que queiram disfrutar da letra da canção,
podem entrar em http://www.petergabriel.com, e no fórum do
Full Moon Club a encontrará, ou pode solicitar à redação
deste
humilde zine, que gentilmente a enviará sem custos adicionais.
Não esperem que a mídia divulgue grande coisa.
Minuterias nerd --- Minuterias nerd --- Minuterias nerd ---
Genivaldo - você não acha irritante quando as pessoas
não respondem a
sua pergunta e se esquivam em evasivas ?
Maicon - Depende.
Minuterias mirror --- Minuterias mirror --- Minuterias mirror ---
O que queremos afinal vendo a intimidade de todos,
uma exposição ao ridículo, um desfile de desesperados
pela fama dos
quinze minutos ?
Os meios de comunicação não são vilões
que desejam o nosso mal nem
coisa parecida.
É somente uma questão de interesse público,
e nisso não há culpados.
Mas sim há tendências onde a única grande protagonista
é a banalização, é o fato
de mostrar fatos bizarros pelo simples fato de serem bizarros. E
assim como em "O Homem Elefante", podemos estar transformando
em monstros a pessoas
que na verdade são a poesia da nossa espécie.
Ok, posso estar soando moralista, e podemos simplesmente falando
de
um grande ´show´ inocente. Mas quando todo um sistema
fica mais rico explorando as
esquicitices de anônimos bizarros, temos o problema de incentivar
esse tipo de
culto ao bizarro, que acaba por refrear qualquer tentativa de valorizar
o
cotidiano.
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Versos Soltos
(poemas azuis)
Versos presos ...
...prisão de ventre / ventre livre / sempre livre / modes
sujo / boca murcha / cólom e útero / vagina e sangue
/ pentelho / suco / lambe-lambe / amor poeta / poesia púbere
Aniquilando Yolanda...
...primeiro os braços / depois os traços / segundo
a perna / depois a outra / costuro a boca / arregaço a orelha
/ arranco os dentes / amarro na cadeira / a tarde inteira / deploro
sua vivência / uso de violência / declaro-me a Yolanda
==== / ====
"Pra essas éguas da cidade não há cabresto
nem palanque"
(Maneco Terra, no romance Ana Terra, do grande Érico Veríssimo)
***** As Mulatas de Jesus Cristo - número 64 - 20/09/02
*****
-Staff:
-Fábio Luis Emerim (eu)
-Roberto Yellow Moschen Jr. (é um puto, nunca manda a coluna!)
-Borvaz Sarsa (ele mesmo)
-Julián Catino (debutando)
-Telmo dos Santos Abech (é competente esse rapaz)
-Colaboradores dessa edição:
- Berna, a Bermida Desfilanda
- Inácio Otávio das Dores
Não foi utilizado nenhum tipo de droga pesada na realização
dessa edição.
Este e-zine não contém glútem, conservante,
estupefaciente, flaviocavalcante e nenhum veneninho bão.
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com o assunto CANCELA, mas não faça isso, pois que
sentido teria a sua vida?
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