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As Mulatas de Jesus Cristo -
34 - Canoas - 22/02/2002
Sumário
EDITORIAL Fábio Luis Emerim
CASULO 14 - O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS Fábio
Luis Emerim
BIG BRÓDI BRASIR Fábio Luis Emerim
DE SUPETÃO Roberto Yellow Moschen Jr
VERSOS SOLTOS Fábio e seus alter egos
E SE O ROBIN FOSSE CÉTICO? Fábio Luis Emerim
AMINÚNCULOS VORAZES Borvaz Sarsa
PIADAS TRADUZIDAS Culpa do tradutor do Google
***
EDITORIAL
Porra, comprei o CD do Caetano
Veloso, Noites do Norte, por 2,99 lá no Carrefour. Que birutice...
To sozinho em casa, a mãe e o pai foram viajar e estou cuidando
do Chico (meu cachorro), do Júnior (canário do pai e da
mãe, pois sou contra engaiolar seres-vivos...se bem que quem gostaria
de engaiolar seres-mortos?), do Nelson (meu coelho) e, de quebra, cuidei
do Bob (hamster da minha madrinha, que foi pra praia). Resumindo, a casa
tá um zoológico!
To tomando café feito um condenado aqui no quarto enquanto escrevo
as linhas do que será o Mulatas dessa semana. O Yellow tá
na casa dele reformulando o site.
Futilidades à parte ontem eu vi a entrevista com o Collin Powel
(secretário de segurança dos EUA) na MTV. As perguntas foram
mais ou menos, ele respondendo, estranho...Primeiro porque ele diz que
é contra o terrorismo, mas que tal lembrarmos que foram os proprios
EUA quem patrocinou o golpe no Chile, colocando lá aquela porra
do Pinochet e aqui no Brasil quando houve o golpe em 64? Contra o terrorismo?
Que tal lembrar a esse senhor que os EUA jogaram aquelas bombas atômicas
sobre Hirochima e Nagasaki matando milhares de inocentes? Se isso não
for terrorismo, meu amigo, me diga o que é!
Bem, mudando de assunto, começou domingo a Casa dos Artistas 2
. Como tudo que é ruim, menos o Poderoso Chefão, ganhou
sua continuação. Sei lá porque toquei nesse assunto.
So much for pathos...
À pedidos estou editando neste Mulatas mais piadas traduzidas do
Google. Um absurdo.
Texto de Revolta:
Meu, o que é aquele Marcos Mion? De onde tiraram aquela figura
insuportável? Algum infeliz resolveu dizer que o cara é
engraçado e ele acreditou. Pior, tem gente da TV que acreditou
também! Agora me diga, o que é que o tal Mion faz que o
Faustão já não fazia há 15 anos atrás
no Perdidos na Noite?
Eu não sei se deu pra notar, mas eu odeio o Marcos Mion, e tanto
odeio que eu não voltarei neste assunto pra não dar mais
IBOPE pra esse merda!
***
Casulo 14 - O Portal das Averiguações
Noturnas
Por Fábio Luis Emerim
A Utilidade das coisas
Você já teve aquela vontade de ficar usando o controle remoto
da TV feito um louco depois de trocar as pilhas? Ficar naquele liga/desliga,
liga/desliga interminável só pra fazer jus às compras?
Qual a necessidade e a real utilidade das coisas? É estranho saber
que tudo que cai no mar do dia-a-dia fica invisível. Depois que
eu comprei as pilhas do controle eu fiquei olhando pra anatomia, o desenho
do controle e achei tri massa! Idiota isso, não? Parar pra pensar
quantas coisas a gente usa todos os dias sem dar o devido valor é
um exercício interessante. Pense no vaso sanitário, por
exemplo. O que você faria se acordasse de manhã se cagando
e descobrisse que sumiu o vasso sanitário? Ou que droga seria se
o vaso precisasse de pilha?
Que texto...daqui a pouco serei preso por loucura...
Que viagem!
A Infidelidade de Fabrízio I parte
Zuleica entrou no escritório de Bolívar e sentou-se para
fumar um cigarro. Lugar sobrio; Bolívar estava em algum outro cômodo,
mas chegaria logo, segundo a secretária. Quando apareceu, o detetive
foi logo dizendo: "Meu trabalho é discreto e limpo. Procuro
satisfazer meus cliente em sua totalidade!"
Zuleica quieta.
Sem jeito e após um longo silêncio, Bolívar prossegue:
"er...o pagamento somente ocorre após o serviço. Normalmente
é feito aqui ou em depósito na minha conta, como a Léa
deve ter dito pra senhora alí na frente!"
A fumante cliente consentiu com a cabeça. Novo silêncio.
"A senhora tem fotos dele?", perguntou o desconfiado Bolívar
tirando os óculos do bolso da camisa. Zuleica expulsou, pelo nariz,
a fumaça da última tragada e disse: "Sim. Aqui nesse
envelope", concluiu tirando um imenso envelope pardo da bolsa. Bolívar
deu uma leve inclinada para frente para pega-lo. Tirou as fotos de dentro
e pôs-se a olhar atentamente. "Ele costuma freqüentar
algum clube, ou algum bar onde se reúne com amigos?", indagou
o detetive sem tirar os olhos das fotos. "Cappia Boulevard",
respondeu Zuleica acendendo outro cigarro. "O clube de pôquer.",
concluiu Bolívar enquanto virava-se para a janela para abrir. O
ar estava ficando insuportável.
"Estranho um detetive não fumar", falou sutilmente Zuleica
com um leve sorriso nos lábios. "Eu fumo!", respondeu
Bolívar de pronto acentendo um Marlboro, "É que meu
cachorro não fuma!", disse apontando com rosto para o outro
lado da sala. Lá estava Max, o Basset de 14 anos deitado no chão
como um capacho de lã.
Levantando-se, Zuleica fecha a conversa: "Então está
combinado. Daqui a dois dias eu ligo para saber de alguma coisa e...o
que você está fazendo?" interrompeu a assustada cliente
ao ver o detetive pegando no coldre. "Não se assuste, é
meu celular; apenas guardo-o aqui para impor respeito.", respondeu,
"Também vou naquele clube de pôquer; só estou
ligando para meu parceiro de jogatina para avisá-lo que precisarei
dele nesta semana.
Zuleica sorriu, deu a mão para Bolívar e se retirou sem
dizer uma palavra. Era a primeira vez que tentava descobrir aquilo que,
por anos,não passava de uma leve suspeita: a infidelidade de Fabrizio.
continua
***
Meu Diário de Uma Ostra
06/01/02
Sim, eu mexo com papéis...
É regra: vou pra praia e chove. Eu sei que não é
nada científico, mas foda-se, to brabo! Basta dizer que chegamos
há dois dias e não fui pra beira da praia ainda! Deve ser
uma conspiração universal contra mim. Bosta!
Amanhã, pelo menos, estamos indo pro Rosa. E em sta catarina não
tem este maldito estigma de verão pra sapo que tem no RS. Me lembro
que em 94 fiquei fevereiro na praia e nunca joguei tanto canastra. Bosta!
Tem que haver razões
Trouxe cinco livros pra praia. Parece eu previa. mas previsão,
pra mim, só a do tempo e olhe lá. No som tá rolando
Santana. E afora o livro do Carl sagan que eu já to lendo pela
terceira vez, ainda tenho um do Luis Fernando Veríssimo, um do
João Ubaldo Ribeiro e os outros não me lembro porque tão
dentro da mochila.
Agora tá tocando Bidê ou Balde...
Cães
Na casa aqui do lado (to na casa do yellow, que me emprestou pro findi)
tem dois Rotweillers e um Fila. Que meda!
Começou a chover mais forte agora, acho que vou destruir a cozinha.
Coffe and TV
Eu odeio aqueles garotões que nos filmes dos Trapalhões
sempre ficam com a mulher que o Didi se mostra apaixonado o filme inteiro.
Daí fica ele com aquela cara de deprimido e a gente ainda fica
com pena, que merda! Se bem que eu acho que o Didi é meio pedófilo...
Trouxe para ouvir
Alice in Chains - Nothing Safe - coletânea dessa que, pra mim, foi
a banda mais cara feia de Seattle e a mais junky de todas. Boa coletânea,
demorou mas lançaram, embora eu não seja lá tããããão
fã de coletâneas.
Silverchair - Neon Ballroom - bom CD dos caras. Gurizadinha pesada pra
caralho, apesar de ter uma ou duas que eles fizeram pra comer alguém.
Coisas da idade. Mas pra quem pensava que a Austrália era um país
sem salvação por causa daquelas malditas bandas surf que
infestaram as rádios brasileiras nos últimos dez anos, e
pra quem pensava que a última coisa boa de lá foi o AC/DC,
é uma excelente pedida.
Jamiroquai - Traveling Without Moving - único CD deles que eu tenho.
Ainda tenho o primeiro dessa banda inglesa em vinil. Raridade, pois vinil
tu só acha no brique, na Prisma Discos (propaganda incidental)
e em algumas outras lojas subterrâneas da nossa realidade urbana
(puta que pariu).
The Lemonheads - The Best of The Lemonheads - lembram deles? Foi a primeira
promessa pós-Nirvana, mas ficaram só no vocalista, que comeu
a Curtney Love. Boa coletânea e tem a versão deles pra Mrs
Robinson.
Pret a Porter - trilha sonora - às vezes dá certo. Esse
deu porque não vi o filme, talvez seja até uma porcaria,
e nem passaria perto da trilha, e depois, ninguém tem o feeling
do Trarantino pra casar trilha com filme.
Weezer - Weezer - e como não levar? Rock na veia, no sistema nervoso,
na pele e nos ossos. Voltaria pra casa se não tivesse trazido.
Fastball - All the Pain Money can Buy - disco de estréia dessa
banda que eu acreditei ser a nova mania mundial. Uma pena que não
foi. Ou que bom...
Fatboy Slim - You've Come a Long Way, Baby - momento NEO pro litoral.
Techno visceral bom pra acordar.
Planet Hemp - Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Passa -
to indo pro Rosa, uma questão óbvia, não?
The Breeders - Last Splash - a banda das gêmeas Kim e Lelly Deal;
a primeira, ex-baixista do Pixies, a banda alternativa que influenciou
Mr. Kurt Cobain.
Digable Planets - Reachin' (a New Refutation of Time and Space) - os pioneiros
da fusão jazz + hip hop (não, não foi o Guru), detalhe:
a guria é paulistana.
Planet Hemp - Usuário - hehehe, pois é...outro...
Mutantes - Obras Primas (coletânea) - é daquelas coletâneas
que as gravadoras lançam e os artistas são os últimos
a saber. Dizem que o Arnaldo Baptista até foi comunicado mas não
entendeu (que maldade...). Azar, é bom e é a melhor banda
de rock do Brasil.
The Who - The Kids are Alright - sou roqueiro. E ter The Who em casa é
como para um evangélico ter a Bíblia debaixo do braço.
Pena que não dá pra ver o Keith Moon tocando bateria no
CD...
The Rutles - Archaeology - sacanagem que o Eric Idle, do Monty Python,
fez com os Beatles. Quase melhor que o original.
Renato Russo - Equilíbrio Distante - esse é o tal disco
em italiano que ele gravou. É tri bom, vão se catar!
The Verve - Urban Hymns - banda inglesa que meio que se apagou e, embora
"Drugs Don't Work" seja uma obra, a música que ergueu
os caras foi uma dos Stones. Engraçado...
Alice in Chains - Dirt - melhor CD deles.
Comunidade Nin-Jitsu - o primeiro deles. Dá-lhe massa funkeira!
Alice in Chains - Alice in Chains - esse é o que tem "Heaven
Beside You".
Caetano veloso - Sem Lenço e Sem Documento - coletânea do
mestre. O cara é foda, fala a verdade.
XTC - Upsy Daisy Assortment - coletânea da melhor banda inglesa
dos anos 80 que ninguém conhece.
Oasis - Be Here Now - um bom disco da banda cujo vocalista se acha melhor
ele próprio...
Blur - The Great Scape - essa é a melhor banda do mundo segundo
o vocalista Damon Albarn.
Eric Clapton - Umplugged - clássico.
Wings - London Town - banda que Sir Paul McCartney formou com Denny Laine
e Linda McCartney depois dos Beatles. Básico e fundamental para
quem gosta do que é bom, como eu, que gosto de buceta.
The Beatles - Past Masters vol II - coletânea da melhor banda de
rock do mundo. Não dá pra faltar.
Wings - Band On The Run - belo disco. E foi gravado no mês e no
ano que eu nasci. Que coisa mais Hebe...
Beck - Mutations - disco do alternativo Beck Hansen; tão alternativo
que, mesmo ruim, esse CD consegue ser bom. Mas o melhor dele é
o Odelay.
FUI
PS: parou de chover...
***
Big Bródi Brasir
Fábio Luis Emerim
Tirando a Stella, todos os participantes
dessa encrenca chamada Big Brother Brasil são uns chatos de galocha!
Se eu estivesse lá já teria colocado a cabeça daquele
insuportável do André (o cantor) dentro do forno e ligado.
Meu, na primeira meia hora de cantoria dele eu já teria tido ataques
de convulção, puta merda! O baiano Adriano se diz filho
de santo, ou seja, sua autodefinição já fala por
si.
E aquele tal de Kléber? O que que é aquilo? Ele e o Bruno
são provas cabais de que ter feito lobotomia era requisito básico
pra participar da versão televisiva do The Sims! A cada 23 palavras,
30 são "brother". É brother pra cá, é
brother pra lá. Muito chato!
Outra peste é a tal da Cristiane, que entra em cena com aquelas
botas nada a ver e gabando-se por ser a rainha......do funk. Namora um
cara de 16 anos, aliás, não me admira, inclusive nem sei
como o guri aguenta. Fazendo valer a máxima do meu amigo e Colaborador
desta edição:do Mulatas, Telmo, que diz que "a pior
gorda é a magra", a Alessandra é um exemplo vivo! Além
de ter demonstrado ter bulimia, a demente se exibe por ter gastado 4 mil
DÓLARES em camisola! A tal da Helena não fede nem cheira,
e é só bonita de corpo, porque um aparelinho naqueles dentes
não seria demais!
O cabeleireiro Sérgio que eu achava que era viado, mas parece que
tá tendo um affair com a Vanessa, que também não
fede nem cheira, mas é mais bonita que a Helena, também
é chato porque fala com um sotaque que ele mesmo inventou! Me lembra
aqueles circos que se intitulam "Grande Circo de Moscow" e o
apresentador fala com sotaque espanhol dos mais bagaceiros.
Mas quem dançou mesmo foi a Marisa Orth, que como apresentadora
de programa ao vivo mostrou ser uma boa Magda.
***
DE SUPETÃO
Roberto Moschen Jr.
Acabo de receber a triste notícia
de que hoje é quinta-feira e, portanto, o Mulatas já está
quase sendo enviado. Ok, esqueci de novo...
Estou escrevendo este texto no quarto do Fábio num bloquinho de
notas amarelo com uma caneta Bic azul mas com a tampinha vermelha.
Reiniciei minhas aulas na Unisinos. Tá tri. Um professor já
deu um trabalho para ser entregue na próxima aula que já
vale pelo semestre. Tô lendo mais que na cadeira de estudos literários
em que tinha que comentar 3 livros por semana.
Bom, sinto pela coluna por demais sucinta, mas compenso na próxima.
Até mais.
***
Versos Soltos
(poemas para serem domesticados)
Animal Ambrosia...
...me disse Sueli, da cara manchada / que a sua ira era devida à
uma mulher de bunda achatada / que comia eletrodomésticos de madrugada
/ e arrotava fios-de-ovos / morava na Rua Sete Povos / sorria para as
codornas da rua / posava de roupa e trabalhava nua / mas que euforia descomunal,
dizia Sueli com um tom animal...
Yolanda e sua Blusa cor de Vômito...
...era uma enorme discussão que havia se formado naquele dia /
fumavam cigarros em fila mesmo de barriga vazia / que agonia / que sofreguidão
/ que ânsia sem razão / que nojo / que dor / não sei
se durmo ou se ligo pro doutor / luzes acesas mesmo de olhos fechados
/ olhos arregalados enquanto dormia deitado / Yolanda é tarada
por palavras feias / sorri quando lhe põem arreia...
A Ave é um Netuno Lúdico...
...me peguei de repente na esquina / a alma me percorria da cabeça
aos pés / calafrios e vi um guarda / caminhava em minha direção
e me apontou um bar / fui até lá, à procura da rima
/ não achei / tinha gente sentada / mulheres feias e um garçon
transformista / saí correndo e dei de cara com uma pista / era
a rima perdida / me atacou de primeira e me deu uma saída...
Cachorros são pessoas que esqueceram de pensar...
...moscas são vassouras que fugiram do altar / unhas são
açougues sem bóia para esquentar / bicicletas são
metrôs sem canhões para apontar / baleias são enguias
sem mãos para abanar /
padres são defuntos com sede de degolar / e meus poemas são
versos soltos esquecidos em algum lugar...
***
E se o Robin fosse cético? parte II
Fábio L. Emerim
Quando Batman chegou correndo
na batcaverna com um papel verde na mão Robin logo saiu dizendo:
-Já sei, é alguma bobagem do Charada!
-Como descobriu? disse Batman dando um pulo no lugar.
-Porque você sempre aparece correndo com uma expressão besta
no rosto. E a cor do papel é sempre a mesma!
Batman deu de ombros e correu em direção do super-batcomputador
recém-chegado.
-O que você vai fazer? perguntou o menino-cético sem levantar
a cabeça e o olhar de sua leitura.
-Ora "o que você vai fazer"? Vou poupar horas de esforço
e vou perguntar pro batcomputador o enigma do Charada! respondeu com as
mãos na cintura.
-Santa pseudociência, seu estúpido! desabafa Robin jogando
o jornal para cima, - de que você acha que é feito esse computador?
-Como assim? perguntou o homem-morcego debruçando-se sobre a mesa.
-Batman, o computador pessoal mais moderno que existe é o Pentium
IV com 1.8 giga!!! Além do que ele poderia ter até 20 gigahertz,
mas sem um banco de dados absurdamente interminável de possibilidade
de enigmas, a gente não vai conseguir nada, sua anta!
Batman aproxima o papel dos olhos e diz:
-Bem, seu espertinho, tente resolver essa então: o que é
o que é que cai de pé e corre deitado?
Robin, não acreditando no que estava ouvindo, falou, quase chorando:
-Seu cérebro.
Enquanto isso, no centro de Ghotan, um banco acabava de ser roubado...
***
Animúnculos Vorazes: Coluna
de Borvaz Sarsa
Borvaz Sarsa através de A.T.Obuyo
// Prefácio Semi-onírico
Voltam as atividades e o espírito desencarnado de Borvaz ainda
e recusa a retomar produção. Na ultima seção
ainda em janeiro produziu dois textos atípicos que repasso aqui.
Na condição de mulo não me cabe julgar estilo, atribuo
os mesmos ao notório exu-dignatário Borvaz. Deixo ao leitor
a conclusão final sobre a autoria.
A.T.Obuyo
Mulo, médium e de ressaca.
// Fim do Prefácio Semi-onírico
Homo Homini Lupus
"Nossos passos na terra, são pegadas na nossa mente. De cada
terra uma lembrança. Cada lugar uma memória. Nossa mente
é o mundo. Ontem, hoje, amanhã. Sempre em frente. Nossa
marcha é o tempo. Havemos de lembrá-lo"
(Zinghara Aminiam, do canto do tempo do mundo)
Theres Aminiam estava cansado. Deitado abaixado no esconderijo esperava
notícias de seu grupamento. O rádio que atentamente escutava
era um vácuo. Silêncio absoluto e morto que em nada abrandava
seu isolamento.
Por vezes lhe irritavam esses aparelhos novos, preferia a estática
dos antigos modelos Shikai de antes desta guerra. Nos treinamentos, ouvindo
o ruído que estes aparelhos faziam durante os exercícios
de coordenação muda, podia se colocar a imaginar os chamados
de ataque e alerta da Grande Mãe. Isso sempre lhe ajudava ao menos
a fingir o contato com o grupo. Com a canção do grupo.
A solidão era dolorosa, causava a loucura. Theres estava só,
mas era um guerreiro adulto e deveria manter o foco: "May-pen-rai".
Não importava. Nada importava. Tinha que lembrar disso.
O ar recendia fortemente a pólvora, a carne queimada, a detonações
de todos os tipos. Theres ouvia atentamente enquanto as explosões
e rajadas se tornavam mais distantes. Mudou sua atenção
para os pulsos surdos de ultrassom: explosões fortes. A algumas
dezenas de quilômetros a batalha ainda seguia com grande ímpeto.
O microfone saturava com os fortes estrondos de impacto, impossibilitando-o
de ouvir qualquer comunicação sonora de outra brigada.
"Maramar n kr, saram kr.!" Lembrou os anos de cria. A voz admoestadora
de Saarya, a terceira mãe em sua família, quando ele se
envolvia em disputas de braço com os demais meninos.
"Brigar é uma vergonha, Saarya?". Irônico. Quando
me colocaram aqui, me falaram de honra. Me falaram da marcha. Que deve
continuar. Me deram os motivos. São boa gente Saarya! São
bons motivos... Porque agora isso importava tão pouco frente a
dor?
Saarya, sempre atenciosa. Onde estaria, se perguntava. Teria ela sobrevivido
aos bombardeios dessa semana? Inutilmente emitiu um chamado de saudades.
Ouviu enquanto o denso som se quebrava entre as ruínas dos edifícios
destruídos que o cercavam.
"May-pen-rai" pensou, deveria se controlar "May-pen-rai..."
......
Voltou a cabeça tentando localizar Ran, seu Urang. A criatura amalucada
havia saído em busca de auxílio quando a unidade geradora
do traje foi atingida, deixando-o ilhado no meio do combate. Theres, havia
ordenado assim, certamente não poderia ele próprio ir procurar
ajuda. Com seu tamanho e sem os amplificadores musculares seria detectado
antes de atingir a zona controlada. Além disso, a sua pernas traseira
esquerda parecia severamente machucada. Deveria esperar.
Havia mais de uma hora de sua partida e era pouco provável que
Ran tivesse obtido êxito. Estavam separados do acampamento pela
zona de combate. Theres se arrependia de sua decisão, o pequeno
Urang seria uma companhia bem vinda nesse momento. Necessária para
diminuir sua agonia, seu desconforto.
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Sua prótese esquerda mal ajustada vinha lhe dando dores de cabeça
com uma freqüência cada vez maior. Ran poderia tê-la
arrumado. Não tivesse machucado o braço, Theres tentaria
ajeita-la sozinho. Do jeito que estavam, os pequenos motores seguiam a
gemer cegamente forçando a prótese em uma contorção
despropositada, vampirizando o que restava de energia do traje. Em breve
ele não teria mais rádio.
......
Ran deveria estar morto a esta altura. Era um sujeito engraçado.
Sentiria sua falta.
Uma viscosa umidade empapava sua barriga por dentro do traje. Tentou mais
uma vez olhar seu torso esquerdo de onde vinha a dor mais forte, mas pouco
podia ver. Sem o retrovisor daquele lado e com os sensores de dano destruídos
tudo que via era uma ampla região carbonizada e os vultos agora
inertes de suas armas. O explosão fora muito próxima e somente
a blindagem o havia protegido. Aparentemente não o bastante.
Um odor metálico dominava-lhe os sentidos. Tentou desvencilhar-se
do cheiro num gesto amplo, e descoordenado do longo braço sinuoso.
A agonia era excessiva, o braço pendia dolorosamente de sua face
ainda tomado pelo cheiro. Podia sentir o gosto do ferro de seu sangue
a vazar para o solo. A fecundar o solo, fechando o ciclo, pensou.
Não! Isso não o consolava agora...
Tentou lembrar o cheiro acridoce de Saarya, ao ensinar-lhe as funções
da higiene. Saarya. Ele pequeno. A família. A jornada. A rejeição.
A memória se turvava.
Passou a pensar na morte.
......
Ele era uma cria ainda. A marcha havia parado. Zinghara iria falar. Lembrava
o momento, era solene. Lembrava a grande ossada, como nenhuma que tivesse
visto antes: o profeta. O vetor da marcha. A grande guia que elevara seu
povo e iniciara a grande jornada.
Um por um os membros da família haviam cantado os ossos. Afagado
os restos, memorizado a química de seu nome e depositado a substância
dos seus. As mães primeiro, então os homens. Theres observava
de longe e sentia medo junto com as demais crias. Nos limites da colina,
ele sabia que encontraria os parias, que prosseguiam acompanhando a família
e neste momento deveria estar a ouvir.
Quando Zinghara, a progenitora do profeta, o gigante do passado, o grande
líder estéril, o primeiro desperto, agora morto finalmente
cantou foi um canto terrível e poderoso. Um canto de morte e glória.
Um grande sonho. A convocação da grande jornada. Mesmo ele
não entendendo o correto conteúdo das palavras, sentiu então
sua importância quando as ondas de som passaram pelo seu corpo.
Eles viveram desde então por este canto. Tantos anos depois, essas
palavras o haviam trazido ali.
.....
Quando os olhos se fechavam e as idéias corriam a solta, cercado
de sons e escuridão pensou ouvir a canção de novo.
O tão familiar chamado conduzindo as gloriosas divisões
da família. Os bravos guerreiros blindados sob o estandarte da
lua crescente.
Jet Lag
Perplexidade é sentimento pelo qual não se paga imposto
igualmente distribuído em parcelas generosas à todas as
gentes. Às vezes, olhando nos quadros de anciões há
muito enterrados de minha própria família, me pergunto se
a perplexidade não tem um quê de hereditária. Assim,
mais ou menos como se no momento da concepção à cada
um fossem dados estes e aqueles sentimentos, enquanto uma voz chiada e
metálica no fundo pronuncia "A ti foram dadas as graças
do ódio e da perplexidade".
Passa-se a vida assim a altear e comprimir sobrolhos até que por
fim sua testa, sanfonada de tanta vida é retratada na parede. Mais
uma variação sobre a perplexidade.
É engraçado, como se todas estas vidas fizessem parte de
uma exposição qualquer. Um experimento estético qualquer:
"Vemos nessa parede a perplexidade através das eras, queiram
por favor atentar para a notável semelhança entre a perplexidade
de 46 e a de 91".
Na verdade a semelhança é enorme. À um observador
desavisado jamais ocorreria que tais expressões fossem reações
a situações tão diversas. No perplexo de 46 a testa
foi enrugada por duas guerras, pela grande depressão econômica,
por uma revolta civil e uma enchente. No indivíduo de 91 encontraremos
uma crise familiar, três ruínas pessoais e um longo casamento
sem afeto nas raízes dos vincos tão pronunciadamente desenhados.
O mesmo artista trabalhando.
Um começo
Teve um sonho, tudo era como uma história de Jackie Chan com mulheres
e jogo ilegal. Houve uma batida ... depois tinha um barco e o rio. Ecos
de No Coração das Trevas.
***
...da série: Piadas Que
Traduzi no Google
Ó Quiz Da Classe
Um primeiro professor da classe tinha o problema com um de seus estudantes,
Johnny.
' ' eu sou demasiado esperto para a primeira classe. Minha irmã
está na terceira classe e eu sou mais esperto do que é!
Eu penso que eu devo estar na terceira classe demasiado!' '
O professor tinha tido bastantes. Fêz exame de Johnny ao escritório
do principal. Quando Johnny esperou no escritório exterior, o professor
explicou ao principal o que a situação era. O principal
disse o professor que daria ao menino um teste e se não respondesse
a algumas de suas perguntas ele devia ir para trás à primeira
classe e se comportar. O professor concordou. Johnny foi trazido dentro
e as circunstâncias foram-lhe explicadas e concorda fazer exame
do teste.
'' o que é 3x3? ''
''9.''
' ' o que é 6 x 6?' '
''36.''
E assim foi com cada pergunta o pensamento que principal um terceiro graduador
deve saber. O principal olhou o professor e dito lhe pensou que Johnny
pertenceu na terceira classe.
' ' deixe-me fazer-lhe algumas perguntas. O que faz uma vaca tenha quatro
disso que eu tenho somente dois de?' '
' ' '' dos pés.
' ' o que está em suas calças que você tem mas eu
não tenho?' '
' ' '' dos bolsos.
O principal respirou um sigh do relevo e disse o professor, ' ' Johnny
posto na quinta classe, mim faltou o último '' de duas perguntas.
Bebida Do Bebê
Como você faz um bebê beber?
Fure-a no blender.
Conversa Do Bebê
Pouco Johnny veio funcionando na casa e pediu, "Mommy, meninas pequenas
da lata tem bebês?"
"No.," disse seu mom, "naturalmente não."
Pouco Johnny funcionou então para trás exterior e seu mom
ouviu-o gritar a seus amigos, "ele é aprovado, nós
pode jogar esse jogo outra vez!"
Christmas Beau De Barbie
Uma menina pequena está na linha para ver Santa. Quando é
sua volta, escala acima no regaço de Santa. Santa pede, "o
que você gosta de Santa de o trazer para o christmas?"
As respostas pequenas da menina, "eu quero um Barbie e um G.I. Joe."
Santa olha a menina pequena por um momento e di-la, de "o pensamento
Barbie I vem com Ken."
o "No.," disse a menina pequena. "vem com G.I. Joe, ela
falsificações ele com Ken."
***
"Você sabia que quem
gosta mais de cuzcuz são os homens?"
(acabei de ouvir, da cozinheira da Olga Bongiovani)
***
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