As Mulatas de Jesus
Cristo
nº 60 - Canoas - 23/08/2002
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SUMÁRIO
EDITORIAL Fábio Luis Emerim
CASULO 14 - O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS Fábio
Luis Emerim
DE SUPETÃO Roberto Moschen Yellow Jr
ANY KIND OF DIZZY SEX CHEESE IS LORD Fábio Luis Emerim
COLUNA DE BORVAZ SARSA Borvaz Sarsa
CARTAS nossos queridos e estimados leitores
VERSOS SOLTOS Fábio e seus alter egos
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EDITORIAL
Fábio Luis Emerim
0:53, acabei de voltar do cinema! Fui ver o novo filme do Al Pacino,
"Insônia". A Marlise dormiu metade do filme, mas
não por ser ruim, até que é bom, a Marlise
é que dorme em filmes.Vamos ao Mulatas.
Pronto, começou a propaganda política na TV e rádio.
E que não me venha ninguém me dizer que temos que
assistir, pois somos nós que decidimos e blá, blá,
blá! Eu nunca consegui decidir porra nenhuma! De todas
as vezes que eu votei somente uma vez quem eu escolhi foi eleito,
no caso o Olívio Dutra aqui no RS. Esse papo de eleição
e cidadania me torra o saco, pois todos nós sabemos que
quem ganha é quem detém os meios de comunicação.
Se a mídia quiser, faz qualquer um vencer. Sou contra o
voto, sou pelo concurso público. Ora, se para todos os
cargos públicos tem concurso, por que para cargos políticos
não deveria ser igual? E tem outro detalhe, democracia
o caralho, onde já se viu ser obrigado a votar num país
que se diz democrático? Eu mereço...
Eu, sinceramente, não pretendo votar no Ciro, mas que ele
é um sarro com aquele mau humor dele, ah, isso é!
Ele dá uns cortes nos críticos que eu me mijo de
rir. Mas mesmo assim ainda é meio bobalhão.Vou é
de PSTU mesmo, só porque é o legítimo voto
inútil.
Dizem que em dia de calor assim as pessôa fica mais calma!
Não acontece comigo, eu fico estressado, indignado, suado,
brabo e puto da cara porque não to na praia. E o pior é
agüentar aquelas antas que dizem "que calor, já
to começando a soar", como se fossem sinos. Argh!!!!
A foda,é tu voltares da praia no domingo de noite e hoje
- segunda -feira - morrer de calor. No fim de semana tava, digamos,
no máximo fresquinho. Fomos eu, a Marlise, o Yellow e um
amigo nosso, o Sandro, até a beira da praia e o vento não
me deixou curtir mais, pois eu estava de manga curta. Isso sem
contar que o Yellow - estávamos na casa dele - não
tinha se lembrado que tinham cortado a luz da casa da praia porque
esqueceram de pagar a porra da conta. Tínhamos também
que passar na casa de uma mulher lá pra pegar um cachorro
filhote de Shar-Pei pra levar pra irmã dele.
Final de semana jantando à luz de velas. Jogamos Banco
Imobiliário e Academia à luz de velas. No outro
dia, antes que eu surtasse, fui até o mini-mercado e comprei
pilhas pra por no som. Marchei com 8 pilhas médias que
não duraram porra nenhuma.
Na volta, na altura da Lagoa dos Barros, o Yellow grita dentro
do carro que tinha se esquecido de pegar a porra do cachorro!
Não voltei, óbvio.
Em tempo: o Al Pacino morre no fim do filme.
Críticas, sugestões, textos, antrax:
mulatas@terra.com.br
Lista, ou grupo, ou o que você entenda que
é: mjcgroup-subscribe@yahoogrupos.com.br
ICQ: 125549008
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Casulo 14 - O Portal das Averiguações
Noturnas
Fábio Luis Emerim
Que saco, nunca mais vou fazer musculação.
Sempre que faço eu ganho peso. Dizem que é massa
magra, mas não creio que essa minha barriga que tende a
ficar um pouco saliente quando fico sentado seja muito magra não.
Eu tenho é que parar de comer mesmo, pareço um boi.
A foda é que aqui em casa a mãe tá sempre
inventando coisa boa pra comer. Daí é impossível
fingir que não vê a geladeira estufada de maravilhas.
Por que eu estou escrevendo isso? Que papo de gordo!
....
Ganhou o FAMA aquele guri que veio da rua. Agora,
analisem comigo porquê eu já sabia que ele seria
o vencedor: ele foi favorecido o tempo inteiro pela produção
do programa.
Primeiro, todos nós sabemos que a mídia adora um
drama, e nesse caso, nada melhor que um pobre diabo que veio do
nada, sem conhecer direito a sua família, blá, blá,
blá. Segundo, apostando que isso daria ibope, colocaram
e tiraram o moleque da berlinda duas ou três vezes. Terceiro,
o tal não cantava bem, pelo menos era o pior de todos,
mas ganhou. Quarto e mais perigoso, e aí que vemos o poder
que a televisão exerce na opinião dos telespectadores,
na chamada em que aparecia na tela as fotos dos quatro finalistas,
o vencedor era o único que estava de perfil e, isso eu
notei direitinho, era a única foto cuja "moldura",
que era uma estrela girando, corria na direção contrária
a das outras três. O que significa esses pequenos "sinais"?
Que esse tipo de "mensagens" têm efeito sim para
que, inconscientemente, recebamos a imagem diferenciada do participante.
Mesmo não querendo. Quinto e fundamental, a música
que escolheram pro cara cantar era, nada mais nada menos, que
a exaustivamente cantada no último mês "Vida
Leva Eu", do Zeca Pagodinho. Uma música que, de novo,
mexe com o emocional das pessoas por ter sido um dos hinos da
conquista do Penta pela seleção brasileira. Alguma
dúvida que o guri ia ganhar?
Aliás, esse lance do FAMA é uma total
palhaçada, pois nunca acreditei em sucesso empurrado goela
abaixo. Não vejo genialidade nenhuma naquela gorda que
ganhou o primeiro programa, só uma boa voz. Duvido que
ela emplaque, e, sinceramente, tomara que não, pois como
fica quem tem realmente talento e não se sujeita a tal
porcaria?
E no SBT agora tá passando aquela tal Ilha
da Sedução, que deveria ter o nome trocado por Ilha
dos Cornos. Em meio a toda essa porcaria eu fico tentando entender
como tem gente imbecil que se sujeita a ter sua vida privada exposta
de uma maneira tão podre e pequena. Sem contar que me esqueci
completamente o que eu ia escrever agora, saco!
E pra terminar, o tal Acorrentados, que é
apresentado por outro parasita transmissor de porcaria da televisão
brasileira chamado Luciano Huck. Seis gurias idiotas resolveram
passar 24 horas acorrentadas a um modeleco idiota pra ver qual
idiota que o cara vai escolher namorar. O fato a respeito dos
programas merda, é que há demanda, ou seja, sempre
espere um bando de idiotas do outro lado da tela. Lamentavelmente
a tendência é piorar. Só há idiotice
porque há idiotas.
.......
Quatro Estorietas de Cocô
Cidinha chegou em casa correndo e foi pro banheiro.
Na mesa da sala , onde jantavam, os pais entreolharam-se espantados
pelo acontecido, pois Cidinha sempre os cumprimentava. Uns 15
minutos depois, e guria sai do banheiro com uma cara de satisfeita.
Sentou-se, respirou fundo e disse em falsete: "oi, pai. Oi
mãe!". Serviu-se e pôs-se a comer.
Albuquerque desligou o torno e foi correndo pro
banheiro. De pé, ao lado, Jéfersom e Euclides ficaram
espantado com o acontecido, pois Albuquerque só desligava
a máquina pra almoçar ou ir embora no final do expediente.
Mas Albuquerque teve a infelicidade de encontrar fila pra entrar
no banheiro. Cagou ali mesmo.
No meio da liturgia da palavra, o padre não
aguentou e saiu correndo pra sacristia. Todos, espantados, entreolharam-se.
A Irmã Níbia, que estava ajudando na leitura olhava
pros fiéis e gesticulava, com os ombros, que não
sabia o que tinha acontecido. 5 minutos depois, volta o Padre,
com uma cara de satisfeito, e retoma a leitura. Percebe-se, ao
fundo, Pierre, o sacristão, com os dedos tapando o nariz.
Chin Ling Ding é o mais velho de uma família
de malabaristas e circenses do Circo Imperial da China. Ele era
um dos que faziam a base da sensacional pirâmide humana
de 43 pessoas. Um dia, numa cidade no Brasil, Chin Ling Ding lembrou-se,
abruptamente, da feijoada que tinha comido há duas horas
em um retaurante. Resultado: 12 com fraturas múltiplas,
dois traumatismos cranianos, uma morte, e ferimento leves.
....
Que raça infeliz esses terroristas da Al-Qaeda!
Encontraram um vídeo que mostra um cachorro "cobaia"
morrendo agoniantemente quando os dementes testavam armas químicas.
Eu sempre considerei quem mata bicho muito mais cruel de quem
mata gente, pois, por mais que não haja justificativa para
matar seja bicho ou gente, que ameaça que um cachorro te
representa? Puta que pariu, que gente mais doente. Nessas horas
dá vontade de soltar uma termonuclear em tudo que é
país que apoia barbáries.
...
Sabe por que judeu não gosta de chupar buceta?
Porque fica muito perto da câmara de gás.
==== / ====
De Supetão
Roberto Moschen Yellow Jr.
Ele disse
- Tó.
- Quê? perguntou Loiva.
- Tó! repetiu Artur.
- Tó? De totó?
- Não! Tó de Toma!
- Tó???
- É, tó. Acho que é Toma mais Ó. Sabe,
ó, quando tu queres que alguém
veja algo.
- Acho que é Toma mais Olha.
- Dá no mesmo, né, disse Artur, vestindo rapidamente
a calça. Estava
se atrasando. Sabe como é, encontro extra-conjugal tem
hora limitada.
- Como no mesmo, perguntou alto Loiva, já sentada no bidê.
- Tó é Toma mais Ó, que vem de Olha, né.
Dá no mesmo.
- Putz! É mesmo... assentiu Loiva, penteando-se em frente
ao espelho
(que momento clichê, pelamadrugada).
- Tó, repetiu Artur, entrando no banheiro segurando o dinheiro.
- Tá, só um pouquinho... pronto, esse zíper
tá meio apertado, sempre
me marca a barriga, disse, pegando o dinheiro.
- Não devia usar camisa apertada assim com zíper
na barriga, é brega.
- Brega?
- É, brega. Podre. Pior que falar tó.
- Hehehehehe
Que diálogo idiota!!!
Ás vezes dá vontade de me dar um tiro.
Sabe, a gente foi para a praia nesse final de semana. Eu, o Sandro,
o
Fábio e a Marlise. Lá na minha casa, em Arpoador
(no RS, não no RJ).
Tava legal. Sem luz, mas legal. Sem TV... brincamos de pobre gatinho
(nem perguntem o que é isso), de fazer frases e palavras,
banco
imobiliário, conversa mole, piada sem graça (proposital)
e a Marlise
e o Fábio quase me matam de tanto rir com as palhaçadas.
E eu idem...
hehehe
Foi tri.
Semana que vem começa a Maratona do Mulatas e vai ter o
numero
especial, o Mulata no Cio. Muita coisa nova e inesperada. Chega
a me
dar um frio na espinha, já estamos brigando pra ver em
que bares NÃO
vamos.... hehehe
To indignado com a baixaria do horário político,
mas bem capaz que
alguém ia ficar satisfeito... só no dia que o papa
se declarar ateu!
Até a próxima semana, fiquem de barriguinhas cheias
até lá.
abracículos
Roberto "Yellow" Moschen Jr
Any Kind of Dizzy Sex Cheese is Lord
Fábio Luis Emerim
O Cobaia
"Mas que coisa", pensou Haer antes de
sair da nave, pois o dia mal tinha acabado e podia ver o sol de
Linnu nascendo do outro lado. "Você não pode
ficar sempre moldado ao dia da terra", acalmou seu mentor
Frej, que passava calmamente a mão branca sobre o painel
luminoso, diminuindo, assim, a velocidade para um pouso mais tranquilo.
Haer, com o furor típico de sua adolescência, e pôs-se
a arrumar sua sacola de suprimentos. Uma vez em Linnu, Frej e
Haer saem da nave e dirigem-se à plataforma principal.
Ninguém para recebê-los. "Acha realmente que
sabiam da nossa vinda?", perguntou o jovem assustado. "Está
tudo arranjado, pequeno Haer", responde Frej com sua calma
de costume, "Temos que passar direto pela entrada principal
até que tenhamos nosso robô para levar-mos até
Yielde."
Haer tinha um certo medo, pois não sabia
se a informação que somente ele carregava poria
sua vida em risco. Haer tinha em seu cérebro a informação
de uma base de código que o governo de Linnu precisava
para obter informação necessária para o local
exato de prospecção do minério Exalus, principal
fornecedor de energia do planeta. O curioso é que o próprio
Haer não tinha como acesar tal informação
em seu córtex, precisaria do toque de Yielde, presidente
de Linnu, para que a informação fosse ativada. Esse
era o detalhe que provocava o medo em Haer, pois não sabia
qualo resultado de tal processo em sua cabeça.
Frej, seu mentor, já tinha passado por tal
experiência com um outro garoto. Os cobaias, como são
chamados os jovens que têm seu cérebro cedido involuntariamente
para guardar bases de códigos - prática proibida
na maioria dos planetas do Sistema de Medina - são escolhidos
ao acaso e não podem passar de 23 passagens (18 anos terrestres)
para que a base seja incluída em seu córtex cerebral.
Havia uma outra técnica, onde o código era fornecido
por inteiro já no DNA do cobaia, mas estes sim morriam,
pois não havia como extrair tal informação
sem que o hospedeiro se tornasse uma ameaça à segurança,
uma vez que não havia como zerar por completo as informações
em cada célula sua; eliminar era mais inteligente e mais
prático.
Haer não tinha a preocupação
de ser eliminado, pois uma vez retirada a informação
de seu córtex, não seria mais perigoso.
continua (dessa vez eu juro que continuo)
==== / ====
Retorno hesitante: Coluna de Borvaz Sarsa (19)
por Borvaz Sarsa [como Ermenegildo Fontana]
Uma fábula, digo parábola: introdução.
Dizem que Borvaz é entidade velha, muito antiga. Contemporânea
de Êsopo. Sabem Êsopo? O das Fábulas de Êsopo?
Fabulas... como as de La Fontaine? Sabe cigarra, formiga, coisa
e tal.
Acho que é dele a do corvo e do vaso... mas
continuando.
Borvaz nos brinda com uma história com moral.
Neste caso, uma parábola e não uma fábula,
porque, afinal, não tem burros falantes. Ou quase não
tem.
A parábola do esquecido
Era uma vez um indivíduo que foi a praia
num fim de semana e nessa ida muito se divertiu. Tendo de lá
retornado constatou haver esquecido a carteira onde estava sua
licença de motorista.
Dias se passaram então nos quais ele evitava
viagens, fugia dos guardas e era sempre atormentado pelo medo
de ser multado. Os meses passaram, quase três meses de fato,
e como fosse uma temeridade empreender a viagem até a praia
sem a licença, não se apresentou oportunidade de
busca-la.
Mas o destino acudiu nosso esquecido protagonista
e eis que um grupo de amigos tendo ido passar um fim de semana
na mesma praia se prontificou a lhe retornar a carteira.
Aqui vem a parte interessante: no momento exato
que recebeu a carteira e a vasculhou em busca da licença
de motorista percebeu que ela não estava lá. Nunca
havia estado. Encontrou-a na gaveta dos documentos pouco usados,
debaixo de alguns postais. Segura em sua casa.
E foi assim que ele após uma longa viagem
despreocupada sem a carteira passou meses preocupados na posse
da mesma.
Moral da História:
Há quem pensa possuir algo que não
tem e ande confiante,
e há quem sofra sem saber que já possui
o que tanto precisa.
"Gubble, gubble." (Manfred).
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Informações: borvazsarsa@zipmail.com
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Cartas
Prezados
Que merda aquela coluna que dá o final dos
filmes! Vocês acham isso realmente engraçado?
vão à merda
Danilo Sérgio
Porto Alegre - RS
Claro que é engraçado.
...
Amigos do Mulatas
Muito obrigado por ter estragado meu fim de semana
no cinema. Eu ia ver ou Minority Report, ou o Resident Evil, mas
qual não foi a minha surpresa ao constatar que meu querido
zine semanal trazia uma maldita coluna com os finais desses filmes!
Assim, ó, puta que pariu!
Leonardo Barreto
São Paulo SP
Puxa, que pena.
...
Caros amigos.
Quanta revolta!
Acho realmente desnecessária toda esta polêmica
a respeito de religião.
O mais importante, acredito, é que as pessoas
realmente se respeitem pois
todos nós temos defeitos e sinceramente, vocês estão
agindo como cegos
querendo arrancar os olhos dos outros (que também são
cegos).
Muito pouco realmente se sabe sobre o universo!
Aceitemos esta realidade!
Mas uma coisa é certa: existe muita coisa
esquisita na vida.
Um abraço
Rodrigo Hamam
Você começa dizendo uma coisa, justifica
com outra e acaba desdizendo tudo acima. Realmente existe muita
coisa esquisita na vida.
...
Meus amigos queridos que ainda não conheço
pessoalmente
Mas que barbaridade!
Fábio Mendes Silva
Cachoeirinha - RS
???
==== / ====
A Contribuição Vossa de Cada Dia
O ETERNO PESADELO TROPICAL
Telmo dos Santos Abech
Um Sonho Tropical é um filme, no mínimo,
obrigatório.
Não porque se trate de uma produção bem cuidada,
com excelente direção de atores, ótimo roteiro,
minuciosa
reconstituição de época e forma artesanal
irrepreensível.
O filme também é tudo isso, mas seu mérito
está
muito adiante, na medida em que retrata com invulgar
fidelidade e sensibilidade um Brasil de cem anos atrás
que, lamentavelmente, ainda é, na essência, o Brasil
de
hoje.
Tendo como contraponto a história da jovem
imigrante judia que, vinda da Polônia, iludida pela falsa
promessa de encontrar marido, se vê jogada num bordel da
Lapa, a trama central expõe o embate entre escusos jogos
políticos e a atuação estritamente profissional
do
sanitarista Osvaldo Cruz no propósito de erradicar
doenças então epidêmicas, como a febre amarela,
a peste
bubônica e a varíola, o que culminou no sangrento
episódio conhecido como Revolta da Vacina.
Vê-se na tela um povo que, mantido
intencionalmente desinformado, ignorante, alienado, é
ostensivamente ridicularizado pelas elites e por elas em
proveito próprio feito de massa de manobra para,
insuflado por palavras de ordem de estudado efeito, ser
conscientemente induzido a lutar pela causa errada.
Grandiosidade patética têm as cenas dos
antecessores de nossos párias e favelados erguendo
barricadas, matando e morren
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do nas ruas na plena
convicção de que a vacinação obrigatória
também
simbolizava tudo o que os afligia, como a miséria, a
marginalização, a violência, totalmente alheios
a sua
condição de insignificantes peões a ser sacrificados
num
jogo de xadrez cujo único propósito era a derrubada
do
Presidente Rodrigues Alves e a tomada poder para
instalação de outra oligarquia.
Desse pesadelo tropical o Brasil ainda não
acordou e talvez nunca acorde: na eleição que se
avizinha
mais uma vez a grande e esmagadora massa de pobres e
excluídos, cuja condição se deve substancialmente
às
ações e omissões dos políticos em
que votam (e que cuidam
com zelo incomum para o número desses seus eleitores
cresça permanentemente), irá, junto com a tropa
de
alienados e indiferentes, elegê-los - e em alguns casos
notórios, reelegê-los, o que é ainda pior.
Não é casual o fato de que o filme, que estreou
sexta-feira, dia 9, numa sala de dimensões médias,
já
estivesse, dois dias depois, no domingo, numa sala
pequeníssima, graças ao pouco interesse do público;
as
pessoas vão em massa assistir a qualquer porcaria feita
nos EUA, privadas de um mínimo de senso crítico
diante da
propaganda que as convence de que precisam ir (e a coisa
é, como sempre, um delírio paranóico de salvação
do
mundo, uma trama esotérico-protestante, uma história
idiota de amor, uma comédia mais idiota ainda, uma novela
de violência tarada ou com extraterrestres, de
preferência na versão 2, 3, etc.), mas não
vão ao cinema
para ver o Brasil, para ter oportunidade de refletir
sobre a condição de sua gente, sobre sua história
e, mais
do que tudo, para criar o hábito de desenvolver um olhar
próprio; de algumas se chega a ouvir a espantosa
afirmativa, reveladora de que no mínimo há uns 20
anos
não assistem a uma produção nacional, de
que os filmes
brasileiros têm problemas com o som ou que seus enredos
não passam de pornochanchadas.
Há uma frase no fim de "Sonhos Tropicais" que
me
chamou particularmente a atenção, afirmativa de
que tudo
o que se mostrou é rigorosamente verdadeiro, inclusive
os
fatos inventados.
Parodiando essa referência, acho que, enquanto
permanecermos reféns da pobreza de idéias dos
colonizadores que nos pretendem manter alienados e por
nossa alienação auferir o maior proveito possível,
tudo
que está do lado de cá da tela permanecerá
sendo
rigorosamente falso, mesmo (e principalmente) a realidade.
....
ATUAL POLÍTICA MUNDIAL
Fábio Torrado
Li no Jornal O Sul, que o ex-presidente dos EUA
Bill Clinton, poderá ter seu próprio Talk Show.
Pra
quem não sabe, isso é aquele tipo de programa em
que
um cara engraçadinho faz algumas perguntas
inteligentes e mais umas tantas sem pé nem cabeça
pras
pessoas que o público considera importante, ou
bizarra, ou desconhecida mesmo. Agora imagina o
Clinton de entrevistador.
Ele, pra falar a verdade, nem falou ainda do caso
Mônica, o filho da mae não disse ainda o que aconteceu
com o charuto dele e ainda vai querer saber do charuto
dos outros? Falando em charuto: a entrevista com
mulheres terá um? vai passar ao vivo em horário
livre?
E se fosse um de nossos ex-presidentes? como
será que o Collor se sairia entrevistando, digamos, o
(pseudo)cantor Falcão, afinal, ambos são lá
de cima e
afirmam ter aquilo roxo. O papo entre Itamar e Chico
César iria render boas fotografias, devido ao cabelos.
O nosso atual presidente deveria, quando "desempregado
e sem dinheiro" (o contribuidor, cai da cadeira),
deveria entrevistar num primeiro momento o Supla
(Charada Brasileiro), pra sujar um pouco mais o
vocabulário, e então passar a fazer exames de DNA
com
o Ratinho e cuidar da sociedade, já que é formado
em
Sociologia.
E se você fosse entrevistar alguém, quem seria?
Podia ser eu né, afinal, eu tõ precisando de um
pouquinho de fama. Vai que uma entrevista depois me
convidam pra participar da Casa dos Artistas 172, ao
lado da nova Turma do Balão Mágico.
Fábio Torrado
==== / ====
Versos Soltos
(poemas amordaçados em linhaça?)
loucuras ...
...embebido em cânfora / loucuras em teu nome
confiei / a um pastor no meio da rua / a uma mulher nua / vozes
que fazem sofrer
Pomba-Gira...
libera o afoxé, nega / abraça-me no
terreiro e deita imitando vaca / acende a vela vermelha / coloca-me
de pé sobre a faca / no batuque do meu bem-querer / desfilo
as razões pra te ver sofrer / gira feito doida, caboclo,
mulato e preto véio / passa o quindim
==== / ====
"Muitos jornalistas sonham ganhar o prêmio
Esso, mas acabam trabalhando num posto Shell."
(Hubert Aranha)
***** As Mulatas de Jesus Cristo - número
60 - 23/08/02 *****
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três quilos)
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