::: AS MULATAS DE JESUS CRISTO :::
As Mulatas de Jesus Cristo
   

As Mulatas de Jesus Cristo
nº 57 - Canoas - 02/08/2002

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SUMÁRIO

EDITORIAL Fábio Luis Emerim
CASULO 14 - O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS Fábio Luis Emerim
A CONTRIBUIÇÃO VOSSA DE CADA DIA Paraguaçu Schnneidermann
FANFARRAS ABISSAIS Demétrio Antenna, pelas mães de Fábio Luis Emerim
ESTA COLUNA NÃO PRESTES Mulata's Greatest Hits
CARTAS nossos queridos e estimados leitores
MOMENTO DO CLUBE DA EMOÇÃO FAZENDA sócios
VERSOS SOLTOS Fábio e seus alter egos


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EDITORIAL
Fábio Luis Emerim


Yellow! Cadê meu livro????????????

Porra, o Fabian largou na minha dois CD's pra eu acreditar que nem tudo está perdido: "Degradation Trip" do Jerry Cantrel (guitar man e alma criativa do Alice in Chains) e um com dois CD's do Weezer (a melhor banda de rock do mundo em atividade): Pinkerton (que é o segundo deles) e Maladroit (o mais recente). Queria que ele escrevesse algo a respeito na coluna que ele tem aqui, mas eu to ouvindo sem parar desde que coloquei as mãos nos ditos-cujo e grunge is not dead, motherfucker! Bata dizer que a transformação acontece: to de touca, cavanhaque e já dei três "mortes" aqui na escada e quase quebrei a coluna.

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Bahhh, cheio de gente na festa do Mulatas que aconteceu nesse sábado que passou dia 27 no Zelig. Queria agradecer a presença de quem foi e desculpar se de repente minha overdose de Serramalte com Boehmia cegou minh'alma a ponto de a Marlise ter de dirigir o carro e eu não me lembrar de 60% do que aconteceu... Dos pequenos flashes que carrego em meu HD cinzento, posso ver que o Telmo fez o favor de pedir que tocassem Tim Maia na pista de dança (eu odeio Tim Maia) só pra me encher o saco, do Yellow em altos loves, da galera de uma turma que a gente fez em 97 na cidade baixa que se conheceu pela internéte e que eu ia mijar de 5 em 5 minutos.

Tem foto da festa aqui nesse link:

Até a próxima!!!!

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No domingo da ressaca fomos eu e a Marlise, o Telmo, o Fabian e sua respectiva Kátia, o Yellow e sua nova aquisição pra redenção (parque aqui em POA), que tava cheio pra caralho, depois espichamos até o Espiral, um café que domingos de tarde tem DJ's mandando ver techno e drum and bass nas pick ups. Encontrei o Carlos (DJ Carlos NC), camarada nosso e um dos idealizadores da doideira. Isso é Porto Alegre, precisamente Cidade Baixa. Tava um frio do caramba.

Críticas, sugestões, textos, antrax: mulatas@terra.com.br

Lista, ou grupo, ou o que você entenda que é: mjcgroup-subscribe@yahoogrupos.com.br

ICQ: 125549008

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Casulo 14 - O Portal das Averiguações Noturnas

Fábio Luis Emerim

Cheguei à conclusão que se eu não bem-suceder em minha jornada zinística vou abrir um comércio de sacolés na frente da minha casa. Nada está perdido, e de fome não morro. E como o povo gosta de porcaria, nada como atender a essa demanda. Merda por merda, antes a minha do a merda da vizinha!

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E o Paulo Coelho papou a de imortal na ABL. Daí começou toda a polêmica; que a ABL não é mais a mesma, que é uma panelinha, será que o Paulo Coelho realmente merece, etc, etc. Eu sinceramente acho que a ABL é que merece o Paulo Coelho, pois com Sarney e Roberto Marinho na sua lista de imortais, o mago da chapação tá até bem encaixado. E também foda-se a ABL, o referido escritor não merece é estar na minha estante.

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Talkin' About Music Drops / dicas de mp3 pra baixar na rede...

* Get it Together, que é a melhor, tá, uma das melhores músicas do Beastie Boys e encontra-se no Ill Communication, esse sim, melhor CD do grupo.

* 9 to 5, da peituda musa country Dolly Parton. Era trilha daquele filme "Como Eliminar Seu Chefe", tri sessão da tarde.

* Show me What You Got, do Limp Bizkit, banda surgida no final dos noventa e eu acho bem boa. Baixa a versão de estúdio, que é a mais comum, e melhor, tenho eles no dvd do Woodstock 99 tocando essa mesma música. Bacaninha, mas prefiro Weezer, que é rock mesmo e dá pra baixar:

* Just a Gigolo e Hash Pipe, que são uma prova que nem tudo está perdido.

Ahhhhhhhh, e pros órfãos do Napster e que já sentem a corda no pescoço do Kazaa, nada melhor que o WinMX (www.winmx.com), coisa de 600 k e é simples. Dá pra baixar imagens, áudios e vídeos, mais de 50 TERA de arquivos, e parece que a justiça estadunidense não tá dando muita bola pra ele...ainda.

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O Preparatório

Ano 65.320 da era de Phre Ajh Nunncteum - Lambon (segundo dia da notação Gress)

Segundos depois de ter dado à luz, Leon Ah acordou e resolveu perguntar em que planeta estava, afinal, 4 dias de viagem em estado completamente letárgico e ainda sem contato com sua parasita receptora, faziam da situação um pouco mais complicada do que o planejado. Mas não recebera a resposta, pois os médicos eram apenas híbridos passivos, os doutores atuantes estavam muito longe dali. Apenas percebera a pronta cicatrização de seu abdomem - tinha feito cesariana - levantou-se e tentou sair dali. O corredor não era grande, e dava para uma espécie de ante-sala oval branca. A janela ocupava metade do recinto, indo do chão até em cima e fechava-se como uma abobada. Algumas plantas deixavam o lugar um pouco menos mórbido. Àquela altura não se importava com o que fora feito de seu filho, pois era uma Parideira Ectum, se fosse uma Ebron teria por essência a informação. Mas a necessidade de saber sobre sua atual posição era forte, há 34 mil anos que sua espécie atuava junto à sociedade de Yermen, décimo oitavo planeta do Sistema Ellis, com os sentidos/diretrizes de local, mensagem, apoio e aglossia, esta última com um suporte para até 7 mil línguas. Sabia que se em 10 horas a sua localização não lhe fosse revelada, seus outros sentidos/diretrizes se decodificariam por completo tornando-a tão útil quanto um pedaço de carne jogada ao acaso. Sua forma seria desintegrada e, conseqüentemente, todas as crias que vieram a partir de seu útero - mais de mil - , se tornariam híbridos passivos, causando, no mínimo, sérios problemas diplomáticos entre Yermen e os planetas da União.

Precisava, ao menos, encontrar-se com sua parasita receptora, sua canalizadora orgânica de faixas de rádio. Tal parasita não é lhe dada, nasce junto com sua espécie e assume sua maturidade em dois anos de vida em gnosia.

Leon Ah vê um movimento à sua esquerda, resolve ir na direção deste que parecia um ser humano. Uma mão interpõe-se em seu caminho, era uma Parideira Ebron que, percebendo que Leon Ah estava perdida, achou por bem tentar ajudar. Leon Ah colocou sua mão sobre a testa da Ebron e em segundos já recebera todas as informações que precisava; apenas não conseguiu saber onde estava sua parasita receptora. "Perceba que sua parasita não existe mais como tal.", Gren, a Ebron confirmava o que Leon Ah temia, pois um ser de sua espécie sem seu comunicador deveria ser eliminado. "Mas aviso-lhe que há uma espaçonave pronta para deixar Lambon - planeta onde estavam - para Tesla". Sabia que lá estaria á salvo, uma vez que tal planeta teria sido fundado por uma irmandade de Ectuns fugitivas de Yermen, Lambon e Rheys. Lá Leon Ah reencontraria a paz, lá daria-se o início a uma jornada que mudaria toda a história do Universo Conhecido, lá iniciaria-se o Preparatório.

[Sobre as parideiras e sua relação com as parasitas receptoras

Todas as parideiras, tanto da série Ebron como Ectum recebem in vitro suas parasitas. Andróides orgânicos são produtos extremamente evoluídos, mas as parasitas receptoras, de uma certa forma, atrasam seu processo evolutivo, pois são determinantes para a vida útil da parideira. As primeiras classes de Ectum há 34 mil anos atrás surgiram através de uma mutação aleatória cujos registros são confusos e muitos se perderam na guerra entre Yermen e o Conglomerado de Ihl, pois, ao contrário que se pensa, as Ebron não são sua espécie mais evoluída, mas partiram de outras incubadoras. Estudos realizados em um grupo de Ectum sem parasitas não resultou em sucesso, ao contrário de alguns que afirmam serem as Ebron resultantes de tais experiências.]

Da mesa que dava de frente à janela, Rohri Ed tentava imaginar, com os olhos fixos no horizonte, por onde andava seu filho Glen, cuja experiência com metais elásticos teriam o deixado cansado demais para a reunião com os dirigentes do Congresso de Yermen. Tampouco sua esposa mandara notícias para informar da vinda do novo filho. Largou o copo sobre a mesa e chamou Lewis, seu acompanhante de cabinete. Do lado de fora uma tempestade , muito comum naquela época, parecia se formar.

continua...

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Ontem peguei meu atestado de burrice. O contrato onde eu, em evidente estado hipnótico, abalizei um filho de uma bela puta que não honrou com sua dívida. Uma compra de uma porra de um computador! Como a gente faz cagada nessa vida, haja cu!

Livros que deveriam existir:

* Guia Prático da Metonímia Hereditária

* Como Votar Nulo

* Por Que as Coisas Sempre Dão Errado

* Por Que Não tenho Um Carro Melhor - explicações definitivas

* Como Evitar de Assinar Como Avalista

* Como Ser Um Paulo Coelho e Ser Um Gênio não o Sendo

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Muito engraçado os refugiados afegãos que acabaram no RS. Vi na TV ontem que estão reclamando de tudo, não aceitam nenhum emprego porque consideram 300 reais por mês uma mixaria e acham que o governo deveria apoiá-los com cerca de 2500 reais por família mensalmente. Sem contar que acham que têm o direito de poder ligar de graça pros parentes. Acreditaram que o Brasil era uma maravilha de um País rico onde encontrariam dinheiro e prosperidade.

Realmente a idéia de um Eldorado ainda resiste na cabeça da galera.

Será que ninguém vai ensinar pra eles o caminho de volta praquele paraíso de onde saíram?

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A Contribuição Vossa de Cada Dia

prof Themístocles Ararigbóia Zimmermann Borsato Letelier Matveiev de Las Mercedes Sosa da Silva Pétöfi-Zoltán jr.

Contribuições deletadas e re-redigidas para o dicionário do Mulatas:

Folder (ê) - v. t. (do inglês "to fuck someone's patience") - foder a paciência alheia enviando fôlderes. "Edicléia conseguiu um emprego que a obrigava a folder pessoas nos semáforos."

Xanteritroplenite - s. f. (de etimologia muito conhecida) inflamação do canal superior do lábio semilunar do epidídimo detectada por intensa coloração amarela no lado esquerdo do glúteo e por pálida coloração vermelha no segmento interno do sexto quirodáctilo esquerdo, acompanhada de flatulência moderada e de pequenos espasmos ano-retais e de enjoada coceira no fígado. "Não foi sem um frêmito, seguido de rubores amarelos no cristalino direito e de manchas vermelhas na próstata que ouviu da boca flácida do Dr. Epaminondas o diagnóstico de xanteritroplenite."

Tembuçaí - s. 2 gên.. - (do tupi "t'énh'ye mbu araça ayi" - a pequena concha que se abre ao passar da aljava de Tupã) - designa uma planta encontrada na Amazônia e cujo interior peludo aprisiona insetos oblongos para devorá-los lentamente em convulsões; também serve para denominar as ocas onde as mulheres da aldeia permanecem por seis luas e três sóis proibidas de realizar abluções vaginais, o que permite sejam olfativamente identificadas pelas aldeias vizinhas, cujos membros se aproximam no meio da noite, também utilizando a palavra como instrumento de comunicação (em tal caso é interjeição). Quando as ocas estão vazias, nas outras épocas do ano, denominam-se tembuçanãs, que quer dizer "já era" - Ex: " Yrara-nhupuitã encontrou o amor quando Iruê-aramã-ipirocã lhe colheu a flor no meio dos tembuçaís.".

Abiúna-açu - s. f. (do guarani - abiúna-açu - grande clava curvada para o oeste) - diz-se do pênis grande e recurvado para o lado oposto àquele em que se abotoa a calça. Por extensão é também designativo da mulher cujo marido tem tal peculiaridade. "De Desirée-Marthe só as muito íntimas sabiam tratar-se de uma abiúna-açu."

Sassânico - adj. - relativo a convulsões histéricas que provocam pequeníssimas diarréias cujo som lembra o de dissílabos assírios ou babilônios. "Após o orgasmo, Romeu esvaiu-se em furores sassânicos."

Culá - s. m. na religião panorâmica (sincretismo greco-hindu em que são adorados como divindades supremas Pan e Rama), sacerdote que preside certo tipo de culto fálico em que o momento culminante consiste em sentar, secretamente, sobre o deus em riste."Todos se crisparam de espanto quando o culá pôs o cu lá."

Tuviste - s.m. - pesado capote utilizado nas regiões setentrionais do Cáucaso, e que tem a peculiaridade de conter um pequeno orifício interno com uma canaleta, por onde é possível urinar após o por-do-sol. "Chovia lá fora e o tuviste pendurado assistia a tudo, não dizia nada."

Abravanel - s.f. serpente venenosa da familia colubridae; tendo o hábito de ocultar-se entre as macegas, costumam supreender suas presas e as devoram quase inteiras, deixando apenas os segmentos finais dos membros superiores. Daí o dito: "Vão-se as abravanéis e ficam os dedos".

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Fragmento de um templo interior ( o resto se perdeu, ou não foi escrito):

Nunca queiras para ti o que nunca quiseste para outrem, porque, se os outros souberem, quererão para si o que quiseste para ti e quererão para ti o que para si não quiseram e, como diria o Mago Imortal, nada de bom pode ocorrer quando tantos querem tantas coisas e tantas coisas são queridas por tantos.

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Fanfarras Abissais
Demétrio Antenna, por Fábio Luis Emerim

Momento da Fábula

Dinorá saiu de casa para nunca mais voltar. Tinha um marido, um filho e um gato, todos ingratos. Foi a pé, nem sabia para onde, mas foi. E de cinco em cinco minutos olhava para trás pra ver se alguém tentaria impedir sua fuga. Ninguém. E isso a fez ficar mais determinada em mandar tudo à merda. 25 anos de uma vida completamente dedicada à família. Daí descobre que o marido a traía com sua pior inimiga há 5 anos, mesmo tempo que seu filho tinha parado de estudar e era um merda de um come-e-dorme inútil. O gato era outra merda de bicho que ocupava espaço e toda vez que queria limpar embaixo da mesinha de café dava de cara com um cocô do bichano. Tem coisa mais podre que meter a mão em cocô de gato? Ainda mais se tu odeia o gato?

Foi embora a Dinorá.

Na casa o pai, o filho e o gato olhavam-se incrédulos na sala de estar. Nenhum som, a não ser o do cachorro do vizinho, era percebido. Foi quando o gato falou:
- Vocês são uns merdas!
Pai e filho arregalam os olhos e olharam pro gato, incrédulos com o que estava acontecendo.
- Você disse alguma coisa?, perguntou o pai com a voz baixa.
- Disse sim, respondeu Dunga, o gato persa, vocês são uns merdas porque não souberam dar valor à dona Dinorá!
Pai e filho levantam apavorados e começam a se beliscar. O pai vai até o bar e passa a ler o rótulo do steinheger que acabara de beber.
Dunga, o gato, continua:
- Eu juro que a intenção não era de cagar na sala, juro mesmo, mas eu sou gato, e tenho o direito de ser irracional em alguns momentos, mas vocês são seres humanos, é esperado que tenham atitudes mais condizentes com sua situação! Mas a pobre dona Dinorá, essa sim sempre uma boa humana, não pode mais com tanta imundice!

A essa altura, nem o filho nem o pai sabiam se responderiam ao gato, se bebiam alguma coisa ou se saiam correndo. Dunga levantou da poltrona, foi até uma cômoda e pediu pra que a abrissem. O filho foi lá e abriu. Dentro havia um envelope com uma carta. Dunga explicou:
- Percebi que ela escrevia neste papel quando vocês estavam na rua. A Dona Dinorá chorava muito ao redigir tal documento. Queria saber o que diz.
O filho passa a ler:
- Quando vocês encontrarem esta carta espero que eu já esteja muito longe, mas não somente longe fisicamente, mas espiritualmente, pois pretendo já ter-me suicidado...
O pai interrompeu horrorizado a leitura da nota e pegou o filho pela mão. Foram atrás da dona Dinorá.
Dentro da casa, Dunga pega a carta, cai no chão e começa a rir histericamente. Anda até o espelho e diz:
- Você é um gato muito maaaaaaaau, além de ter uma bela caligrafia..., dizia olhando a carta com orgulho.

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Samirelúcia, a sapa pobre, tentava pela décima vez fugir da casa onde vivia com seu ingrato marido, o sapo Diocrecianoleisson. Tinha 4 filhotes: o Limirotéclito, a Vivaldineidester, o Pleuridilnei e o Édison. Todo santo dia era aquele inferno: "mãe, me traz mais mosquito", "Samireeee, cadê as minhas galochas?", "mãaaaaae, quero minha meia!", aquilo não era vida de sapo, mas de cachorro.

Bibiane era uma cocker spaniel que vivia a desilusão de não ter mais seu amado Rex, o cocker inglês que tinha sido atropelado fazia duas semanas. Um dia, resolveu parar de chorar e seguir em frente; arrumou suas coisas, pegou seus couros comestíveis do Carrefour e mandou a sua família à merda. Era e sempre estava posta para segundo plano. Aquilo não era vida de cachorro, mas de équidna!

Lourdes, a équidna, tinha uma vida triste, pois seus espinhos a impediam que tivesse algum relacionamento mais duradouro. Era équidna, o que ela queria, mas chocou-se com a realidade ao ver-se com 5 anos e sem família, sem ninguém. Não sabia por que tinha que prosseguir naquela ilusão de um dia formar uma família, como a sua sortuda prima, a Vilma. Aquilo sim que era vida, pois a sua não era via de équidna, mas de ornitorrinco.

Otto, o ornitorrinco sentava na pedra do ribeirinho sempre que a tristeza o atacava. Não sabia quanto tampo resistiria sem alguém que respondesse a ele, por definitivo, a que classe e filo pertencia! Desde que teve contato com um espelho, sua vida não fazia mais sentido. Aquilo não era vida de ornitorrinco, mas de polvo.

Hermes, o polvo, era tri feliz.

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Esta Coluna Não Prestes
o Melhor do Mulatas (na minha opinião, é claro...)

Hoje - é o último, pois já

me enchi de reprise - trago um texto provindo de meu despedaçado cérebro que saiu originalmente no Mulatas 23, no dia 26/10/2001. Aproveitem, crias.

Acordou e foi pra geladeira...

Levou um susto porque não havia nada lá. Virou-se para a pia, donde vinha uma luz ofuscante, caminhou até a luz e viu que era boa, daí pegou com a mão, levou um queimão. Embaixo da luz havia um bilhete, havia um bilhete embaixo da luz, mas resolveu apagá-la primeiro, para evitar maiores dores. Leu. Releu. Treleu. Voltou a ler . Olhou pra cima. Assoviou. Sussurrou alto. Amassou o bilhete e pôs-se a correr. Saiu porta a fora...

...No centro da cidade, precisamente na praça, resolveu ir ao banheiro público. Não dentro, mas na porta, que estava torta. Esperou, esperou...

...Na sua casa, seu irmão o procurava na cozinha. Pegou do papel e leu. Estranhou a luz sobre a pia, que estava apagada, viu que não era boa e acendeu. Jogou sobre a mesa, o bilhete, e correu porta a fora. Sem bater...

...No centro da cidade, encontrou o irmão, ao lado do guarda da praça, em frente ao banheiro público. Fez gestos desconexos, prontamente respondidos. Sentou-se ao lado...

...Na sua casa, sua mãe os procurava. Estranhou a porta aberta e um papel amassado no chão. Pegou a porta e fechou o papel. Leu o que estava na mesa. A lâmpada estava semi-quente. Apagou. Suspirou tremendo, balançou as tranças. Fechou a porta da geladeira vazia e pôs-se a correr, porta a fora...

...No centro da cidade, precisamente na praça, o banheiro era guardado pelos irmãos e o guarda público. Pulou 3 vezes em sinal de ameaço, correu em direção dos três. O guarda estava com medo. Os irmãos abraçaram a mãe, que ficou ao lado, aguardando...

...Na sua casa, o pai reclamava para o gato, que não entendia nada, como o próprio pai e a empregada, que lhe acordara com o bilhete achado em cima da mesa vazia. O velho pegou do bilhete e leu à luz da geladeira, pois a lâmpada em cima da pia não funcionava. Leu, treleu, e correu. Porta a fora...

...No centro da cidade, na praça, no banheiro, os três mais o guarda aguardavam o que estava por acontecer. Nada mais poderia ser diferente do que parecia. O pai, acenando de longe, os filhos e a mãe gritando e pulando. O guarda já ensaiava seus pulinhos e ria disfarçadamente. Era um dia diferente...

...Na cozinha da casa, o gato e a empregada revezavam, entre papel/geladeira/lâmpada queimada, pra entender aquela madrugada.

Amanheceu o dia e a família na praça aguardava quem faltava. Era uma família feliz.

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Cartas
nossos leitores queridos e amados


Prezado Fábio,

Gostaria de dizer que acompanho todas as edições do mulatas e queria saber por que não fazem referência a mim.

grato -anônimo.

Creio que há um engano aqui, pois eu sempre faço referência a ti nos meus textos,É que tua falta de fé suficiente te faz uma pessoa amarga e sem a devida luz para a compreensão universal.A propósito, todo anônimo é veado.

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Prezados Colunistas

Por que vocês não vão à merda?

Alípio, Porto Alegre.

Ok, vai preparando o pessoal por aí.

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Amigos

Sou muito grato pelo fato do Mulatas de Jesus Cristo existir. A vida passou a ter outro significado para mim. Consigo me relacionar melhor com as pessoas. Vejo a beleza em tudo, até numa simples grama. Voltei pra minha namorada, comecei a ter notas melhores no colégio e consigo dizer aos meus pais que os amo.

Muito obrigado, muito obrigado mesmo!

Marcos - São Paulo

Bem, dizem que louco não se contraria...Parabéns, Marcos, continue assim.

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Caro Fábio Emerim e colunistas

Como vocês têm inutilidade nessas cabeças! Puta que pariu! Nunca vi tanta merda junta escrita num só lugar! Coisa mais sem exprescividade!

Elton - RJ

Bem, só espero que sua opinião não esteja sendo formada na mesma escola onde aprendeu português.

Sinceramente eu acho que está.

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Amigos

Minha mãe pensa que eu to ficando retardado de tanto ler seu zine. Meu pai não entende por que eu acabo sempre minhas noites de sexta com o olhar perdido, as mãos cabeludas e com o teclado melecado! Sabem me explicar por quê???

Aloísio Souza Jr. - Florianópolis SC

Eu não sei explicar porra nenhuma! Credo, "teclado melecado"? Vai te tratar, doente...

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Mulateiros

Eu gostaria de mandar uma contribuição pros versos soltos, sou um poeta muito bom (modéstia à parte) e acho que seria uma boa oportunidade para lançar-me em sua publicação. Posso?

grato

Afonso Carlos - Jundiaí SP

Não, não pode.

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Caros Amigos do Mulatas

Há muito tempo minh'alma carecia de algo como esta publicação. A maioria das pessoas pode não perceber, mas o valor cultural do Mulatas nos dias de hoje é de suma importância para a formação e informação dos jovens em idade escolar. Realmente sou muito agradecido por poder ter em meus devaneios uma fonte tão nobre de textos inteligentíssimos. Contem sempre com este leitor.

Emerson Leonardo Silva - Porto Alegre RS

Valeu, Emerson. Anota aí: Banco do Brasil ag 54736 conta 00324553, Fábio Luis Emerim.

Um abraço, amigão :o).

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Prezados

Não pude deixar de notar que vocês em sua maioria são ateus. Deixe-me lembrá-los que Deus está vendo tudo isso e espero que vocês se arrependam antes do juízo final.

Leonardo Gama

Puxa! Incrível: eu sou ateu, o Yellow e o Borvaz são ateus, isso faz de nossa maioria atéia! Esse cara é um gênio!

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Amigos

Desculpem, mas não gostei nem um pouco da sua zoação a respeito das imagens de Maria nos vidros. Só porque se acham cultos e o escambau, pensam que podem julgar as outras pessoas por sua fé? Que merda vocês acham que são pra definirem o que é certo e o que é errado? Será que não podemos viver em um País de livre culto que sempre vai ter um bando de idiotas pra querer desgraçar nossas crenças? Ai que ódio! eu fico muito indignada!!!!!

Alessandra

Curitiba - PR

Menopausa é foda.

[[[Mande a sua carta, negrinho: mulatas@terra.com.br ]]]

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Momento do Clube da Emoção Fazenda
Dr. Hermenegildo Bittencourt - sócio-fundador da ordem de Diamantina

Amigos,

Em pós-graduação de minha vida digo, fiz e fiz e fiz, mas tanto é que em busca de ontem, mãe?

obrigado.


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Versos Soltos
(poemas desinfetantes)

Cantada Pátria

...anuncio a todos que minha agonia acaba aqui / resolvi juntar tudo e partir / açoitar minhas costas e sorrir / tchau / pára de olhar pro meu pau...

Boinas e Bolheadeiras

...quebrei a janela e configurei a parte de cima / desencavei a reiteração e absolvi as púberes / adestrei tua mãe e comecei a chorar /

Lâmpadas mortas

...quem morreu pra ver não nascerá para recompor-se / tal é a moléstia que te atacas de breve / recompondo-me e , em de ser sendo o que, em ser ou não, ou, e, em indo ao que é e em sendo o que é em ser, ou não sendo ou és?

A Miragem...

...andava em meio ao deserto e sua alma pariu meu incesto / meio a esmo, sem destino certo / sou meu próprio ser alotrópico em estado de transe / canção e poema todos entrelaçados / como se fosse uma torta de butiá / à espera de sua redenção e em destino certo no coração...

A Procriação de Yolanda...

esperou que lançassem sua cabeça em jogo / bola ao alto / mão de goleiro / nossa mulher preferida chamuscava ao lado da fogueira / ouvindo Beatles a noite inteira / ouvindo gritos e dizendo besteira / anos 200 e seus impropérios / belo verbo á venda na venda da velha esquina...

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"A França é um País tão inútil que se cavassem um buraco no lugar e enchessem de água, continuaria tendo a mesma importância dentro do contexto global. "

(Borvaz Sarsa analisando por que Paulo Coelho faz tanto sucesso entre os franceses)

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***** As Mulatas de Jesus Cristo - número 57 - 02/08/02 *****

-Staff:

-Fábio Luis Emerim (ainda vivo e ouvindo som)
-Roberto Yellow Moschen Jr. (levedura de cerveja?)
-Borvaz Sarsa (ainda lá)
-Colaboradores dessa edição:

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