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As Mulatas de Jesus Cristo - 3 - Canoas 08/06/2001
*Sumário*
EDITORIAL - Fábio Luis Emerim
GRUPO DE APOIO ÀS PESSOAS VERDES- ESPECIAL...especial
"PESSOAS SEM CORAÇÕES" parte II - Fábio Luis
Emerim
DE SUPETÃO - Roberto Moschen Jr.
MINHA CONVERSÃO ESPIRITUAL - Mickey del Cueto
THE RUTLES / MONTY PYTHON - Fábio Luis Emerim
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Editorial...
What a senseless waste of human life...(John Cleese)
Quero um motivo pra escrever.
Teve uma vez que eu trabalhava para um jornal, especificamente na área comercial. Eu vendia espaços nos classificados, em outras palavras, eu ralava feio. Ainda mais sem carro. Ô trabalhinho bem xumbrega. Mas na época eu não podia fazer outra coisa. Começando na faculdade, sem carteira de motorista muito menos um carro mas cheio de vontade de ganhar grana para, pelo menos, garantir o final de semana. Eu ia em qualquer buraco que eu considerasse um, como minha chefe denominava nas reuniões, possível cliente (terrível), e distribuia sorrisos amarelos. O foda é que qualquer figura que entre em um estabelecimento comercial com uma pasta em punho é um vendedor! E daí? E daí que ninguém gosta de vendedor. A não ser que você seja REALMENTE um vendedor. Tá entendendo o drama agora? Eu não era, nem fui e nem nunca serei um vendedor de coisa alguma. Mas eu tentei com todas as minhas forças. Lá pelo terceiro cliente do dia que me dissesse não, eu saía fora e ia num boteco tomar uma Coca Cola, ou, dependendo do humor ou das caras-de-cu que tinham me aparecido, ia numa cerveja mesmo. A situação mais feliniana que me deparei foi quando fui numa tal de Dona Martha, que, segundo a própria, fazia trabalhos garantidos para trazer a pessoa amada (depois me confessou , em off, que também fazia trabalhos para prejudicar inimigos digamos assim, dependendo do dinheiro que a pessoa tinha pra pagar). No caminho até o local, bem no centro da cidade, fui lendo um anúncio antigo da Dona Martha no mesmo jornal. Era fantástica a total despreocupação gramatical:
Você quer seu amor desaparecido de volta? Tens um negócio que não anda bem? Sua vida anda sem rumos? Pois Dona Martha vai ajudar você conseguir o que queres através de trabalho garantido de eficácia.
Praticamente era isso! Chegando lá, num apartamento relativamente grande, uma senhora gorda, enorme, me atendeu e eu, prontamente, me indentifiquei como o contato publicitário que ia fazer o anúncio. Quando e mulher me disse que ela não era a Dona Martha, mas que ia chamá-la, confesso que me deu um medo imaginando que tamanho teria a titular...Em poucos minutos veio uma senhora loira, com seus quarenta anos. E sabe que não era gorda? O local estava cheio de gente, digamos, clientes, me parecia, esperando para serem atendidos. Era uma correria. Fingi não perceber que o avental branco da Dona Martha estava com manchas de sangue (juro, não to rasgando) e nem que ouvia as vozes nervosas de umas galinhas vindo de uma sala no fundo do corredor. Atrás de mim, a mulher que tinha me atendido apareceu, como que tivesse se materializado naquele momento. Devo mencionar que ela fumava um charuto enorme, tipo Churchil?
Saí de lá com o anúncio pronto. Brabo foi tirar aquele fedor de vela e de flor da camisa.
O cara quando é guri só se fode!
Fábio L. Emerim
Colaborações literárias? Mande a sua para mulatas@terra.com.br
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Repasso o texto tal e qual recebi:
Prezado Sr. Fábio
Viemos por meio dessa, além de agradecer mais um espaço aberto para a divulgação de boas idéias, informar que estamos abrindo no Brasil, mais precisamente em Porto Alegre, RS, a facção brasileira da organização GPSG Green People Support Group (Grupo de apoio às pessoas verdes). Trata-se de uma ONG que hoje está em mais de 36 países e teve sua origem em Tel Aviv. Vale dizer que em Tel Aviv nossa sede é conhecida como a Sede Flutuante, pela inviabilidade de permanência em um local fixo uma vez que nossa ONG, como é conhecida atualmente, foi fundada há 20 anos atrás por um grupo de 6 palestinos morando ilegalmente em Israel.
Seu Presidente, o Sr. Abhmul Neggir Abmail, é procurado pela ONU, só que o mundo desconhece, pois a informação é camuflada. Inclusive seu nome não é esse.
As diretrizes básicas do Grupo são:
1- Apoiar, sem distinção, todas as pessoas verdes existentes hoje no mundo inteiro;
2- Localizar, fichar e proteger todas as pessoas verdes do mundo;
3- Desevidenciar as pessoas verdes na sociedade;
4- Queimar arquivos;
5- Injetar nos governos pelo menos uma pessoa do grupo de apoio;
6- Eliminar imediatamente qualquer pessoa QUE NÃO SEJA DO GRUPO que tenha visto um cidadão verde desavisadamente;
7- Negar, veementemente para todos os meios de comunicação de massa que existam pessoas verdes.
8- Fazer plantão em TODOS os hospitais e maternidades para checar nacimentos de pessoas verdes.
Vale dizer que esse mail tornar-se-á totalmente desconexo caso o Sr. dê forward para tentar divulgar essa idéia sem a devida permissão do Grupo.
Aguarde maiores informações
Grato
Bendt Alweolah (meu nome não é esse) Green People Supporter Manager for Latin America
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Pessoas Sem Corações Cap II
Boi não sabia para onde ir, nem Dácio. Dácio não participou do primeiro capítulo dessa saga, mas vale a pena incluí-lo agora porque senão a trama perderá todo o contexto. E Clêiver voltou para o apartamento. Atendeu o telefone que tocava desesperado. Era Ana, a sua vizinha, que chorava ao cortar cebolas.
Lá fora os pássaros ferviam. Da poltrona o gato olhava. Na janela, potes de sagu.
E na esquina, um táxi esperava calmamente.
Bahhhhhhhhhhh........
Naquele mesmo instante, em uma distante montanha no Tibet, um grupo de pesquisadores escutavam um sábio monge que, entre goles de chá, entoava mantras intermináveis há 2 dias sem parar. O desespero tomava conta. A fome apertava. Os cigarros eram escassos e o carro cantava feliz.
O que espera por Arthur, o Homem-Cãimbras?
Bolos, vários bolos...
Continua...
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DE SUPETÃO
de Roberto Moschen Junior - o Yellow
Mesmo tendo aparecido nos primeiros episódios/números/desperdíciosdesta tão afamada e incógnita PVEm (Publicação Via E-mail), somente agora estou enviando algo escrito exclusivamente para o Mulatas. E,melhor, somente agora algo de minha autoria vai sair no Mulatas COM MINHA AUTORIZAÇÃO, visto eu ter vindo a saber somente nesta semana da existência de tal pasquim. Como não tinha nada a dizer, pensei em descrever as fofuras da minha cadela, a Schreck. Achei o tema sucinto demais, daí resolvi desenvolver um estudo sobre a pôrra da Telecom que está fazendo manuntenção há uma semana no meu bairro e derrubando minha linha pelo menos 20 vezes ao dia. E ninguém, NINGUÉM no Serviço de Atendimento (aqueles robozinhos que ficam falando tudo igual), sabe me dizer o que está acontecendo. Mas seria muito rançoso de minha parte. Daí resolvi falar sobre
O MELHORAL INFANTIL
A cultura de um país se faz desde o berço. Isso quer dizer que a auto-medicação já está sendo introjetada em nós desde de que nos conhecemos por gente e conseguimos abrir a gaveta da cozinha para sacar uma cartelinha de melhoral infantil para ficar chupando feito bala. Minha mãe às vezes até via, mas não fazia grande escândalo, como fazia quando eu enchia minha irmã menor de barro e tosava os cabelos dela. Era algo errado, mas não muito... E depois, era só a gente dar o mínimo sinal de quaisquer doenças que ela já tacava Naldecon ou coisa parecida. Na hora, sem perguntar para ninguém. Criança aprende rápido. Eu aprendi que médico é só para quando a coisa tá muito ruim mesmo, já convulsionando.
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Mas que merda! Tenho que entregar esse texto logo, não dá pra pensar em nada!!!!!!!
Vou descrever meu escritório.
MEU ESCRITÓRIO
Ele fica nos fundos da minha casa, que fica, por sua vez, em Esteio. Para chegar até ele, é necessário sair pela porta da cozinha. Logo se avistam as árvores que ornamentam o jardim, nos dão frutos, sombra, oxigênio (e gás carbônico à noite), regulam a temperatura e o nível de umidade, fazem barulho quando o vento sopra e servem de abrigo aos pássaros durante a noite. Dizem também que dissipam energias negativas e atraem duendes, mas ogerizo essa explicação. Passando a primeira árvore, uma caneleira (que fica na frente da primeira janela do meu escritório), logo após ele notou uma pequena ponte de cordas que atravessava um riachinho, de águas muito claras, rodeado de grandes árvores que nos dão frutos, sombra, oxigênio (e gás carbônico à noite), regulam a temperatura e o nível de umidade, fazem barulho quando o vento sopra e servem de abrigo aos pássaros durante a noite. Dizem também que dissipam energias negativas e atraem duendes, mas ogerizo essa explicação. Elas formavam uma espécie de corredor verde, impossibilitando que se enxergasse além da margem ou visse o que havia logo após as primeiras curvas do riacho. Ele resolveu atravessar a ponte.
Do outro lado, ele checou o que havia na mochila. Sentou-se à sombra da laranjeira que fica na frente da terceira janela do meu escritório e viu que tinha uma lamparina (muito útil em época de apagões), uma caixa de fósforos, um canivete, uma caneca de lata, um saco de dormir e uma bússola. Pensou que tinha tudo o que precisava, e continuou em frente. Em seguida, viu algo brilhando no chão à sua frente. Pegou o objeto. Era uma chave antiga, grande e pesada. Parecia ser feita de estanho. Resolveu guardá-la, e seguiu caminhando. Notou que estava numa floresta, não numa selva, nem num bosque. Era úmida e cheia de árvores que nos dão frutos, sombra, oxigênio (e gás carbônico à noite), regulam a temperatura e o nível de umidade, fazem barulho quando o vento sopra e servem de abrigo aos pássaros durante a noite. Dizem também que dissipam energias negativas e atraem duendes, mas ele ogeriza essa explicação, apesar de sua presença ali ser um tanto exo/esotérica. Os troncos estavam um tanto juntos, mas a vegetação rasteira não era muito densa. Na verdade, no meu quintal, antes de se chegar no meu escritório, além das árvores (que nos dão frutos, sombra, oxigênio (e gás carbônico à noite), regulam a temperatura e o nível de umidade, fazem barulho quando o vento sopra e servem de abrigo aos pássaros durante a noite. Dizem também que dissipam energias negativas e atraem duendes, mas ele ogeriza essa explicação, apesar de sua presença ali ser um tanto eso/exotérica) só tem uma hortinha de temperos que meu pai plantou e algumas plantas ornamentais perto do muro. Aliás, ele vê o muro. O muro parece para ele algo não instransponível, mas que ele gostaria de evitar de pular tão cedo. Tem curiosidade de olhar para o outro lado, coisa possível graças a um banquinho deixado próximo dali. Ele olha, e vê a casa do Seu Alceu, meu vizinho, e o cachorro dele, o Pitú, um Husky Siberiano, a raça mais burra e chata de toda a saga canina. Ele segue seu caminho, sem pular o muro (se ele pulasse, tinha terminado tudo), e logo vê outra coisa brilhando no chão. Ele segura a coisa e percebe que é um cristal, muito bonito, brilhante, ponteagudo e frio. Resolve guardá-lo para si.
Sua andança prossegue até chegar numa clareira. No meio dela tem uma casa rodeada de árvores que nos dão frutos, sombra, oxigênio (e gás carbônico à noite), regulam a temperatura e o nível de umidade, fazem barulho quando o vento sopra e servem de abrigo aos pássaros durante a noite. Dizem também que dissipam energias negativas e atraem duendes, mas ele ogeriza essa explicação, apesar de sua presença ali ser um tanto eso/exotérica. A casa é velha, um puxadinho, na verdade. Tem 3 janelas dando de frente para ele, o telhado é uma meia-água. De onde ele está, pode ver que tem algumas luzes acesas, e um dos cômodos tem uma estranha luz azulada, como o de um monitor de um computador. Ele se aproxima da casa e se esconde atrás de uma caneleira, para observar pela primeira janela da construção. Ele vê um homem, cabelos ainda molhados, vestindo um blusão cinza-escuro, sentado de frente para um monitor de computador, teclando alucinadamente. A sala onde ele está é metade de concreto, metade de madeira. Um mapa do Rio Grande do Sul agarra-se à parede por detrás do monitor do homem, iluminado por uma luminária de mesa. Atrás do homem tem dois sofás de madeira e forro sintético, e na parede fica um armário branco, equilibrado em cima dois cavaletes. Olha para o lado e nota uma estante cheia de livros bem ao lado da janela. No cômodo seguinte parece haver duas mesas para desenho, mas não dá para enxergar muito dali. Ele não sabe o que fazer, então. Resolve pegar seus achados, a chave e o cristal, e jogá-los pela janela, como uma forma de saudação/presenteamento.
O homem parece se assustar. Me levanto e saio correndo atrás do personagem impertinente e desastrado, dou-lhe dois ou três pontapés e volto ao computador para enviar por email esse texto pro Fábio Amiga Emerim, que deve estar esperando.
Inté
Roberto Moschen Junior
Porto Alegre, RS - Brasil
Fotos/pictures: http://br.photos.yahoo.com/moschenjr
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MINHA CONVERSÃO ESPIRITUAL
Testemunho de Mickey del Cueto
Segundas são dias mágicos e na última eu tive uma experiência místico espiritual que mudou minha vida. Fui checar uma locação para o documentário em que estou trabalhando, baseado nas memórias de um ator sobre como a experiência de ir ao cinema o influenciou. E um dos cinemas que ele freqüentava era o Astoria, construído nos anos trinta. Ai começa a intervenção divina. Depois do ápice vem a queda , e o cinema Astoria no final dos anos sessenta se transforma no Rainbow, casa de show onde tocaram os Beatles, Jimmy Hendrix, The Who, Sex Pistols, durando ate os oitenta. Depois de fechar por uns anos, virou uma igreja evangélica, Universal Church , de um tal de Bishop Macedo. No tradicional estilo Universal, eles querem uma babinha para filmar la, então eu e o diretor temos que checar o lugar para saber como está. Um detalhe: O prédio é tombado pelo Heritage-nao-sei-o-que por sua decoração e arquitetura. Você sabe que nos anos trinta cinema era a melhor diversão, então eles não deixavam por menos. Segundo quem já tinha ido ir lá era uma experiência alem de ver o filme. E quando o Bispo comprou o prédio por algo como um milhão de libras, ele assumiu o compromisso de reformar e manter o projeto original.
O prédio, num bico de esquina de Finsbury Park, não parece ter sofrido reformas no exterior, ainda com o logo do Rainbow multicolorido no alto da fachada. Mas na marquise tem a nossa conhecida faixa plástica branca com letras azuis e vermelhas. No hall de mármore os quadros de aviso da igreja tem dezenas de ofertas de empregos e um ou outro aviso. No foyer começa a viagem: centralizado por uma fonte de mosaicos dourado, verde e preto em forma de taça, o saguão de entrada é maior do que muitos cinemas grandes de hoje em dia. Em uma mesa de escritório perdida em um lado do circulo está o recepcionista, magrelo, branquelo, de sobretudo preto com a cara enfiada numa bíblia. Pilastras de estilo pesadamente mourisco sustentam o girau do segundo andar e uma abóboda com um enorme lustre art noveau dourado. Nas paredes pinturas esmaecidas de paisagens de uma villa espanhola. Uma escada de mármore com remendos e pedaços faltando leva ao segundo andar, onde a suntuosidade mourisca da lugar a uma coisa mais assumidamente espanhola. As grades do girau combinam com o lustre dourado, mas estão com plástico opaco estendido nelas provavelmente para evitar que os crentes fiquem vendo as calcinhas das crentes. No caminho que leva a sala de projeção, umas cem cadeiras de metal encaram um palquinho com um amplificador e um quadro negro branco, provavelmente para palestras. Nessa área tem vários cartazes descascados de shows e placas indicativas do tempo em que a casa ainda funcionava para shows. Sobe-se uma escadinha, e vem o bar, com o balcão como se fossem as janelas de uma casa espanhola com direito a vista 3D para fora no fundo do bar. Nas laterais tem duas portas forradas de couro marrom escuro com grandes tachas metálicas quadradas, que levam a sala de espetáculos. A sala é um espetáculo, com o palco emoldurado pelo que seria a vista do meio da praça da villa, sendo que os camarotes são as sacadas das casas, toalhas listadas secando nas grades. Tudo 3D, com a silhueta das casas de trás e os morros cobertos de oliveiras no fundo. No palco, um painel com uma cena de por-do-sol estilo Universal cobrindo o fundo branco, uma mesa com o castiçal de sete velas, e um porta-biblias. No outro canto do palco tem uma cruz enorme. Uns dois metros a frente da boca do palco tem um púlpito e uma cadeira ao lado onde um cara franzino, talvez nigeriano, lê ou finge que lê uma bíblia. A frente dele na platéia de poltronas vermelha tem uma dúzia de pessoas esperando o serviço das oito. Da manha. Aquelas poucas pessoas naquele mar de poltronas vermelhas, todas meio concentradas na frente do pastorzinho muito absorto na leitura, com um fundo musical de gospel estilo Universal, em inglês, era muito surreal. Com todas aquelas igrejas no Brasil parecendo supermercado, ter essa aqui que parece um sonho em technicolor de Hemigway em noite de ressaca, e ainda ter que mante-la assim é um paradoxo.Quando você cansou de olhar as casinhas espanholas olhe para cima e vera o céu azul da cidadezinha, com centenas de pequenos buraquinhos onde luzinhas brilhavam como estrelas; e procure o buraco de onde projetores criavam nuvens que passavam no céu. Cinema era a melhor diversão. Enquanto começava o culto fomos dar uma volta nos bastidores entrando por corredores cheios de pilhas de jornal, milhares deles amarrados como quando saíram da gráfica, cada grupo de pilha diferentes números do jornal da igreja. No palco o pastor já falou, eles já cantaram e agora estão entrando na fase aleluia, ou seja , indo em busca da histeria. Eu e o diretor estamos alcançando o backstage, uma caverna escura de teto altíssimo, cordas amarradas nas paredes sustentando não sei o que, da frente do palco vem aquela gritaria - como meia dúzia de pessoas e um mini pastor podem fazer tanto barulho???? - E eu andando ali, onde Santana , Lennon, Hendrix, Page, Plant, Dilan, Vicious, Dury, Blondie, Rotten, Morrison, (o Van e o Jim ) Hendrix pisaram , todos eles pisaram no mesmo lugar onde eu estava pisando, Jimmy Hendrix, porra (e a histeria comendo solta no exorcismo no palco) , foi então que eu vi, e entendi. Eu vi uma marca carbonizada no chão do backstage, na forma de uma guitarra .
Vocês não compreendem???? Ali eu entendi quem eu sou, e qual é meu destino. Ali eu me reencontrei com Ele, ali eu compreendi: Eu sou a reencarnação de Jimmy Hendrix. Por isso meu bloqueio para aprender musica. Ao ver aquela guitarra mística, minha alma se reencontrou com meu espirito, e quase imediatamente eu senti o poder da musica voltar aos meus dedos. Eu sei que vocês vão falar que eu não posso ser a reencarnação de um cara que morreu depois de eu nascer, mas a historia é mais complexa, pelo que eu entendi ate agora, parece que quando eu era o Jimmy, comecinho de carreira, vida difícil , eu vendi a alma ao diabo. Em um desentendimento posterior ele resolveu acertar as contas mais cedo, deixando o meu ex eu como um guitarrista desalmado. Depois de um breve período como mosca para purificar o carma moscas só duram 24 horasminha alma aperfeiçoada virou o que sou hoje. Mas, por um defeito de transmissão, meu talento para a guitarra estava perdido ate agora!!!!!!!
Sai da igreja um novo homem, convertido, esclarecido e com uma missão.Quando
cheguei em casa , fui direto para o violão da Raffa, e quase consegui
tocar a introdução de Smoke on The Water, o que é um progresso
espantoso em relação ao passado. Agora eu só tenho que
praticar, arrumar uma banda, ensaiar gravar um disco, ficar famoso, ganhar muito
dinheiro e comprar essa porra desse prédio do Bispo Macedo, pois filhos
da puta como ele não deviam ser permitidos a comprar lugares tão
viajantes assim.
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****************************R E C O M E N D O****************************
Em 1975 Eric Idle do Monty Python e o músico inglês Neil Innes criaram os Rutles. Uma brincadeira em cima dos Beatles que rendeu um especial pra BBC, dois discos e milhares de fãs no mundo inteiro. Infelizmente, no Brasil, nenhum dos discos foram lançados. Tive a sorte de comprá-los quando estive nos Estados Unidos em 97 e em 98. A criatividade, o humor e a musicalidade de Innes é de deixar qualquer um boquiaberto. A sensação de deja-vu ao escutar as músicas é indescritível. Parece que tu tá escutando músicas dos Beatles que nunca foram lançadas, pois o toque, os riffs e as melodias são próprias dos cabeludos.
O primeiro CD chama-se The Rutles e traz as músicas que tocaram no especial da BBC All You Need is Cash. Maravilhas como Blue Suede Schubert, Ouch, Cheese and Onions são de se mijar de rir. No especial da TV, os Rutles eram Eric Idle na pele de Dirk McQuickly (Paul McCartney rutle), Neil Innes como Ron Nasty (John Lennon rutle), Rikki Fataar como Stig OHara (George Harrison rutle) e John Halsey como Barry Wom (Ringo Starr rutle). O nonsense característico do Monty Python é presente na alma do negócio. O segundo CD foi lançado em 96, estranhamente sem a participação de Idle, no vácuo do Anthology dos Beatles. Maravilhosamente chamado de The Rutles Archaeology, as pérolas são igualmente geniais e me pareceram mais cuidadas. Minhas favoritas são Rendezvous, Questionnaire, Joe Public e Lonely-Phobia. Vale a pena procurar na CD Now ou em qualquer importadora de CDs.
Quer saber mais sobre os Rutles? Dê uma olhada em www.rutlemania.org.
Falando em Monty Python...
Comprei em dvd (e pela intenet pela primeira vez; me caguei todo, mas arrisquei, não achei em nenhum buraco) o maravilhoso filme Monty Python e o Sentido da Vida, uma obra! Já tinha em VHS, mas em dvd fica oooooutra coisa. Vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes de 1983, o Sentido da Vida é considerado o melhor trabalho do sexteto maluco de humor inglês. Embora já tivessem feito A Vida de Brian em 1978, que eu acho perfeito, o Monty Python matou a pau ao tentar explicar da maneira mais nonsense que existe o significado e a razão da nossa existência. John Cleese, Eric Idle, o falecido Grahan Chapman, Terry Jones, o único americano da trupe Terry Gillian e Michael Palin arranjaram grana pra produzir esse filme depois de uma turnê pelos EUA em 1982, que rendeu também um vídeo chamado Monty Python Ao Vivo no Hollywood Bowl, que também contou com a presença de Neil Innes e Carol Cleveland.
O Monty Python teve seu debut na TV inglesa em 1969 com o cult dos cults Monty \n'; document.write(barra); } } changePage();
www.pythonline.com
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"Quando um cego guia o outro, os dois acabam caindo num buraco"
...Li num folheto evangélico....
Staff:
-Fábio Luis Emerim
-Roberto Moschen Jr (Yellow)
Colaboradores:
-Mickey del Cueto
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