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As Mulatas de Jesus Cristo - 5 - Canoas 22/06/2001
***Sumário***
EDITORIAL - Fábio Luis Emerim
TEXTO DE SUBSTITUIÇÃO- Fábio Luis Emerim
DE SUPETÃO - Roberto Yellow Moschen Jr.
"PESSOAS SEM CORAÇÕES" parte IV - Fábio Luis
Emerim
ARDÊNCIA NOS PEITO- Fábio Luis Emerim & Roberto Yellow Moschen
Jr.
A MORTE PASSOU NA CASA DA BERENICE- Fábio Luis Emerim
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Editorial...
Wenn ist das Nunstrück git und Slotermeyer? Ja! ...Beiherhund das
Oder die Flipperwaldt gersput!
Que ironia do destino! Eu, um cara anti-EUA, terei que ensinar o hino estado-unidense para meus alunos lá do inglês! ARGH! Não posso acreditar que me pegaram nessa arapuca! Ai meus sais! Maldito 4 de julho! E o que me provoca náuseas é o fato de que muito dos caras a quem eu vou passar o hino dos EUA não sabem o NOSSO hino! E pra fechar com chave de ouro, o diretor lá da escola cometeu o crime de comprar uma bandeira do paisinho da américa do norte!!!!! Ahhhh, tenha a santa paciência!!!!! Saco! O Yellow me falou pra eu deixar de ser chato e ensinar o hininho assim mesmo, afinal de contas é meu trabalho. Ele até tá certo. Mas é foda! O Yellow me deu até uma idéia que eu vou acatar: a de fazer propaganda anti-estado-unidense enquanto ensino o hino. Tipo, agora vamos passar novamente aquele terrível hino imperialista, ou, de volta àquela horrível música yankee...É uma idéia, sabe?
Massssss, de qualquer forma estou feliz e radiante, pois dia primeiro de julho minha banda, pelo menos nessa formação, fará sua primeira apresentação. E será ao ar livre, para milhares de desprevenidos transeuntes do centro da cidade de Canoas, RS, na Feira do Livro, lá pelas cinco da tarde. Convido, então, a todos os assinantes e leitores do mulatas a lotar o calçadão na dita tarde de domingo para dar uma força ao bom e rasgado rocknroll!
Então, meus caros amigos, não percam o show (uau) da banda BLIGHT!!!!!
Eu deveria estar corrigindo os temas dos meus alunos, mas ainda dá tempo e não consigo ficar parado mesmo. Mal saiu o Mulatas número 4 e já estou aqui preparando o editorial e mais dois contos (um junto com o Yellow, via e-mail). Acho que eu to ficando meio paranóico, sei lá. Será que eu to ficando paranóico?.....Agora, que é um saco agüentar o Paulo Ricardo cantando Imagine é!!! Ainda mais agora que ele resolveu fazer uma versão em português pra música! Por que será que ninguém prende esse cara? Acho que deveria existir uma organização contra a difusão de coisas podres. A indústria da porcaria hoje em dia não dá o braço a torcer. Fico imaginando que deve haver um grupo muito bem organizado que difunde as merdas pela sociedade. To rançoso sim, e daí? Quem consegue ver TV aberta hoje em dia que a tire a primeira pedra, aliás, que atire a primeira pedra e espere uma chuva de ovos...
O Telmo me contou que estava indo a pé pro centro quando reparou num pobre cachorrinho que, mancando, atravessava a rua, contando apenas com sua sorte e a bondade dos motoristas. Ele disse que acompanhou atentamente o pequeno cãozinho, de longe, com os olhos. A surpresa veio quando, ao chegar na calçada do outro lado da rua, o vira-latas parou de mancar e passou a andar com todas as quatro patas perfeitamente! O Telmo, boquiaberto, disse que, a partir daquele momento, sua vida mudou! Passou a acreditar na providência divina.
Ahhh, a partir dessa edição, o Mulatas vai estar mais bonito. Obrigado!
Ainda to matando a maior parte do Mulatas no peito! O Yellow nunca termina a coluna dele, cacete!
....Die ist ein Kinnerhunder und zwei Mackel über und der bitte schön ist den Wunderhaus sprechensie. 'Nein' sprecht der Herren 'Ist aufern borger mit zveitingen'.
Fábio L. Emerim
Colaborações literárias? Mande a sua para mulatas@terra.com.br
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Texto de Substituição
Aqui colocaria um texto que me veio à cabeça ontem de tarde. Mas como eu estava sem papel para anotar a idéia, me esqueci! Daí resolvi escrever esse aqui mesmo. Não que chegue aos pés daquele que eu tinha pensado ontem, o qual me enchera de orgulho no momento do PLIM, mas fazer o que, né? A gente nunca consegue ser feliz 24 horas por dia. Aliás, a gente nunca consegue ser feliz na hora da substituição. Sempre o que a gente idealizava ou tinha antes era melhor. Aquela coisa do prefiro sempre o original, sabe? Me lembro quando o GunsnRoses estouraram, lá por 89, 90, e todo mundo se maravilhava com a melosa Patience, eu falava que preferia o original, que não me assustava aqueles cabeludos posers e coloridos. Daí me perguntavam: Que original???, e eu respondia: Led Zeppelin! Aquela voz rasgada do Axl podia ser novidade num jardim de infância, pois nos 70 lá estava o Robert Plant com suas calças saint troppez (é assim que se escreve essa porra?) e seus cabelos loiros ondulados esganiçando a voz e fazendo linha de frente com o Jimmy Page. Ah, pára! GunsnRoses? A mesma coisa é o cinema americano! De uns 30 anos pra cá a gente vê uma variação de um mesmo tema. E tema ruim, o que é pior! Por exemplo, eu vi há pouco tempo, O Gladiador. Tudo bem, filme tecnicamente impecável. A reconstrução de Roma é de deixar qualquer um boquiaberto. Agora, a temática é a mesma! Impressionante! Aquela coisa do herói que sofre todos os infortúnios da vida, como a morte da família pelas mãos do inimigo, sua vida totalmente desgraçada pelo seu inimigo, MAAAAAS eis que o herói dá uma virada sensacional e acaba com todos eles! Assim foi com Rambo, com Rocky, com alguns Chuck Norris, Bruce Willis, etc, etc, etc...E o Yellow, que foi ver Pearl Harbor (HAHAHAHAHAHHAHAH) e teve que agüentar até o final uma babaquice sem tamanho dos americanos querendo justificar as bombas em Hiroshima e Nagazaki? Disse ele, com raiva, que o filme é o exagero dos exageros, pois até um cachorro consegue ser herói. Eu já evito essas obviedades cinematográficas dos ianques. Salvo quando eu to com a namorada e a gente é obrigado a ver o que ta passando porque, ou é Xuxa Superstar (em cartaz eterno, creio eu), ou um filme de morte e destruição gratuitas de um herói musculoso que sempre fica com aquela colega de missão que o seu chefe colocou , contra a vontade do próprio herói, para lutar a seu lado e que, no fim, surpreende (só ao herói) com suas habilidades nas artes marciais!
A vida, atualmente, tornou-se uma reprise. Tudo que se vê é, ou cópia descarada, ou desavisada. Por isso que eu gosto do que é diferente. Por que as pessoas estão sempre nessa procissão atrás daquilo que todo mundo sabe como é e sempre e sempre tem o mesmo final? Por que a arte de vanguarda ou até mesmo os Mix Bazar são vistos tantas vezes com olhos tortos? Porque foge do trivial, ora bolas. Porque sai do molde sócio-bitolante que nos é imposto por um grupo de formadores de opinião (cuja opinião é tão necessária à nossa saúde mental quanto um litro de Coca Cola a um diabético). Porque toda sociedade que é de reação previsível e óbvia é, sem sombra de dúvida, mais maleável, mais manipulável e mais burra.
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DE SUPETÃO - Roberto Yellow Moschen Jr.
Para variar, não tenho assunto, tá na hora de entregar o texto
e não escrevi uma linha (aliás, acaba de completar
uma). Por isso, vou só falar um pouco sobre o tempo e depois escrever
algo com um título absurdo qualquer.
Tá tri frio! Fui mijar agora na grama e meu pau quase congelou. Não
sinto mais os dedos dos pés, tenho até medo
que necrosem. Isso me faz lembrar que nossas casas aqui no sul são feitas
para qualquer lugar, menos para cá. Não
temos aquecimento, as janelas tem frestas, não temos isolamento térmico
adequado... quando está frio, morremos
de frio. Quando está quente, vira um forno. Que difícil.
Agora, o título absurdo, ou, and now, for something completely different.
Concurso de Luta-Livre para Compositores Barrocos
Foi pensando nisso que ele colocou as luvas pretas. No escuro, enquanto todos
assistiam ao espetáculo, suas mão,
ágeis e leves como o vento, passeariam pelo pescoços crivados
de jóias, as abotoaduras sumiriam sem rastro, as
preciosas bolsinhas de ouro e pedrarias despareceriam no ar. Depois, ninguém
jamais desconfiaria de um senhor tão
distinto, filho de família tão pródiga em escritores e
políticos. Seu único desconforto era ver a bela Alberta sendo
cortejada por um desclassificado como Cervantes enquanto ele era obrigado a
viver uma petite contravention aquela
noite.
Tudo mudaria no dia seguinte. Alberta teria seu nome limpo, Cervantes seria
obrigado a deixar a cidade depois de
confirmar que o filho de Lenira é seu e o dinheiro que conseguiria com
a venda das jóias asseguraria um futuro para
ele e sua amada.
Mas nada, nada adiantaria se Osvaldo aparecesse com a túnica rasgada
da falecida senhora Dupret. Ele precisava
apressar-se. Havia boatos no submundo que Cervantes andava fazendo perguntas
nas redondezas da pensão em que
Alberta se hospedara enquanto sua mãe morria tísica e seca. Se
ele viesse a encontrar Osvaldo... nem queria
pensar. Precisava concentrar-se em suas mãos. Elas tinham que ser leves.
Muito leves...
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Pessoas Sem Corações Cap IV
Mas Boi preparava-se para apartar a briga, e Dione, aflita, no telefone, esperava desocupar a linha de Clêiver. Rita, Américo, Boi, Cândida, Dioclecí (mulher), Dioclecí (homem), Maninho e Espora olhavam-se com os olhos arregalados. Ninguém esperava tamanha sola de sapato.
No ventilador de teto os papéis rodavam, rodavam, rodavam, rodavam, rodavam, rodavam infinita e sem interromper. As nuvens preparavam-se para a guerra.
De cima do parapeito da ponte sobre o rio Melissa, um anjo chorava desesperado a falta de sua amada flauta. Enquanto isso, um navio azul com pescadores, passeava pela região procurando por farra. A pescaria tinha sido perfeita.: peixes.
De repente o telefone toca:
- Alô?
- Alô!
- Pois não?
- Quem fala?
- Com quem deseja falar?
- Com você, não se faça de tonto...
- Mas eu não estou no momento...
- Ah, desculpe, foi engano...
Logo após esse terremoto físico, tudo ficou branco.
E agora?
:o(
Continua...
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Fale-me sobre a fragilidade das idéias que falarte-ei sobre as
idéias das fragilidades....
(Polka, O Aracnídeo)
Ardência Nos Peito
...Diz-se que existem pessoas que, por sua natureza frágil e despreparada, não conseguem impor-se na vida, sendo delegadas, em quaisquer situações, ao segundo plano, ao coadjuvantismo, à assistência. São pessoas que tem suas vontades facilmente atropeladas por força de quaisquer situações. Estão à deriva na vida, sopradas pelas circunstâncias e pelas necessidades do outro.Pois é exatamente sobre uma dessas pessoas que iremos lhes falar.
Eu, por minha vez, aqui identificado como locutor 1, lhes informarei o nome e a situação inicial de nosso pobre personagem. O locutor 2 entrará em seguida, desenvolvendo o que comecei, sendo sucedido por mim, e nos intercalaremos até que o conto chegue no seu ponto de maturamento e finalize-se, enfim.Ele se chama Vitinho. No diminutivo, pois nunca soou bem para seus amigos e familiares que fosse digno de algo tão imponente como seu nome de batismo, Vitório. Ele mora sozinho, visto seus pais já terem falecido. Se não fosse assim, Vitinho ainda moraria com eles. Ele tem 32 anos, trabalha em uma biblioteca como porteiro e nada mais faz além disso, pelo menos até o momento em que começamos este conto e tentamos, da melhor forma possível, talvez até um pouco desesperadamente, acordar nosso enfim-protagonista-de-algo para que saia do seu mórbido estado de indiferença, falta de amor próprio e força de vontade.
Continuará, agora, o locutor2.
Locutor2:
Um dia, na manhã seguinte ao assalto ao banco ao lado da padaria da rua paralela à biblioteca vizinha à biblioteca onde Vitinho trabalhava, Dona Gertrudes, uma velha professora de História, gaga, mas respeitada pelas pessoas da comunidade,que certa feita teve sua perna amputada devido à um desentendimento com um touro mal-humorado, resolveu testar a capacidade do nosso herói no que diz respeito a literatura pagã-anglo-saxônica-mediúnica. Para tal, a velha professora escolhera um livro de um autor pouco conhecido devido ao fato do próprio ter sido alvo da KGB na época da guerra-fria de 1976 à 1981, forçando-o, por isso, a trocar de nome 35 vezes para 35 publicações que escrevera em esconderijos na Ásia, África e Oceania. Já em posse do livro entitulado "Mais Uma Sobre Violões e Poses Desnudas", de 1977, nesse, em particular assinado como de autoria de um certo Pômulo Contrastes, o autor navega pela mente humana e faz uma brincadeira comparando o cérebro e o coração com uma bicicleta e um oboé.
(nota do editor: gostaria de expressar minhas excusas por mais uma inclusão referente ao oboé, mas me fugiu ao controle. A partir de agora redobrarei meus esforços para evitar que os caros leitores-assinantes de nosso e-zine sejam abrigados a ler essa merda de oboé novamente, pois eu mesmo não aguento mais!!!!...Ok,desculpem-me....voltemos ao texto)
Vitinho não conseguia entender, tentava, mas não conseguia, a investida da perneta dona Gertrudes para com a sua pessoa empunhando um grosso livro empoeirado. Ouviu amavelmente as palavras da velha pedindo-lhe que lesse o livro e que comentasse com ela dentro de uma semana. Despediram-se. Vitinho olhava, ora para o livro em suas mãos, ora para a silhueta gorda e manca da dona Gertrudes desaparecendo por entre a multidão na calçada, Como que cinematograficamente, ao abrir em uma página qualquer, cai ao chão um papelzinho amarelo com um número de telefone com um nome do lado:
"345-6758 - Betina"
O locutor 1 reinicia sua participação:
Vitinho, ao ver o papel cair, logo pensa em sair correndo atrás da velha e gorda senhora manca, pensando ter ela deixado o telefone por engano dentro do livro, mas não podia deixar seu posto. Bem, pensa, vou devolver depois. E o guarda novamente em meio às páginas. Em casa, na sua cama, Vitinho observa o livro sobre sua cabeceira. Não sabe o que fazer. Não sabe nem porque ela o teria dado a ele. Começa a folheá-lo distraidamente, até que encontra o telefone de Betina. Pega o papel vagarosamente e levanta-o à altura dos olhos. Suas mãos começam a suar. O número e o nome desfocam-se de tanto que lhe tremem as mãos. Sua boca seca. Sente uma ereção iniciar-se sob os lençóis. Olha para o telefone. Olha novamente o número. Pega o aparelho e começa a discar, lenta e dolorosamente, número a número escrito no papel. O aparelho chama. Uma. Duas. Três intermináveis vezes. Click. Alô? indaga uma voz feminina, um tanto sonolenta.B-b-be-ti-ti-n-n-na? balbuciaO quê? Quem é? pergunta a vozEle começa a ofegar, enquanto leva sua mão até suas cuecas. Começa a masturbar-se.Be-be-ti-ti-n-n-n-naaa... repete, um pouco mais alto, um pouco mais lúbrico.Quem é? Quequiéisso? dispara a mulher, a voz agoniada de aflição e medo.Be-be-b... (sons abafados) be-ti-ti-n-n-n-naa-a-aaa. Sua voz já está gutural. Enquanto se masturba e baba no telefone, balbucia o nome do papel algumas vezes, numa voz roufenha, fechada, luxuriosa.Goza.Desliga o telefone. A mulher, muda, não tinha dito nada mais, apenas escutado.
Agora veremos a continuação pelas mãos do locutor 2.
Locutor2:
No outro dia, Vitinho ainda se lembrava da espantosa noite anterior. Um misto de medo e vontade de encontrar novamente a Dona Gertrudes, para que a mesma pudesse esclarecer a ele quem era a tal Betina. A que tivera ajudado, mesmo que sem saber, a proporcionar-lhe tremendo orgasmo. Nada da velha. Dia interminável que nosso herói não via passar para que pudesse voltar à sua casa e, quem sabe, repetir a dose, só que dessa vez com uma luz mais baixa e um Robertão na vitrola...
Em casa, nem foi tomar banho, sentou-se à cama, chutou os sapatos pro ar e tomou o livro em suas mãos. Já em posse do número de Betina e com um conhaquezinho pré-colocado na cabeceira de sua virgem cama de casal, Vitinho começou, dessa vez mais decidido, a ligar para a casa da sua nova alegria noturna. A cena se repetiu com sucesso durante uma semana. Todas as noites.Os colegas de trabalho perceberam uma mudança radical em Vitinho. Sorria mais, assoviava, dava bom-dia com vontade e não por obrigação social. Só que naquele dia um calafrio percorrera a sua espinha, pois, segundo seus cálculos, a dona Gertrudes lhe tomaria o livro e pediria para comentá-lo com ela.
E lá estava Vitinho. Com o livro na mão trêmula, ao perceber a velha entrando na Biblioteca.
Continuará o locutor1 na próxima edição...
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Caro Fábio Emerim:
Não entendi!
Grata
Celeste
################################FIM DA INTERRUPÇÃO$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$
A morte passou perto da casa de Berenice e parou para tomar café...
Daí Berenice, moça ajeitadinha, de família e muito religiosa, perguntou a razão daquela visita tão tarde da noite. A morte respondeu que estava de passagem, mas sentira um cheirinho de café com leite e de pão fresquinho e não soubera resistir.
Berenice, orgulhosa, serviu a morte com toda pompa e com um olhar humildemente superior. Lembrava Caquinho, seu falecido irmão. Saudades tinha dele. Morrera tão novo e Berê, como era conhecida pelos amigos, nunca, mas nunca investira qualquer ato de revolta ante ao grande mistério do universo, que, ora veja o que é o destino, deliciava-se agora em sua cozinha com suas guloseimas. A morte comia, soltava hummmmms e chomps chomps entre respirações ofegantes com os olhos serrados. Foi então que Berenice resolveu perguntar para a sua convidada porquê tivera a misteriosa criatura levado Caquinho tão cedo e de uma forma tão terrível. A morte interrompeu a mastigada, levantou o olhar para Berenice, que, por sua vez, arrependia-se até os cílios por ter formulado tão, então, infeliz pergunta. Desculpou-se, retirou-se e pôs-se a pensar em seu quarto. Tinha medo de encarar a morte novamente. Mas não conseguia deixar de ouvir os barulhos da talzinha devorando seus quitutes. Num momento de descuido, Berenice percebeu a presença fria da morte em seu quarto. Engasgou, gelou. A morte foi embora logo após. Mas deixou um bilhete à mesa. Berenice leu, releu, treleu, tremeu, caminhou até a janela e riu histericamente, desesperadamente. Chorou, foi ao chão. Um tempo depois voltou à cozinha. Viu os restos sobre a mesa. Pegou no telefone e ligou para Fernanda:
-Guria!!!! Tu nem sabe o que aconteceu...
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"Grande parte das nossas importações vêm de fora
do País."
(George W. Bush)
*****As Mulatas de Jesus Cristo - número 5 *****
-Staff:
-Fábio Luis Emerim
-Roberto Yellow Moschen Jr.
http://planeta.terra.com.br/arte/mulatas
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