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As Mulatas de Jesus Cristo - 13 - Canoas 17/08/2001
***Sumário***
EDITORIAL - Fábio Luis Emerim
CASULO 14 - O PORTAL DAS AVERIGUAÇÕES NOTURNAS - Fábio
Luis Emerim
DE SUPETÃO - Roberto Moschen Yellow Jr
VISTA-SE DE MONTEI-ME - pelo Clube da Emoção Fazenda
VERSOS SOLTOS - Fábio e seus alter egos
COLUNA DO BORVAZ SARSA - Borvaz Sarsa
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EDITORIAL
Verão em Agosto
Verão é bom. Tri bom! Gosto mais de verão que de inverno. Mas em janeiro!
Estou irritado com esse veranicão de agosto (não era pra ser só em maio?) que a gente tá sendo obrigado a engolir. Trabalhar no calor é foda! Principalmente pra quem tem que trabalhar mesmo!
Mas eu quero é praia! Passar calor aqui na cidade é doloroso, desgastante. Tenho um amigo que disse que gostaria de ser Deus (sic) só pra despejar uma avalanche de gelo sobre as cabeças daqueles inúteis que vão à Gramado pedir neve! Pelo menos morreriam satisfeitos! Gostar de inverno é realmente uma coisa que não me entra na cabeça. Dizem os adeptos do frio que é legal ficar embaixo das cobertas, na frente da lareira e jogando carta! Ora, por favor! Jogar carta embaixo do cobertor? Que coisa mais terceira idade, que coisa mais Tia Castilha! Olha se eu, no auto dos meus 27 anos, vou preferir estar nessa situação pusilânime a estar na beira da praia lá no Rosa de barriga pra cima e tomando uma bereja? Inverno, bahhhh...Aí vai aquelas famílias inteiras pra serra, e, entre reclamações dos preços das coisas mais inúteis, como aqueles artesanatos chatos, sempre tem alguém querendo ir visitar aquela porra do Mini-Mundo! Não sei se vocês estão acompanhando o drama, mas serei mais claro: EU ODEIO O MINI-MUNDO! Aliás, eu odeio os pedalinhos do lago negro, odeio a cascata do caracol, enfim: não me chamem pra uma excursão pra Gramado/Canela. Claro que o café colonial é perfeito, e também os chocolates. Mas prefiro fazer isso com uma vista ao mar! E de preferência de bermuda.
Tem coisas que quando a gente é guri deveriam ser proibidas que a gente visse. E Blade Runner é uma delas! Primeiro porque é um filme que tem uma plástica totalmente revolucionária pra época, tem um clima sombrio e foge bastante daquele molde do cinema americano; e segundo porque somado às músicas do Vangelis e um roteiro genial, acaba por ser um filme genial! Só que guri é foda e não tá nemj aí pra esse tipo de, digamos, didática alternativa. Tá é afim de ver perseguição de carros, sangue e poucos diálogos! Eu era assim. E você também era, não se faça de besta! Meu problema com o Blade Runner é que, quando tu tens acesso a um tipo de informação que difere bastante daquela que tu estás acostumado a engolir no Supercine ou na Sessão da Tarde, tu tendes a achar ruim! Da mesma forma esse fenômeno me ocorre com o jogo de xadrez! Eu quis aprender quando eu era tri guri e, óbvio, não entendi merda nenhuma. Sem contar que quem tava tentando me encinar não tinha o mínimo tino para isso! Deu que eu acho Blade Runner chato e não suporto xadrez! Inclusive eu estou vendo o filme agora e tento (juro) gostar! Um dia eu chego lá! Mas xadrez to fora! Prefiro Banco Imobiliário...
Da série apareceu no ICQ
For some strange reason, frog numbers all around the world are on the decline. No one can explain this problem, and the scientists around the world can only guess. One thing is for certain, there are much less frogs in the world than there should be. The amount of missing frogs is very alarming. Further, they are finding many frogs with deformities such as frogs with three or more legs.
Taduzindo:
"Por alguma estranha razão, o número de sapos ao redor do mundo está em declínio. Ninguém consegue explicar esse problema, e os cientistas no mundo inteiro podem apenas supor o que possa ser. Uma coisa é que, certamente, há bem menos sapos no mundo do que deveria haver. A quantidade de sapos desaparecidos é muito alarmante. Além disso, estão sendo encontrados muitos sapos com deformidades, tais como sapos com três ou mais pernas.
Minha Auto-Combustão Humana Espontanea:
Texto sobre Combustão Humana Espontanea traduzido em algum tradutor da www...
Tava assim:
O calor gerado assim é intenso (2500 F) e concentrado que frequentemente não há nenhum fogo começado, e a pessoa se queimam simplesmente para a direita através do assoalho, às vezes através de diversos assoalhos! As flamas parecem também defy as leis de natureza queimando para baixo.
( Isso é deveras bizarro! Eu acho que meu próximo conto chamar-se-á: A Combustão Humana Espontanea de Tânia )
Fábio L. Emerim
Colaborações literárias? Mande a sua para mulatas@terra.com.br
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Casulo 14 - O Portal das Averiguações Noturnas
Fábio Luis Emerim
"Globalização não é um conceito sério.
Nós, americanos,
o inventamos para dissimular nossa entrada política de
entrada econômica nos outros países."
John Kenneth Galbrath, economista norte-americano
To escrevendo isso vendo a Senadora Heloísa Helena sendo entrevistada pelo Lasier Martins (weird).
Sou fã dessa mulher! Não por ser do PT, ( claro que isso é um ponto positivo, mas procuro evitar me enganchar em somente um perfil partidário ), mas porque ela tem uma atuação no Senado que, se 1% dos senadores que lá estão a tivessem, o Brasil teria uma imagem mais digna do que a que estamos acostumados a engolir. A frase célebre da Senadora para o ACM em uma das CPIs sobre aquela palhaçada do painel de votação onde o malvadeza disse não se lembrar se o voto dela tinha sido a favor ou contra a cassação do Senador Luis Estevão, minha história não pode virar refém da sua memória ecoou e ecoa até hoje nas rodas onde a política é um assunto constante. Quero falar sobre a globalização, E ouvir a Heloísa Helena falando me dá mais, digamos, tesão pra dissertar.
Para as pessoas começarem a ter noção do que vem a ser a globalização, precisamos entender melhor a necessidade de se saber conviver com a diversidade de idéias e culturas. Ora, encarar o que é diferente não como uma afronta, mas como uma riqueza social é, não só um exercício interessante, como necessário. O equilíbrio existe porque há diferenças e é isso que muitas vezes se esquece. O que ocorrre hoje em dia, e é patrocinado e divulgado pelo governo Fernando Henrique, é exatamente o oposto, ou seja, transformar o mundo (não estou exagerando) em uma massa só e de atitudes e comportamentos incrivelmente iguais e previsíveis. Ora, nada mais fácil do que impor controle sobre algo que é de movimentos friamente calculados. Às vezes meus amigos se impressionam quanto ao meu rechaço à rede de hambúrgueres McDonalds. É pelo sabor de suas iguarias? Não necessariamente. O que fundamenta minha atitude quanto à lanchonete McDonalds é o fato de que aqui na minha cidade, em Nova Iorque, Japão e mais recentemente na ex-União Soviética, milhares de pessoas estão almoçando o número 1! Mas o que há de mal nisso?, você pode perguntar. Ora, o que ocorre não é globalização, mas uma estadosunidação, pois os EUA querem que o Brasil abra totalmente seu mercado para as mercadorias feitas por eles. Mas a vice-versa não é verdadeira. Os produtos brasileiros têm enormes dificuldades em penetrar nos EUA. A laranja e o aço são exemplos típicos de produtos brasileiros que são sobretaxados, de forma a não concorrerem com os similares norte-americanos. Ora, que globalização é essa, onde somente um país impõe regras e seu modus vivendi?
A coisa toda se dá vagarosamente, tipo a idéia do cafuné mas a seringa penetrando, entende? Aí vai-se ao cinema ver uma coleção de filmes estúpidos que atraem pela plástica, mas não pelo conteúdo, ou seja: cinema-bigmac. Mikail Gorbatchov e o Boris Yeltsin não cansaram enquanto não abriram o mercado para o capital estrangeiro (leia-se capital estadounidense), agora vái lá em Moscou e caminhe de noite na rua sem ser assaltado!
Não pretendo me extender porque não gosto de ser chato. Mas também considero importante esse assunto ser recorrente e sempre ser discutido para reavaliarmos bem o que está acontecendo ao nosso redor. Tipo, parar pra pensar e questionar o real valor daquilo que estamos sendo levados a fazer em nosso dia-a-dia. De que lado você está?
O dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro - Nelson Rodrigues
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DE SUPETÃO - por Roberto Moschen Yellow Jr
O Luxo do Emergente
Coisa brega... um amigo dizia que era o kit brega: caneta Mont Blanc, celular e carro conversível. Meio desatualizado isso, celular já teve sua época áurea de símbolo de statuts. Mas resumia muito bem essa situação.
Entre o endinheirado de berço e o "emergente" existem algumas diferenças básicas no uso desses símbolos de status. Aliás, já meio sabidas, mas vale a lembrança (aviso: nem sempre isso é verdade).
O de "berço" aprende a usar essas coisas desde cedo, tem uma elegância natural, é bem-educado porque realmente é assim, foi bem-educado.
O "emergente" vai aprender assim que lhe começar a cair o dinheiro na mão. Vai ser elegante quando isso for visível e lhe trouxer status. Vai ser bem-educado porque viu alguém importante ou colunável sendo. Vai comprar objetos caros não por serem melhores, ou estar acostumado a comprar aquilo, mas porque dão status, representam algo.
Essa é a diferença entre os dois tipos. Um faz as coisas simplesmente porque pode, "aproveita" porque pode e está acostumado, mas usaria uma Mont Blanc com a mesma naturalidade com que usaria uma bic. Aquilo não lhe afetaria em nada. O outro já seria afetado, sentiria uma "volta às raízes", lhe seria custoso largar sua Mont Blanc e pegar numa bic. Parte dele ainda se sente meio "pobre", pode-se dizer.
Ah, e "berço" nem sempre quer dizer que a família tinha uma ótima situação econômica, mas sim que era uma família equilibrada, bem situada, objetiva e sem deslumbres.
Tem um terceiro tipo, um pouco mais patético, que é o que quer ser emergente. Pobre, anda por aí torcendo o nariz pra tudo, gasta tudo o que tem em 1 pecinha de roupa de grife e nunca faz nada porque não tem dinheiro para ir onde ele quer.
É incrível como as pessoas se deixam levar pelo status que alguns objetos proporcionam. O luxo é ótimo (politicamente incorreto, mas ótimo), mas fora de proporção fica ridículo.
Jamais perca seus objetivos de vista.
Globalização Redondinha
"Globalizar é deixar redondo, redondo. Alisar bem, tirar as arestas, pontas e deformidades até ficar uma bolinha bonitinha."
Anita Odemeyer - O Vazio e o Oco
Não me sinto à vontade para falar disso. O Fábio disse que tinha sonhado com a globalização e que por isso o tema do MJC dessa semana seria esse. Coisa idiota. Acho batido demais o que tenho a dizer... :O/
Já se falou demais sobre globalização. Já ouvi vários economistas dizendo que a globalização já assinou sua sentença de morte, outros, do tipo mais animadinho, nem discutem, mandam ver no processo de unificação global... que piada. Sinto como se o mundo tivesse virado uma propaganda de creme dental. Nada é sério, sorrisos lindo por todo o lado falando de globalização como um fenômeno uno e manipulável. Não há nada de manipulável no fato do mundo estar se tornando mais unido comercialmente. O que muda é a canalhada da WTO ser mais ou menos maquiavélica nos seus planos de obliteração dos governos em prol do livre acesso das empresas.
O que é o governo, ou pelo menos deveria ser? É a vontade do povo organizada cuidando dos seus interesses, zelando para que aquilo que realmente interessa, a vida humana, seja valorizada e encontre as melhores condições possíveis para que se desenvolva e alcance suas potencialidades.
Empresas não têm esse interesse, o interesse delas é o lucro. Fazem muito bem, na minha opinião, mas são interesses diversos. E não me venham com essa papagaiada de que, no final de tudo, existe um equilíbrio que fará com que a livre concorrência termine num mundo maravilhoso e com oportunidades para todos. O próprio sistema capitalista já deu mostras de que não dá muito certo se deixado à deriva. Só dá merda! Estão todos ficando mais burros, a desigualdade social está aumentando, as crises nos países mais pobres continuam, quando não pioram, e me digam se não era para estar bem melhor com a tecnologia que já adquirimos?
Ok, não é assim que funciona... não há incentivo a pesquisa de verdade sem bons interesses financeiros envolvidos. Natureza humana. Mas a coisa anda mais para o esquisito, não acham?
E, para terminar, a saliência que eu quase peguei tinha indicadores de que ele subiu lá ou mandou vir de caminhão?
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨DIAS DE ESTANHO¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
Dias de Estanho está temporariamente cancelado até que minha vida se torne interessante o suficiente para justificar essa coluna.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨:O)¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨
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Vista-se de Montei-me, a Parte do Cavalo que Mais Gostas, Guria?
Coluna do Clube da Emoção Fazenda
Para a sua reflexão, pessoal:
Encontre por favor para certo se meu marido estiver inoperante,
porque o homem que eu estou vivendo com não pode fazer uma coisa
até que souber.
Esta é minha oitava criança. O que são você que vai
sobre ele?
Eu puxei afastado do lado da estrada,
olhado de relance para minha sogra e dirigido sobre
embankment.
Eu pensei que meu Window estava abaixo mas encontrado lhe era
acima de quando eu passei minha mão através dela.
Um carro invisível saiu em nenhuma parte, meu golpeado veículo e desaparecido.
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Versos Soltos...
Calor na Bacurinha...
Minha voz de guri / ecoa / pelas almofadas / para atingir / as coisas / erradas...
Frio na Espinha...
Faz-se de salame / enxame / faz-se de estrume / vaga-lume / abriga-se em seios fartos / pós-parto / coluna vertebral / nítida...
Cachorrada Vesga...
Bota pra quebrar / escreva a letra toda / a música e a loucura...
Isqueiro d'alma
cama de casa / casa comigo / durma com teu inimigo / acorda do lado de fora / namora?
)()()()()()()()()()()()()()()()()()()()((*&*&*&*&*&&*¨&%¨¨$*(*&*¨&%&%¨$%$##@#@##$%@$#%@$#%@$#%
Coluna do Borvaz Sarsa
Borvaz Sarsa
Há aqueles que dizem que existem cronistas e existe Borvaz.
Com seu tino, seu senso de oportunidade único e sua incrível erudição
adquirida pela leitura insaciável de Seleções, seu estilo
deixou uma marca indelével na literatura brasileira de origem umbandista
no início da década de cinqüenta. O trágico assamento
de seu mulo em circunstancias poucoesclarecidas silenciou mais essa importante
voz por quase duas décadas. O retorno triunfante de Borvaz através
de Obuyo foi anunciado em uma sessão realizada em meados da década
de oitenta no capítulo manauára da Sociedade de Sebastião.
Presságios de sua chegada foram verificados em três estados e comunicados a casas de todas as assignações cardinais. São especialmente dignos de nota: o nascimento de um bezerro tricorne na Fazenda Bel'Alma de propriedade de Lurdinha Maciel no estado de Goiás, bem como a não menos impressionante chuva de serelepes na localidade de Genuflexão de Ana Eliza à Santa Voragem no interior do Paraná ("Serelepes! Serelepes!" - Teria se pronunciado um dignatário local a respeito do ocorrido).
Um iconoclasta, o psicografado Borvaz teria declarado a respeito de si mesmo:
"Prefiro me considerar, não um humano, nem um mais-que-humano, porém,
e tão somente, uma sociedade de agentes com um viés de esquerda".
É com o sempre atual, muitas vezes ilegível e, ainda, quase sempre
dispensável, Borvaz que vos deixo nesse momento.
A.T.Obuyo,
Terapeuta Floral e Mulo Profissional
Noites Cafeínicas (N.C.): Dialogos adulterados de Deão e Marelli por via de Borvaz Sarsa
Da natureza do transe. Da natureza do transe.
Noites avançadas e toneladas de café não me são completas
desconhecidas. Em muitas destas noites, notas apressadamente
borradas são trocadas com meus demais camaradas noctívagos.
A sua natureza semi onírica lhes confere uma qualidade única
no entendimento da Voragem e de seus quatro Arautos.
Façamos a elas, às noites, portanto, referências oblíquas.
A repetição ilumina. A repetição ilumina.
(N.C) O Trato de Deão e Mareli. A noite cai. Pássaros negros
conjuram augúrios. Houve-se uma serra elétrica ao longe.
Deão é acometido por uma memória. A cena se constrói.
Deão - Vamos fazer o seguinte. Eu escrevo um monte de coisas
e mando pra ti.
Depois que eu tiver chegado a 3000 palavras a gente edita e
repassa para o MJC.
Pronto! Procrastinei a tarefa!
Marelli - Vai escrever as 3000 palavras hoje? Seria uma boa.
Escreve algo, porra! Senta na frente do PC, abre um editor
qlqr de texto e escreve a primeira coisa q te passar pela
cabeça. Pronto, escreveu, tarefa feita, dever cumprido,
hábito formado.
Deão - Cê tá lembrado da brincadeira
gravidade(peso)/gravidade(agravamento), naquele livro xarope
de que a Tais baixinha falava revirando os olhos? Começo a
ver padrões mesmo naquilo...
Eppur si... Eppur si
Populações que se alternam, em ciclos de ciclos, deciclos.
Uma corrida como a da rainha vermelha de Alice no espaço de
fases ao invés do espelho. Variáveis precipitando-se
infinitamente, infinitamente repetindo as mesmas situações.
Com mudanças mínimas, irrelevantes. Padrões de padrões de
escolhas com conseqüências que se replicam em
auto-similaridade recursiva. Semelhança fazendo diferenças.
Para Aristóteles tudo era movimento. Mesmo os movimentos da
vontade. Faltavam as referencias. Certamente lhe assustaria
dos domínios que este movimento assume. O qualia jogado ao
canto, enxovalhado, junto ao éter e ao bicho-papão.
O retrospecto é enganoso, serpente de explicações
facilitadas. Toda teleologia é ilusão causada pelo
observador. E, por favor, vá discutir relativismo com o
Leão.
(N.C) A noite transcorre. Deão e Marelli articulam
argumentos. Uma repentina corrente de ar frio anuncia a
voragem. O som da serra torna-se mais alto. Gavinhas negras
insinuam-se na cena.
Deão - Lembra toda aquela explicação que eu dei sobre
complexidade e catástrofes que não deu pra entender?
Marelli - Eu meio q entendi...
Deão - Não obstante, aqui vai mais um corolário: "A desgraça
vem sempre acompanhada". O
Próprio Per Bak sugere que se use isso para ganhar dinheiro
com seguros.
Marelli - Hummm... lembra aquele ditado, desgraça pouca é
bobagem, ou, desgraça, quando vem, vem em três (essa é velha
e ninguém mais fala, mas eu lembro). Pois é...
O chão se abre pra trás, jogando-lhe o vento à cara.
É a reta final. A madrugada lhe privou do calor do corpo. Os
pés são massas inertes com que golpeia a calçada.
Precipita-se por corredores e escadas. A ar queima o peito.
Os olhos fitam distantes-míopes-febrís. A cabeça é uma
ladainha:
"... avaliação. A distância é curta: Cancha reta de 100
jardas, ou alguma outra unidade de medida que faça
referencia elíptica a alguma parte do corpo de um morto
qualquer. Tudo está ajeitada, tudo está pronto, embrulhado e
novo para fins de avaliação. A distância é curta: Cancha
reta de 100 jardas, ou alguma outra unidade de medida que
faça referencia elíptica..."
Nos dias de antes. A correria o deixa num estado ambíguo: de
um lago agoniado para terminar tudo, e livrar do fardo, de
outro sentindo a incrível claridade de andar à meta posta. O
tempo é curto. Estuda com a menina. A menina e os olhos
redondos. O tempo é curto. O objetivo é claro. À boca
pequena comenta:
"Bem, discussões sobre a transcendência da experiência de
vida à parte: estou parcialmente contente. Dar-se-á conta
disso de própria vista: Pende-me dos cantos da boca aquele
sorrisinho besta de quem tem sono ou está
fudido-e-não-pode-dizer-nome."
Hoje. Perdeu a hora. De certo não o previra. Hoje. Pegou
engarrafamento e chegou ao evento muitos relógios atrasado.
A meta é alcançada. A porta é um não fechado. O trabalho é
entregue, mas é tarde, o professor, contrafeito, criou um
terceiro trabalho e uma prova. A meta se bifurca. O tempo se
divide. Está a medir forças com a exponencial. E perdendo.
Ah! E não vê a menina também.
(N.C) Deão e Marelli começam a ceder. A ar é uma tapeçaria
retinta. Nos desvãos filigranados o som de serra alteia a
trincar de dentes. O primeiro arauto é passado. Deão revela
sua profissão de fé.
Deão - ....juro: vivo tendo idéias geniais com sono, só
esqueço antes de escreve-las. Lembro claramente de uma
musica que eu concebi enquanto dormia no ônibus: ia ser por
certo um hit dançante e era toda tocada a flauta. Uma perda
para a cultura POP.
Marelli - Já inventei a máquina do movimento perpétuo no
trensurb, trecho Anchieta-Fátima.
(Neste ponto as gavinhas negras ocupam a maior parte da
cena, impossibilitando a visão e, por instantes, mesmo o som
se perde)
Deão - ...a propósito: não sei o que é MEME como tu estás a
falar. A única coisa que sei é que é mais um conceito
técnico sendo barbaramente deformado por humanist \n'; document.write(barra); } } changePage();
anabacosos.
Marelli - Bom adjetivo anabacoso! Talvez eu use...
Deão - Gostou do adjetivo? Eu mesmo fiz:
Anabacoso: (adj) Sujeito incapaz de coordenar as idéias
sequer a ponto de compreender o funcionamento de um ábaco.
(alt.pop.) Bodum.
Deão - Saco, saco, saco! Nada funciona e o mundo é uma
enorme latrina. Acho que não estou num bom dia para
cronicar...
Só de olhar se via
Ja não lhe ocorreu, informado leitor, o que seria do mundo
se alguma religião ou seita maluca fosse a detentora da
verdade? Talvez tenhas pensado com terror sobre isso. A
desagradável perspectiva de prestar contas com alguma
entidade multípede e/ou vingativa nunca te apavorou naquelas
horas de penumbra a olhar o teto?
Houve uma vez, quando tudo era novo e só de olhar se via,
uma religião que estava correta sobre a natureza última do
mundo. Afora esta particularidade estranha, era uma religião
como outra qualquer. Usavam togas, faziam cultos, seguiam
normas, cometiam atrocidades. Várias de suas doutrinas eram
absurdas. Muitas vezes a hierarquia se negava a ver a
verdade. Apenas, aconteceu que estavam corretos e a natureza
de sua crença era tal que os corretos, dado tempo
suficiente, prevaleciam.
Hoje, estão esquecidos, e não tem mais templos, seguidores
ou sacerdotes. Sua crença se tornou laica e diariamente
entoamos seus cânticos, erguemos monumentos a seus deuses e
confiamos cegamente em seus oráculos. Estavam certos, e, por
isso, como culto foram esquecidos. Funcionava, não era
humana, não se importava com quem comia a vizinha, não
reduzia a existência a denominadores fornicológicos.
Não era POP.
(N.C) Nada mais se vê. As vozes de Deão e Marelli se perdem.
Privados de comunicação, monologam longamente. Os gritos
mudos perdem força perante a serra. A voragem toma conta.
Dissolução.
Marelli: Estive pensando em começar a usar o mo. Tipo, "Não
mo entregaram por ser demais precioso". Será que ainda pode?
Tinha muita coisa interessante na nossa língua que caiu em
desuso. Mais por estupidificação generalizada que por
evolução mesmo. Engraçado como lembro mais e mais de G.O. -
1984... Me dá um certo receio, mas creio que já estarei
morto quando tudo isso enfim se concretizar - se acontecer,
é claro.
Deão: Dize-mo tu. Eu?...somente aquiesço.
Marelli: Acho que tu andou relendo Augusto dos Anjos depois
que te mandei aquele poema. Absurdo como coisas tão
sem-graça como a rotina da gente podem virar poesia. Isso
sim, devia ser proibido. Mas estás particularmente
inspirado. Eu diria gracioso, mas a palavra poderia me
render um olho roxo (bom, vindo de ti, mais provavelmente
uma articulação rompida). Então fico com inspirado.
Deão: Acho que vou fazer resenhas do pretendido e jamais
realizado. Estou elevando a procrastinação a status de arte.
Marelli: Todos temos que ser bons em alguma coisa, né?
Deão: Ontem fui acometido (quase cai) de uma inspiração mais
que súbita: Tinha que escrever um poema. Quase uma ODE ao
despreparo. A estrutura ainda me persegue ... mas é feita
de vento.
Deão: Raciocínio não se ensina: se circuita em idade tenra.
Depois, pálida emulação que exige mais dedicação que a ioga
e tem menos resultados que dieta de revista.
Deão: Eu tinha um motivo para escrever mas esqueci.
Marelli: Não importa. Nada importa.
Shiva Pashupati / Shiva Nataraja
Cada elemento um universo auto contido. Variáveis internas
rancorosamente conscientes de um histórico passado. Semente
da diversidade. Limitados por seus contornos. Por suas
formas. Pelas características de suas iterações, sempre
locais.
Pendem da parede azulejada as gotas d'água adiposamente
acomodadas.
Rastejam, conhecem, alteram suas vizinhanças. Se fundem e
geram novas configurações. E, eventualmente, precipitam-se
no abismo primordial do ralo onde aguarda a bocarra aberta
da dissolução.
Umas caem por força da catástrofe. Tomadas de roldão ao se
interporem no caminho de igualmente meteórica arremetida.
Outras, por um nada. Por uma junção de fatores, que levem
seu crescimento a ultrapassar um limite.
Tão seu esse limite. Tão individual que ao observador parece
algo de caprichoso. Embora não mais seja que conseqüência
complexa de umas poucas regras simples. Comportamento
imprevisível e, ainda assim, uma vez decorrido, tão lógico.
Nu, no box, olhos malemolentes, boca decaída. Extático,
observa o balé na parede. Fenômeno de criação e oblívio.
Riscas negras meteóricas em padrões sempre novos, inauditos.
Alheio a água que goteja, determinística, sobre sua pálida
superfície, respingando, de uma terceira dimensão, que para
a gota na parede é magica, caos e criação sobre a superfície
da pedra.
"Tô vendo tudo em 3D" N.Theves.
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