As Mulatas de Jesus Cristo
nº 55 - Canoas - 19/07/2002
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SUMÁRIO
EDITORIAL
Fábio Luis Emerim
CASULO 14 -
O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS Fábio
Luis Emerim
COLUNA DO
BORVAZ SARSA o próprio
ESTA COLUNA
NÃO PRESTES Mulata's
Greatest Hits
DE SUPETÃO
Roberto Yellow Moschen Jr.
VERSOS
SOLTOS Fábio e seus alter egos
==== \ ====
EDITORIAL
Fábio Luis Emerim
Vocês realmente acham que aquela
guria que a mãe leva na TV dizendo que é filha do Chitãozinho
e do Xororó - hehehe - realmente quer saber se o cara é pai
dela porque ela sente falta dele? Ah, me poupe! Se ele fosse
o seu Zé lá da fruteira ela cagava e andava pro cara. O mais
engraçado é que ela será o primeiro caso de auto-mutação de
DNA da história, pois já deu negativo os dois exames (sim, eu
acompanho esses lixos, pra rir não tem melhor coisa) e a mãe
disse que a filha é dele mesmo assim. Agora estão as duas com
cara de cu na televisão e em rede nacional, claro que dizendo
que a "lei de Deus é maior que a lei da terra..."!
Ai, ai, ai, esse povo, pobre
povo, não sabe que contra um dado científico desse porte não
há argumentos. Todos nós sabemos disso...menos os advogados,
que, mesmo diante de dois testes de DNA negativos, insistem
que a parte tem o direito de fazer outro, e outro, e outro,
e outro e assim por diante ad nauseaum...ad infinitum......
.....
Sensacional, acabei de ver
um exorcismo por telefone na Record.
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FESTA DE ANIVERSÁRIO
DO MULATAS!!!
Dia 27/07 - sábado
ZELIG
Rua Sarmento Leite, 1086 - Cidade Baixa - Porto Alegre
Começa às 20:00. O andar de cima do Zelig foi reservado para
nós. Vai
estar forrado com lona impermeável e coberto de lama.
(brincadeira...).
Consumação: R$ 3,00
As primeiras 329 pessoas
a entrarem com um oboé levarão uma camiseta
da Dercy Gonçalves nua agarrada num destes instrumentos.
Leve sua mãe, o primo Gonçalves e a Marieta da fruteira!
Senha: O oboé ou a vida!
Tô tri curioso pra ver tua cara!
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..........
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Casulo 14 - O Portal
das Averiguações Noturnas
Fábio Luis Emerim
Pequeno dicionário de palavras que deveriam
existir
Bleumas - roupas velhas
que a gente só usa em casa, normalmente como pijama.(Porei meus
bleumas e lerei um livro - Como podes, Ângela, entrar em minha
casa e ver-me ainda em meus bleumas?)
Assinterinto - sensação
de acordar de manhã minutos antes da hora marcada no despertador.
(Droga, mais um assinterinto essa semana!)
Morgália - vontade de
bater em criança que incomoda. (Tomou-se por uma morgália durante
todo o aniversário.)
Fúncula - ponta de unha
mal-cortada que - normalmente do pé - só é percebida depois
de grande. (Saiu correndo, acho que percebera minha fúncula
por debaixo das cobertas)
Vléus - Absurda compreensão
errônea de uma notícia simples que no fim era uma mentira.(o
que falaste eram apenas vléus!)
Falôso - indivíduo que é o primeiro a chegar
em qualquer compromisso. (Castilhos é um falôso, mas não como
Marco, aquele é o mais falôso de todos.)
Beiço-bom - gíria que
define pessoa de palavras certas. (fulano é o maior beiço-bom.)
Carborra - Diz-se de mulher que sempre te cumprimenta
rindo. (Maricota não muda nunca, sempre a mesma carborra.)
Mulusca - Situação embaraçosa
para quem não está participando do acontecimento em que o embaraço
ocorre. (Eu vi tudo de longe, mal pude evitar a mulusca!)
Robunda - Tênis ou sapato
que sempre desamarra quando se caminha. (Esse Nike é caro, mas
é uma bela de uma robunda!)
Amnerismo - Medo de coisas
que estão por acontecer e realmente não acontecem. (Meus amnerismos
de anteontem fizeram o maior sentido, Jaime, nada ocorreu...)
Holigumárias - Luzes
que aparecem somente em escuridão total e quando ninguém está
observando.
Baseito - fenômeno da
apaição de pessoas quando se estava falando nas mesmas a segundos
atrás. (Mas que baseito! O segundo esta semana com o Hermes)
Fintoísmo - Filosofia
oriental que baseia-se na repetição de não-coincidências em
bases trimestrais.
Gleque - Anúncio classificado
sem retorno. (Josué desistiu depois do vigésimo gleque.)
Velicobranquoso - Qualidade
de peixe que quando cozido libera cheiro nauseabundo. (Não gosto
de comer Curuperís, pois são muito velicobranquosos!)
Curuperi - Peixe de água
doce menor que o lambari, mas muito fofo.
Resol - Ingratidão por
parte de quem desapercebe-se da veracidade do fato. ( Alessandro
poupo-se em resol ontem.)
Necrosoário - micróbio
que alimenta-se de matéria morta.
Fuimemasvolto - Ato de
ir e voltar sem aviso prévio. (Perdoe meu fuimemasvolto, mas
não deu tempo!)
Drema - situação constrangedora
de acenar para alguém que aparentemente te cumprimentou
quando na realidade cumprimentava a pessoa que está diretamente
atrás de você.
Busta - Sentimento de
quem vê alguém conhecido na rua e o cumprimenta mas não recebe
o retorno.
Busca-paz - pessoa que
é amável somente com quem quer dar uma trepada.
Lancheirosa - Diz-se
da criança que fede muito por culpa da não higiene vinda de
casa.
....
Que cansaço do caralho. 01:27 e to acabando
de editar esse Mulatas. No Jô tá dando uma banda da Marisa Orth
que não é a Vexame. Não peguei o nome, de qualquer forma é uma
merda, prefiro a Vexame. Ah,é a Luni.
Vou mijar...
====
/ ====
Retorno
hesitante: Coluna de Borvaz Sarsa
por
Borvaz Sarsa [como Ermenegildo Fontana]
Contei
as Drágeas antes de dormir...
...
e reparei que faltam algumas. Foi isso ontem. E só. A rua continua
vazia. Esperei até o entardecer se cansar em noite e ninguém
passou. No longe da paisagem haviam cães vagabundos. Não haviam
passos, não haviam carros. Como habitual.
As dores nas costas
voltaram, pioram quando tento subir no telhado. Sei, sei. Você
cansou de me avisar. É perigoso, pode dar na vista. Tudo isso
você já disse. Mas querida, você sabe que é preciso. É necessário.
De lá vejo a vizinhança se estendendo por quadras. Todas as
casinhas, e as árvores e os gramados mal-cuidados e abandonados
às pressas. Enxergo até quase a estrada que vai para aquele
bairro horroroso, sabe?
Tu
lembra qual! Tinha uma sobrinha tua que morava por lá... Bem.
Não era isso que eu ia dizer. Estou me perdendo aqui... Digo,
no texto. Engraçado falar isso! Como se pudesse
me perder em algum outro lugar.
Você
deve estar rindo a essa hora.
Já
conheço essa casa e as quadras vizinhas tão bem, que poderia
ficar cego e isso não iria me atrapalhar. Não que me afaste
muito. As costas, você sabe. Não tenho mais subido no teto,
já faz uns dias. Não sei bem quantos. Acho que uma semana. Já
te contei isso?
Posso
imaginar você. Deve estar toda prosa, pensando que tinha razão.
Que bem que me avisou. Mas não é bem assim. Sim, eu sei que
ainda não consigo ver a água ao longe. Que já faz cinco anos.
É verdade. Mas ela está lá. E está subindo. Não é seguro sair
daqui. Logo agora. Tão próximo da hora.
A água está pior.
Os mosquitos também. Às vezes, à noite os helicópteros passam
e borrifam aquela porcaria verde em tudo. Isso não têm sido
muito freqüente. Eu me escondo, e nada acontece. Como aquilo
fede! E arde. As manchas na pele estão descamando ainda e tenho
que protege-las bem.
Uns
meses atrás vieram subindo a estrada e tive que dar uns tiros.
Acho que peguei um deles. Não sei ao certo. Depois disso nunca
mais tentaram. Depois que você foi embora vieram bem menos vezes.
Talvez fosse o bebê, não sei.
Agora
mudaram de tática. Estão mudando os objetos de lugar enquanto
eu não estou olhando. Roubando algumas coisas. Quebrando outras.
Tirando o remédio. Tu sabe como eu fico quando falta remédio.
E eles roubam justo isso. Malditos!
Nos
vizinhos não têm mais. Já vasculhei cada casa. A última caixa
tu sabe que tive que conseguir com seu Josué. E sabe como consegui.
Velho besta e mesquinho, eu nem queria todas.
Mas
não foi ele que me roubou. Tenho certeza. Passei inda ontem
por lá e, pelo cheiro, ele não tem feito muita coisa não. E
não me censure por isso! Eu e você já conversamos a respeito.
Estamos conversados. Ele tinha um problema de atitude comigo.
Velho idiota, mesmo.
Essa noite eu não
durmo. Mas pego quem foi.
Telecom
O
telefone,
pedaço
de plástico entre duas bocas,
preservativo.
English
verbs, and definitions ( e – h )
Tô na aula. Aula
de inglês, sacumé: globalização e tal. Got to be connected
to the world. The Economist. Britney Spears. Internet.
Todo o diabo. A coisa é que estou aqui há uns mil anos pelo
menos. Que coisa bem chata! Parece que nunca estive em lugar
algum fora da aula. Devo ter nascido aqui.
Embaixo da segunda
classe na primeira fila. Ali, naquela ampla cadeira para canhotos
passei as férias de verão. Mais adiante... esquece! Ô aulinha
murrinha...O professor, lá na frente, fala, fala, fala. Mas
não ouço som algum. Sigo escrevinhando...
ear,
to
– Escutar. Como em deixar as orelhas receberem o ar que
carrega as palavras. Que alguém emite, para a própria pessoa
ou não. Como em escutar escondido. Pode-se escutar palavras
com ou sem significado. É possível deixar-se escutar, esperando
que se esteja sendo compreendido (to be understood). Não confundir
com ouvir (to listen) ou com se importar (to bother, to give
a shit), que estão em letras completamente diversas.
Acho que é isso.
Coisa de terceira idade. Um período falando bobagem. Ouvindo
sotaque ruim, então em casa, anotar os resultados. Expandir
vocabulário. Que idéia interessante expandir vocabulário. Encontrar
palavras novas e poder assim pensar mais. Se sofisticar... Besteira!
Bobagem da grossa.
Liga a TV! Qualquer
tv... (ok, talvez não a Al-Jhazira. Gente chata. Nem a Nickelodeon
que é para moleques com SDA. Nem a Deutsche Welle que é a natureza
morta dos canais de televisão). De quantas gramáticas e palavras
diferentes precisamos para dizer: “Exame de DNA”,
“Traiu a mulher com a cunhada” e “Matou dez
e pediu perdão”. Quantas combinações de fonemas? Estalos
de língua? Tons musicais?
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barra = "";
if (self.parent.frames.length == 0){
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family: 'Times New Roman'; mso-bidi-font-weight: bold"> Excesso de linguagens.
Sofremos de excesso de palavras para as mesmas (pouquíssimas)
idéias. Vou ouvir o Ratinho dublado em Swahili e isso vai me
dar um profundo insigth do contexto africano atual...
Talvez dê mesmo.
Às vezes esbarramos
numas palavras levemente diferentes, mesmo no inglês, e nos
colocamos a pensar que isso tenha profundas implicações sociológicas.
Que nos permita psicoanalisar toda uma população... Que prático.
Vejamos...
earn,
to
– Conquistar merecimento. Não apenas merecer (to
deserve)
pura e simplesmente. Implica em ação afirmativa do agente, que
passou a ter merecimento após ter feito algo para isso. Batalhado
(to
battle).
Perseverado (to
endure).
Como em conquistar o privilégio de ser ouvido. Ou em conquistar
o ainda maior privilégio de ouvir. Alguns esperam que o simples
tempo leve-os a conquistar algo. Por algum tipo de sortilégio/fetiche/macumba
qualquer.
Isso é levemente
diferente. Pois junta merecer com fazer algo para isso. Merece-se
ao longo do processo, o processo é um merecimento, em português
a gente ganha, ou conquista e depois (ou antes) merece. Talvez
não. Mais uns verbos um pouco diferentes.
fathom,
to –
Perscrutar buscando compreender. Captar. Literalmente enfiar
um cabo de sonda no rio para ver quão fundo é. Neste caso geralmente
usa-se da pouca informação recebida para cair-se em uma profunda
análise contemplativa em busca de entendimento. Não deve ser
tomado muito literalmente na parte perscrutativa do processo
(v. to throw green for harvesting ripe). Quando se diz algo
esperando descobrir algo mais, talvez pré-determinado, é equivalente
a to
probe for e, eventualmente, se isto se dá de forma
um tanto incomodativa, a to
bug
(v. to poke the sussuarana with a short stick).
further,
to
– Incentivar, aligeirar um processo. Como em uma relação
(as in to further a relationship) em que é sabido que se chegará
a um ponto inevitavelmente e, então, se aligeira o processo
de forma a atingir este ponto mais cedo. Neste exemplo específico
pode ser equivalente a to
ripe
em alguns casos a to
rot
em outros.
give
away, to; give in, to; give up, to
– Jogar fora, render-se, desistir. Verbo de natureza entreguista,
onde se muda apenas a natureza cinética do ato com o qual se
pretende abandonar a disputa. Pode-se perder para longe, quando
se joga fora. Perder por dentro, quando é necessária a rendição.
Nesse caso ainda existe o significado particular de devolver
(to give in = to return). Ou ainda perder para cima, como quem
arremessa o dito objeto e ainda bate as palmas das mãos, num
gesto único de abandono e alívio.
Tem gente que viaja
a procurar palavras que deviam existir e importando algumas.
Criando outras. Ressuscitando mais umas. Bleumas. Razbliuto.
Anga-Ranga. Mamilotenatapei. Hebdomadário. Talvez umas peguem.
No fim é só uma questão de usar as convenções mais práticas,
mais rápidas, que contém maior valor de significado, para o
contexto/rotina em que se vive. Apenas um pouco interessante.
É há quem reclame
de barbarismos. “Tapete de rato” para vocês!
Toda essa estória
de variedade cultural e visões de mundo embutidas nas linguagens
é mais conversa de salão. Mas, às vezes, pode ser divertida.
Tipo lembrar que líder é um anglicismo e que deriva de um verbo
que significa tomar a dianteira literalmente me põe a pensar
quem é que tomava as decisões para os portugueses antes de adotarem
essa palavra. Caciques é que não eram.
Uma
vez vi algo sobre uma língua ou dialeto estar se extinguindo
a cada poucos dias, imaginem a cena: pesquisadores aflitos tentando
manter viva uma velhinha que é a última falante de um dialeto
raro gravando e não entendendo o que ela diz: “Saiam de
cima do tubo! Saiam! Saaiii..”. Interessante como,
com todos os milhares de línguas do mundo, e o enorme cabedal
de variação formal e estrutural correspondentes, que toda a
variação semântica sejam pequenas adaptações locais (principalmente
de vocabulário) a alguns antigos modos de vida.
E como existem variações estruturais! Pode-se
trocar a ordem de toda a frase e colocar o verbo no final da
sentença (como no nihongo). Pode-se diferenciar verbos para
uso pelos homens e pelas mulheres (como em baanthai). Compor
palavras por aglutinação ou justaposição, diferenciar ou não
gênero, número e, até mesmo, graus de polidez. Pode-se declinar
até o dedo minguinho do pé. Usar estalidos e chiados (como em
algumas línguas africanas como o !Xosa). Ou dar uma ênfase tão
forte na entonação com que se pronunciam as sílabas que um quinto
da população acabe desenvolvendo ouvido absoluto, como nos diversos
dialetos do chinês.
Existem
línguas, semíticas, indo-europeias, fino-úgricas e mais algumas
dezenas de grupos. Todas deixam pistas que indicam não apenas
o modo de vida das populações que as falam, como da evolução
histórica desses costumes. Pistas que em muitos casos só agora
estão sendo adequadamente compreendidas: como a relação entre
a enorme variação fonética das línguas asiáticas e a difusão
da escrita ideográfica chinesa na região e como isso é bem diverso
da variação mais gradual típica dos povos de registro escrito
alfabético.
E
essas mesmas linguagens que pertenceram a povos pescadores,
comerciantes, caçadores, nômades, são hoje usadas por quem vive
cercado de celulares, Britney Spears e internet. Sabores diversos,
mesmo conteúdo.
Com
tantas linguagens diferentes, é digno de menção que nenhuma
nos ensine a falar. Nenhuma torna mais fácil a situação quando
tu não saber o que dizer. Nenhuma ensine a hora certa de dizer
algo, e o que calar. A linguagem é nossa hipertrofia de excelência,
nossa grande aposta evolutiva. Seu advento nos tornou muito
mais capazes de conhecer, planejar e criar mas ao mesmo tempo
nos deixou conscientes de nosso eterno semi-isolamento.
“
Telefonam embrulhos/ Telefonam
lamentos/ Inúteis
encontros/ Bocejos e remorsos./ Ah! Quem telefonaria o consolo/
0 puro orvalho/ E a carruagem de cristal.” (Murilo Mendes)
-------------------------------------------------------------
Informações:
borvazsarsa@zipmail.com
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Esta Coluna
Não Prestes
o Melhor do Mulatas
(na minha opinião, é claro...)
A coluna a seguir saiu originalmente
no nosso Mulatas cabaço, o número 0!!! Até hoje falam tanto
desse texto que resolvi colocar aqui pra quem não viu, curtir,
e pra quem já viu, ver de novo, ou não...Depois, outro texto
também de minha própria autonomia, do telmo e do Yellow...bah,
que viagem...
URGENTE
O Apocalipse Segundo a Revista Caras
Ocorreu na semana passada o início do fim. O Apocalipse
começou às 20 horas de Brasília e contava com a presença de
colunáveis, socialites e gente de expressão. No coquetel de
abertura estavam o Presidente Fernando Henrique Cardoso (63),
sua esposa, a Primeira Dama dona Ruth Cardoso (60) e o vice-presidente,
senhor Marco Maciel (36 Kg).
Deu-se o ápice com o chique Sig Bergamin (50) abrindo champanhe
francesa com Jesus Cristo (2001) em um altar todo decorado com
motivos que lembravam todas as religiões cristãs no mundo. No
palco central, os convidados se deliciavam com uma bela apresentação
da Família Lima. Fafá de Belém (48) não cantou, mas encantou
charme e sorrisos com Ângela Maria (110), sua cantora preferida.
A segunda etapa ficou por conta de Jesus chamando seus asseclas
para a batalha que
duraria noites e dias de terror, até que a besta sucumba e deixe
livre a Babilônia para os homens-de-bem. Dentre os seguidores
de Cristo estavam Baby do Brasil (53), Clóvis Bornay (532) e
Walter Mercado (230). Do lado do mal estavam João Gordo (36),
o Bispo Edir Macedo (57) e o papa João Paulo II (87), para a
surpresa de todos.
A festa acabou em uma imensa bacanal onde só se ouvia a voz,
claramente moribunda, de Fafá de Belém entoando o hino nacional
antes do tiro....
.....
Viagem Literária Abusiva
por Fábio L. Emerim, Telmo dos Santos Abech e Roberto
Moschen Jr.
Bibiana estava na beira da estrada! Olhava para o relógio, suspirava
e arrumava o cabelo. Nada de ônibus, caminhão, nem harley-davidsons.
Naquele deserto infernal, só o calor a acompanhava.
Não tanto o calor externo, mas um calor interno, ardido, sôfrego,
uma coisa-de-não-sei-que-nem-como-explicar, um ardor inquieto,
igual ao que talvez tinha sentido uma única vez, num país de
que não mais lembrava, numa noite esquecida, com cheiro de tâmaras
maduras e de suor fresco, à beira de uma piscina tingida de
luar.
No horizonte iniciava-se um vulto trêmulo pelo calor no asfalto.
Alguém, finalmente se aproximava. O calor a levava adevaneios.
Podia quase sentir, não! na verdade sentia o perfume do... homem!
Definitivamente um homem se aproximava. Sabia a tâmaras... ah,
as tâmaras....
Então fechou os olhos. Pensava ser mais apropriado assim para
a aproximação do homem. "O que ele falaria?", pensava.
"Boa tarde, a senhora quer comprar uma rede?"...não era isso
que ela imaginava. Ficou atordoada, mas era isso o que ele realmente
tinha falado.
Um tremor atravessou-a obliquamente. Não era à toa que se chamava
Bibiana, fruto de indeclinável devoção de seus pais a Bibi Ferreira
(ah, a grande Bibi!) e à vizinha e parteira, dona Emerenciana,
por cujas mãos viera ao mundo. E agora, aquele estranho, o tremor
oblíquo e as redes, talvez as redes em que se iria enredar....
Ele veio. Bibiana sentia suas coxas suarem (mais ainda). Ele
era alto, tez oliva, olhos amendoados, barba rala, ainda curta.
Na mão, três ossos pequenos, uma caneca e uma fitinha do Senhor
do Bom Fim. "Já tens uma fitinha?", perguntou, a voz áspera
da secura da estrada, os olhos cheios de lágrimas de quilômetros
de pó e solidão. "O quê?", titubeou Bibiana. Não ouviu.
Tinha o nariz preenchido pelo inefável cheiro de tâmaras que,
se não era dele, era bom assim mesmo. Ele pegou a mão dela,
segurando a fitinha, pronto a lhe amarrar o pulso.
"Cagou tudo", pensou Bibiana. Agora, além do fato de estar em
pleno Sahara, nossa heroína se via numa cena escatológica com
um desconhecido que lhe empurrava, goela abaixo, miscelâneas
totalmente inúteis, principalmente naquele momento.
Aconselhada pelo seu bom senso, Bibiana pegou o celular e fingiu
ter recebido uma ligação. O homem, não se dando por vencido,
fingiu estar tendo um ataque de asma, "Onde está a minha bombinha?",
gritava.
Era o fim, tudo indicava que era o fim. As tâmaras maduras de
dona Emerenciana mesclavam-se subitamente à fitinha de Bibi
Ferreira e ao suor fresco do estranho; o tremor balouçante,
a rede oblíqua, o celular transbordando aquele calor asfáltico
e antigo. De repente, nada mais do que fazia algum sentido;
o pó, nuvens de Harley Davidsons, o pó, a cólica, a voz do estranho
diluída em fatias de frases desconexas; não era mais ali; aliás,
nunca fora ali, e nem nada daquilo acontecera. Pareceu acordar.......
Bibiana estava na beira da estrada! Olhava para o relógio, suspirava
e arrumava o cabelo. Nada de ônibus, caminhão, nem harley-davidsons.
Naquele deserto infernal, só o calor a acompanhava.
Resolveu andar.
==== / ====
De Supetão
Roberto "Yellow" Moschen Jr
Caros leitores eslovacos &
outros:
Entrei numa lista de discussão
sobre, tchan tchan..... NUMEROLOGIA!!!
Maravilhoso! A vida é melhor que a arte, sem dúvida. Entre os
inúmeros absurdos a que fui exposto (ainda estou me desintoxicando),
este foi um parágrafo de um email que enviei fazendo algumas
perguntas:
>Me preocupo saber se pessoas
com experiência na área da numerologia
conhecem essa técnica e como se distiguem dos adeptos da leitura
fria, visto a numerologia, até onde vi, não ser baseada em dados
de
pesquisa e estatísticos, mas sim, em hipóteses lançadas pela
associação simbólica de números, ou seja, não há um estudo dizendo
que sim, pessoas com o número 3 são mais abertas e verbalizadoras.Não
se demonstra isso estatisticamente, criando-se critérios conceituando
o que é uma pessoa "aberta e verbalizadora", diferenciando do
que
seria uma pessoa "fechada e não-verbalizadora",
e verificando, junto a uma amostra significativa de pessoas
de numero
3, se essa hipótese se confirma.
***
Depois q mandei, fiquei rindo
sozinho imaginando se alguém seria
idiota o bastante para pensar que eu estava questionando a
interpretação do numero 3... hehehe
***
Mas meus pesadelos viraram
realidade!!! Olha o que a demente me
respondeu:
>Roberto, a Numerologia que uso é a cabalistica que traça
melhor o
perfil comportamental da pessoa mostrando talentos, defeito
que são
qualidades em excesso,como é a pessoa a nivel energetico, se
mais
femininas(yin) ou masculinas(yang),que tipo de ligação espiritual
tem
e que ja traz de vidas passadas só para sitar alumas coisas
da
analise, alem de que esta analise é diferente para um homem
e tb para
uma mulher
ou seja, um homem 3 é diferente de uma mulher 3, outro aspecto
aqui é
em relaçào a idade, um homem 3 com idade de 18 anos, é diferente
de
um homem 3 de 50 anos, por sua vez diferente de um 3 de 80 anos,
isso
tb vale para as mulheres bem como homens fisicamente mas com
comportamentos femininos (homosexuais), isso tb vale para mulheres.
Porisso e pela minha experiencia não se deve analisar um 3 desta
forma.....nem sempre o que esta escrito no livro condiz com
a
realidade do ser humano.
***
Nesse parágrafo ela fala que homossexuais tem características
femininas.... olha o q eu respondi:
>Homossexualismo não implica
em comportamento feminino, mas sim, em
se sentir fisicamente atraído por alguém do mesmo sexo. Existem
homens heterossexuais que são afeminados, enquanto existem gays
extremamente masculinizados. Essa tua afirmação é baseada num
preconceito clássico, todas as afirmações da numerologia sao
baseadas
em conceitos de juízos de valor pessoais e não-científicos?
***
Olha o que a furibunda me responde
em seguida (se tu entender uma
linha, estás desgraçado):
>continuando nossa analise,
pela numerologia podemos identificar se
um individuo é ou não homo ou bisexual a nivel comportamental
e tem
homens com excesso de numeros femininos que emitem esta energia
feminina no modo de agir como um todo, não só no nivel sexual,
escrevi o termo feminino neste sentido,porque a numerologia
cabalistica analisa de forma consciente, subconsciente , inconsciente
e carmico um individuo ,esta casca que vemos ou seja o Fisico
a
aparencia não revela o interior que é o comportamento psicologico
da
pessoa em nenhum momento fui preconceituosa e nem julguei por
valores
pessoais........ e em si tratando de dados cientificos dentro
do
conceitos Numerologia não pode haver se não tira o que ela tem
de
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
mais precioso.
***
Mato ou deixo vingar?
********************
Tô tri nas pilhas dessa festa
do Mulatas no Zelig no sábado, dia 27
agora! Tô até pensando em sortear na hora minha coleção de etiquetas
do Kanto Kente da Renner!
Vocês sabiam que eu vou ser
titio de novo? Não? Não sabiam nem que
eu já era tio? Que coisa, gente mais mal-informada....
Hoje vou botar meus bleumas assim que chegar em casa, tô podre!
O Fábio vai morar com a Marlise, pois vejam só. Tá certo que
é só
depois que ele estiver em melhores condições financeiras, mas
o que
são esses tolos detalhes mortais, não é mesmo? Ho ho ho ho...
Agora, muito engraçado foi o Sushi que fizemos na quinta passada.
Eu,
o Sandro, a Denise e o Adão, lá na casa do Sandro. Detalhe:
ninguém
nunca tinha feito sushi na vida, pegamos a receita pouco antes
de
sairmos para comprar os ingredientes, varamos o centro todo
para
comprar as coisas, e dois dos integrantes do banquete - a saber,
Sandro e Denise - nunca tinham comido comida japonesa. No meio
da
confusão, entre molhos shoyus voando prum lado e o Adão devorando
o
kani de outro, entra Les Amoureuses, um bando de sirigaitas
autônomas
cavalgando antas. O cheiro de peixe cru (compramos salmão,
atum e
linguado, tudo bem fresquinho) atraíra uma delas, a Petite-fleur,
que
andava semi-nua mas trajando uma estola de pele que se esgueirava
estrategicamente pelo seu corpo o necessário para não ser presa
na
rua. O Sandro tocou Chopin um pouco para acalmar as feras (as
antas,
não as sirigaitas). Ele toca teclado, sabiam? Até que bem, usa
as
duas mãos, pasmem! A Denise não falou muito com elas pois tava
meio
enfastiada com o sushi. Ela e o Sandro não gostaram muito...
eu e o
Adão comemos quase tudo. Eu fiz, antes de ficar pronto o sushi
e as
Les Amoureuses entrarem, um pouco de sashimi, pois tinhamos
comprado
peixe demais (acho que por isso que Petite-fleur foi atraída,
era
peixe demais em cima da mesa). Vocês sabiam que anta gosta de
molho
shoyu? Fiquei chocado, sério. Uma das amigas da Petite-fleur
(essa
usava couro como proteção - muuuuuito modesta - para o seu corpo,
devia ser hierarquicamente inferior à Petite-fleur) nos ajudou
com a
louça a um aceno de cabeça da tal de estola de pele. Ainda bem,
é um
saco louça, e o Sandro e a Denise estavam bêbados a essa altura
e
passando mal por causa do sushi. No outro dia a Denise passou
mal o
dia todo. Me pergunto se a Petite-fleur está bem.
Até a próxima semana!