AS MULATAS DE JESUS CRISTO - 30
 AS MULATAS DE JESUS CRISTO
 Publicação via e-mail semanal

AS MULATAS DE JESUS CRISTO 
nº 100
- Canoas - 23/06/2003 - Desde 2001 
____________________________________________________________

SUMÁRIO

EDITORIAL Fábio Luis Emerim 
ÁGUA NA PLEURA Fábio Luis Emerim
BOMBA DE FLIT Bruna Maia
TARDES DE MANDOLATE Roberto 'Yellow' Moschen Jr
COLUNA DEL JULIÁN Julián Catino




***


EDITORIAL
Fábio Luis Emerim

Então chegamos ao número 100! Quem diria, hein? Uma publicação marginalzinha, sem mídia, sem divulgação e sem grana resiste única e exclusivamente porque existe você, meu caro assinante, que perde seu precioso tempo lendo nossas colunas que falam da vida das pessôa!
O dia-a-dia em Mulatas, coisas que saltam, fedem e têm pêlos. Mulheres nuas, homens de roupa, cachorros latindo, guris se masturbando, enfim: cotidiano bizarro.

Era pra ser na quinta à noite, pra vocês lerem na sexta, mas me atrasei e ninguém tinha me mandado texto até quinta, daí ficou pra essa segunda. Também foda-se, é de graça mesmo!

Muito obrigado, então, prezados assinantes, por acompanharem esses 100 números do Mulatas, espero que daqui a 100 edições eu esteja falando o mesmo tipo de idiotices babacas sobre esse tipo de aniversário. Ahhh, que saco!


Fábio Luis Emerim - mulatas arroba terra ponto com ponto bê érre 


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Spam é o caralho!


ICQ da redação do Mulatas: 125549008



======!!!!!======= 

ÁGUA NA PLEURA (www.aguanapleura.blogger.com.br)
Fábio Luis Emerim

Na minha casa nova vou ter um quartinho de brincar só pra mim!!! Com TV, som, DVD e computador :oD

Sempre achei que o homem não fica adulto, só a mulher. A mulher já começa a sua maturidade precoce ao brincar com a primeira boneca, quando treina ser mamãe, que é, junto com o gene do casamento, as programações 'in utero' que vêm ao mundo com as pessoinhas do sexo feminino. 

Homem não, homem nunca fica adulto. Quando muito um pós-adolescente frustado. O menino de dez, doze anos quer ter carrinho, depois , ao fazer 30, quer ter o mesmo carrinho, só que quer caber dentro. Tem som no carro, pra ouvir músicas em volumes incondizentes e tem home theater, pra brincar de cinema.

Mulher? Não, mulher quer casar, ter filhos, fazer reuniões de família pra comentar da coitada da Lenira que brigou com o canastrão do noivo, que saía com a loirinha da cafeteria. Mulher só ri quando quer, e sempre faz cara de nojo quando seu homem mostra o dvd que comprou mas Americanas.com.

Por isso que eu quero morar com a Marlise, que é mais séria que eu, mas tão bobalhona quanto. Que não tá afim de pensar em ter filhos, mas é adulta. Que quer ir ao teatro, ao cinema, sair com nossos amigos, e ao mesmo tempo me dá DVD de presente de aniversário pra ver em casa comendo brigadeiro. A gente, mais cedo ou mais tarde, sempre encontra a nossa companhia perfeita. 

Boa sorte pra nós.





BOMBA DE FLIT
Bruna Maia


Queridos leitores!
Vocês já repararam que distribuidores de panfleto se proliferam cada vez 
mais?

Parece praga! Tu vai andar na rua e é atacado por uns 150 mil, que te 
olham com olhares furiosos do tipo: pega senão eu te mato! A gente se sente com 
tanto medo que é obrigado a pegar. Eu não acho que esse tipo de marketing dê 
certo... Para mim pelo menos não dá, pois eu não costumo ler, coloco na primeira 
lixeira que vejo na frente.

Outra coisa que eu até agora não consegui entender como pode ser chamado 
de propaganda é o tele-marketing. Francamente, uma pessoa te ligando nas horas 
mais inadequadas, para te vender os troços mais estranhos, falando como se 
fosse um robô automático não dá a menor vontade de comprar nada!

Pensando nisso resolvi criar um tele-marketing com utilidade. Funcionaria 
assim ó: O cara liga para lá, se cadastra, diz o que detestaria que ligassem 
para oferecer e as perguntas que mais lhe irritam. Feito isso, é só dar um 
toque para a central naqueles dias em que se está muito afim de brigar com 
alguém, que dentro de dois minutos ou menos, um adorável e simpático vendedor com 
uma voz monótona irá te ligar, então tu aproveita e desce o cacete.

A propósito, que tipo de pessoa vai ser tarada o suficiente para comprar 
enciclopédias em franco-angolano pelo telefone num sábado de manhã? Um 
conselho: nunca preencham cadastros, em lugar nenhum, e se forem obrigados a isso, 
deixem o campo do telefone em branco!


LUGARES LEGAIS E LUGARES BEM ILEGAIS...


Se alguém te convidar para ir ao Seven, faz o favor para ti mesmo de não 
aceitar! O lugar é horroroso! É tipo, o lugar mais feique (fake) que se possa 
imaginar. O que se pode pensar de um lugar que só vende kaiser a cinco reais? 
Isso nem o Opinião tem coragem de fazer! Ainda bem que eu não bebo...

Isso sem falar no som, que não dá nem para crer! O DJ é a criatura mais 
mosca morta que se possa imaginar... Canoas é foda mesmo...

Já lá em POA, na cidade baixa, está repleto de lugares interessantes, com 
uma identidade própria. Dêem uma chegada no Ateliê 5, na José do Patrocínio 
1056, que tem Saraus na quarta-feira e festas no sábado. É um lugar bem bicho 
grilo, legal para quem curte Tropicália, Beattles, Chico Buarque, etc. Tem o 
Sierra Maestra, alí na frente do Shopping Nova Olaria, um barzinho bem gostoso, 
onde rola Salsa nos domingos; o Espiral, alí na República, que fica em frente 
a uma loja maluca chamada Sirius, que vale muito a pena conhecer; tem um 
brechó insano na Sofia Velloso, o Brechó da Sofia, que parece que faz parte de um 
filme do Fellini; o bar Prefácio que é muito legal, tem toda uma decoração com 
livros antigos, e funciona um bazar com peças bem diferenciadas.

E uma menção honrosa ao DNA, uma casa de três andares lá na Dona Laura, 
perto do Parcão, que é imperdível. O lugar tem uma decoração muito louca! Tem 
uns banheiros com luz na pia, uma sala com lareira, vários sofás 
confortabilíssimos, luminárias, velas, e coisas que nem dá para acreditar. Para tornar o 
lugar ainda mais interessante e cheio de estilo, o dono muda os móveis de lugar 
toda a semana, o que dá sempre um toque diferente. A cerveja é boa, embora para 
mim qualquer cerveja seja ruim, o som é tri, e tem um quarto misterioso no 
terceiro andar onde dá para se trancar após pegar as chaves com o Picolli (que é 
o dono), e onde deve rolar de tudo. É tão aconchegante que dá vontade de 
ficar morando lá...


...ENQUANTO ISSO, EM MARIOLA VELHA...


Dona Maria Lúcia Carbúnculos foi casada durante oito anos com um 
influente vereador, Leucócito Parênquimas, respeitado por todos os moradores, que 
nunca se dirigiam a ele sem chamá-lo de doutor e abaixar a cabeça. Alguns chegavam 
ao cúmulo de lhe fazer continência. Onde quer que o seu Leucócito fosse, ia 
uma legião de admiradores e puxa sacos, que ao menor sinal, fazia tudo que ele 
pudesse vir a querer.

Maria Lúcia não casou-se com ele a toa. Era uma das mais belas moças de 
Mariola Velha, de boa família e muito elegante. Ele demonstrara interesse e ela 
tratou logo de corresponder, pois afinal, um homem poderoso é sempre um bom 
partido. Depois de uma semana estavam de casamento marcado, lua-de-mel 
programada e casa montada. Casaram-se.

A princípio ela adorou a vida de casada, tinha tudo o que queria, na 
hora que queria, Leucócito, que além do dinheiro e do poder nada tinha de 
atraente, nem sequer a procurava, aliás mal lhe dirigia a palavra. Óbvio que ela 
achava esquisito, mas nem questionava, pois não tinha a menor vontade de transar 
com seu marido, para isso tinha o motorista, o jardineiro e o sogro.

Depois de um tempo resolveu investigar porque Leucócito não se 
interessava por ela, que era tão bonita. Pensou que ele fosse gay ou algo do gênero, 
informação que seria muito útil caso ele ousasse lhe negar um de seus caprichos.

Um dia ela o seguiu, viu-o entrar em uma casa velha, sem tranca, cuidando 
para não ser visto. Foi atrás, empurrou a porta, e viu a cena mais esdrúxula 
de sua vida: Seu marido vestido de bebê, deitado em um berço, tomando 
mamadeira, abraçando um ursinho marrom, se embalando ao som do CD de natal da Simone. 
Ela ficou sem ação, saiu dando gargalhadas, meio zonza por causa da música 
insuportável. Depois daquele dia, eles passaram a se falar menos ainda, sendo que 
cada vez que ele passava na sua frente ela convulsionava-se de gargalhadas. 

Um dia ele a disse:

- Quero o divórcio! Não suporto mais! Pago-te o quanto quiseres, mas saia 
daqui!
- Não! 
- Como não, se não me amas?
- Porque a razão de meus malditos dias tem sido vê-lo fraco e impotente 
diante do seu segredo, da sua tara, que só eu conheço! A razão de minha vida é 
ver o grande Dr. Leucócito fraco e impotente diante daquela que conhece as 
suas imbecilidades! O que me faz suportar meus longos e terríveis dias é vê-lo 
passar com medo, com receio diante de meus olhos!
- Por quê? Como ousas dizer que seus dias são terríveis se sempre tiveste 
tudo o que quiseste?
- Não! Quando fui àquela casa esperava ver-te com outra, com outro, ou 
até com outros! Mas não! O que vi foi você, nfantilmente deitado ouvindo aquelas 
músicas horríveis! Se estivesses a dormir com uma vagabunda qualquer não me 
teria doído tanto quanto ser trocada por um... Um Cd da Simone!
- Mas é que mamãe...
- Não me interessa! Pois se queres o divórcio te darei! Vamos traga os 
papéis!
Realmente, as mulheres não dão ponto sem nó. Maria Lúcia Carbúnculos não 
daria o braço a torcer tão facilmente. Findo o processo de separação após oito 
anos de tal relação, tão doentia, ela lançou um livro: "Dr. Leucócito- as 
doces canções do poder". Nele ela contava seu casamento com a grande figura da 
cidade em detalhes, dedicando um mega capítulo a sua pequena tara.

O livro foi sucesso de vendas, todo morador de Mariola Velha comprou no 
mínimo dois. Infeliz e impotente diante dos risos de toda a cidade que antes só 
lhe dava louvores, Leucócito Parênqimas foi encontrado morto, com uma chupeta 
na boca, enforcado com fraldas na praça principal, e todos que viram ficaram 
entre o chorar e o rir, enquanto viam seu corpo balouçar ao som de "Então é 
Natal"... 




TARDES DE MANDOLATE
Roberto Yellow Moschen Jr

Número 100!
Quem diria. E eu achei que era só mais uma empreitada nonsense com validade 
curtíssima. 

Não foi.

Gente, o Fábio tá se mudando. Vai juntar os samba-canções (diacho, qual é o plural dessa merda?) com a Marlise, a Dona Fábia. Eu e o Sandro andamos ajudando nos preparativos do 
apê, tá ficando bem legal. 
Apareçam lá, mas não digam que fui eu quem convidou... hehehe Como que para fazer um 
revival do início do Mulatas, novamente estou eu escrevendo apenas alguns minutos antes deste lhes ser enviado pelo impaciente editor (que me xinga a cada 3 minutos pelo ICQ). Novamente, 
não tenho a menor idéia do que escrever, mas lembrei que eu fazia listas quando a coisa apertava, portanto, aí vai uma.

Lista de Coisas que Eu acho que As Pessoas fazem mas não costumam admitir

1- Mijar na pia
Eu tenho CERTEZA que a maioria dos homens mija na pia quando a mulher não está. 
Ou mesmo a toda hora, o que seria o caso dos mais despreocupados. Já vi vários amigos comentarem que mijariam na pia como uma gozação, mas ela se repetiu demais para ser só uma idéia não-executável. É nojento, né? 

2- Coçar O Cu e cheirar
A frase "coça e cheira pra ver se é bom" é até constrangedora. Não consigo imaginar o interlocutor dizendo isso sem que ele já não tenha experimentado e deseje que você passe pela transcendental experiência de cheirar o cu também. Essa dá muluscas.

3- Dançar como O John Travolta em frente Ao Espelho
Muluscas! Muluscas graves!!!

4- Fazer uma Montagem do seu Próprio Rosto em cima da Foto da Dercy Gonçalves posando
Nua para A Playboy para ver como ficaria Caso fosse uma Drag Queen ficando Mais-do-que-velha
Isso eu tenho certeza que todo mundo já vez, até as mulheres já fizeram.

5- Ligar do Orelhão para O Chefe para passar Trotes Imbecis
O Fábio já fez coisa parecida, né Fábio? Conta aí pra galera...

Não vou mais continuar essa lista. Não consigo pensar em mais nenhuma que eu próprio já não tenha feito, aí fico com vergonha =O/

Pois é, feliz número 100 para nós todos, leitores, colunistas e contribuintes esporádicos. 
Que a vida lhes seja leve e o sofrimento, breve.

Uma bitoca no nariz

Yellow


COLUNA DEL JULIÁN
Julián Catino

Mulatões, hoje terão a possibilidade da leitura
de um diálogo movimentado com uma menina espírita
da certo fórum. Espero que seja do agrado dos seus
mulatos cérebros.

---

Olá, (Espírita), antes de começar, vou tomar esta
conversa como um papo informal,
pois não vejo que vc afirme ou refute exatamente
alguma das coisas que coloquei
na resposta a Kari, embora a tome como um tipo de
´resposta espírita´, ok ?

[quote="(Espírita)"]
Caro Julián, em toda nossa história neste planeta a
idéia de um deus ou vários esteve presente. 

Seja como resposta para fenômenos inexplicáveis como
eram os da natureza, 
seja como um ´freio´ para controlar ações prejudiciais
a determinados povos e culturas.
[/quote]

...seja também como excusa para as atrocidades mais
inescrupulosas, diga-se de passagem.


[quote="(Espírita)"]
Deus é um dos conceitos mais antigos e fecundos do
patrimônio cultural da humanidade. 
Deriva do indo-europeu deiwos (resplandecente,
luminoso), 
que designava originariamente os celestes (Sol, Lua,
estrelas etc.) 
por oposição aos humanos, terrestre por natureza. 
Psicologicamente corresponde ao objeto supremo da
experiência religiosa, 
no qual se concentram todos os caracteres do numinoso
ou sagrado.
(Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado).
[/quote]

Na verdade, para usurpar seu trono, ô Ishtar,
deusa-mãe, ou Lilith, como era 
chamada (acho que pelos moabitas).

Você aqui está se esquecendo de idolatrar (ou pelo
menos lembrar) que
os homens são usurpadores nesse culto, no que diz
respeito às religiões indo-europeas,
já que invadiram povos que tinham mulheres como
sacerdotes, e que em algumas circunstâncias
eram as únicas que podiam realizar os rituais para a
prosperidade da vida,
quando Atenea não tinha ainda nascido (renascido) da
perna de Zeus. 

Nestes cultos pré-helênicos, antes dos brâmanes na
India e antes dos sacerdotes persas e gregos
no Mundo Antigo, dois deuses homens reinavam cada um a
metade do ano, representados pelo Sol
e por Vênus (recomendo que leia "A rama dourada", de
Sir James Frazer).

A própria associação de um deus único com a luz é
prova disso,
e é por isso que se dividem os deuses em ´apolíneos´ e
´dionisíacos´.
Antes, a deusa-mãe reinava e era reconhecida nos
ciclos lunares, no ciclo menstrual da mulher,
nos ciclos das estações.

Os egípcios contrapunham Ossíris a Set (ou melhor,
dois pares de gêmeos com outro par de gêmeos,
numa outra prova da antiguidade da noção de dualidade
maniqueísta do bem e o mal),
com Ísis casando com Osíris no começo do ano, no verão
(atual 24 de marzo até 24 de setembro), 
sendo morto e renascendo no coração do inverno
(solstício de inverno, 24 de dezembro). 
É o deus menino que renasce e promete que a
prosperidade voltará, Hórus, 
que vingará seu pai, agora o Senhor dos Mortos.

(Como vê, até hoje temos resquícios desse mito).

Os hebreus associaram Ievohá com um ser único,
apagando o passado politeísta, embora saibamos
que Lúcifer era Vênus, ou a "Luz da Manhã", e
(Espírita) era Isthar.

A associação de Lúcefer com o bode é posterior, uma
associação aos deuses
pagãos europeus, na tentativa (com sucesso) de
associar os rituais pré-cristãos
com rituais macabros e com o demônio. O fato dos
rituais animistas usarem
sacrifícios de animais aumentaram ainda mais a
hostilidade já presente.

Por isso a associação da noite com o demônio, as
trevas, o sangue do sacrifício.

Ainda que o sacrifício de Jesus seja também a
reprodução de um ritual animista,
de Tammuz, o deus da cevada, que morria para renascer
(na colheita). Os deuses
que representavam as colheitas, obviamente morriam
para renascer, ou seja, o homem
o matava para o plantar novamente, e por isso a
associação com o ciclo das estações
(já que falei tantas blasfêmias desde que comecei,
mais uma não vai assustar ninguém ;) ).

[quote="(Espírita)"]
Para os espíritas, Deus é o Criador do universo. 
Portanto, somos monoteístas. 
Contudo, os espíritos por Ele criado, conforme o grau
de evolução alcançado, 
podem ser classificados como espíritos co-criadores em
plano maior 
(Jesus Cristo por exemplo) e espíritos co-criadores em
plano menor, 
evidenciando assim o porquê de haverem tantos deuses
na antiguidade, 
quando nada mais nada menos, são espíritos em grau
altíssimo de evolução.
[/quote]

Como mencionava antes, a sua idéia provém de mitos
mais antigos do que imagina, 
mas isso não significa que provém de uma verdade
universal,
senão que a imaginação e associação de idéias humana 
é prolífica e aponta para a construção de uma
sociedade em transformação,
de caça e pesca, para a agricultura, para as cidades.

Não precisa ser uma verdade, precisa estar impregnada
nas mentes do povo. :|

Vc está tentando um casamento entre rituais mágicos
nascidos na observação
da natureza pelos antigos (e o seu doutrinamento no
seu próprio modelo de sociedade),
com a noção de evolução, fruto da observação da
natureza,
não do ponto de vista mágico, senão da partir das
evidências da vida na Terra.

Tarefa nobre, porém está traindo aos dois.

Porque não existem almas, são uma parábola, uma
metáfora da união de todos os seres vivos com o
planeta.
A visão do homem do Neolítico deveria ser abandonada
para o seu próprio bem.
Assim como os antigos pararam de fazer sacrifícios de
bestras para se comunicar com seus deuses.

Interpretá-la de forma moderna seria tirar-lhe a
poesia e contrariar sua vontade.

[quote="(Espírita)"]
Podemos concluir então que imaginar 
Deus como um velhinho de barbas brancas, sentado em um
trono, 
é tomá-Lo como um Deus antropomórfico. Fazemo-Lo como
nosso raciocínio permite. 
Quer dizer, quanto mais primitivos formos, mais vamos
associa-Lo às coisas palpáveis, 
como trovão, tempestade, bosque etc. 
À medida que progredimos no campo da ciência, Ele
ganha a conotação de energia, 
de criação, de infinito, de coisa indefinível etc. 
[/quote]

Sim, já percebi, agora Deus é ecológicamente correto,
diz não as drogas.
Mas embora pareça que a transformação do mito foi para
melhor, na verdade agora
não precisamos mais do mito. Somos como empresários da
bolsa esperando Papai Noel.

Supõe-se que poderíamos jogar do altar do sacrifício a
todos esses seres imaginários,
e substituí-los pela ´liberdade, igualdade,
fraternidade´. Mas ainda a grande maioria
prefere os ideais baseados nesse mundo passado, aos
novos códigos racionalistas.

Embora tenhamos melhorado, ainda não sabemos nos
tratar com liberdade, 
muito menos com igualdade, e a fraternidade nem se
conta. E supostamente
não deveria haver um choque, pois a mensagem de Jesus
é principalmente a do amor
mais puro, de irmão para irmão, ou seja, a verdadeira
fraternidade.

Para mim, o fracasso dos movimentos românticos em
gerar prosperidade
teve como efeito colateral a persistência de ´Hocus
Pocus´ de todo tipo.
Nesta proliferação e persistência de religiões, cultos
new-age e buscas de ETs,
o que vejo é a tentativa de uma aliança com um mundo
sobrenatural,
que esteja além do dia-a-dia e que contradiga a nossa
existência,
existência esta que é vista com desprezo. Porque é
vista por uma parcela da sociedade
que não acredita mais em políticos, em prosperidade e
a puta-que-o-pariu, com muita razão.

Mas a nossa sociedade ainda que ser liderada, ainda
tem castas, ainda há uma grande
parcela que não quer que a outra experimente essa
trindade francesa.

[quote="(Espírita)"]
O homem cria Deus à sua imagem e semelhança. 
Não se trata de criar Deus, mas sim uma imagem de Deus
à nossa imagem e semelhança. 
Note bem como Jeová era irritado, inconseqüente até
bobão muitas vezes, 
porque ele nada mais era que a imagem que se tinha de
Deus na época. 
Jesus Cristo já fala de um Pai de amor, será então que
Deus evoluiu? 
Não, mas o homem sim! Hoje a compreensão que possuímos
de Deus já não permite que Ele seja cruel, 
ou que faça milagres para alguns enquanto outros
milhões morram de bobeira. 
[/quote]

Sim, o que digo é que essa transformação do mito deve
prosseguir,
não estagnar o progresso do pensamento humano, como
hoje está fazendo.
Sim, está fazendo isso. Está em contraponto ao mundo
como o conhecemos hoje.
E isso nos obriga a caminhar sozinhos ou nos jogar na
mentira da fé.

(Antes de me responder, gostaria que lesse a
reportagem da National Geographic
desta semana, com o relato dos ´intocáveis´ na Índia).

Falando tanto em transformação do mito, lhe recomendo
um livro que fala exatamente sobre isso:
"A transformação do mito através do tempo", de Joseph
Campbell. 
Lhe faria bem enquanto descansa :)

[quote="(Espírita)"]
Duvidar da existência de Deus é algo bom, significa
que começamos a nos libertar dos grilhões do
misticismo, 
superstições e fé cega e irracional. 
Crer por crer e não querer saber é um erro enorme,
gerou ao longo da historia conflitos, preconceitos,
violência....
Perdão, sou obrigada a parar, não consigo mais
continuar sentada, e pelo que notei até aqui meu texto
esta meio confuso...
[/quote]

(Espírita): querer ter uma fé racional é como querer
entender o Apocalipse de São João 
usando um livro de geofrafia, ou vice-versa.

Não cola. Não bate. Para ilussões desnecessárias,
prefiro a ciência-ficção, que pelo menos
confessa ser tanto ciência quanto ficção.

Finalizando, concordo e apoio plenamente que admiremos
e entendamos os mitos.
Muitos leitores da Bíblia deveriam ler mais Homero,
assim, além de entender melhor
os tempos antigos, entenderiam de psicologia básica,
numa poesia muito mais amena
e rica em detalhes. Também deveriam ler o Baghavad
Gitã, e o Sutra do Diamante,
pelo menos como curiosidade filosófica.

Mas mitos são mitos. Colocar uma roupagem científica
os deixa ainda mais ridículos.
No meu povo existe uma frase: "Mona vestida de seda,
mona se queda".
Ou seja, macaca vestida de seda, fica ainda uma
ma

caquinha. Sem chance.






.....//.....




"Estou escrevendo minha autobiografia. Mas ainda não decidi se vou morrer no fim."

(Millôr Fernandes)




***** AS MULATAS DE JESUS CRISTO - número 100 - 23/06/03 *****

- STAFF:
- Fábio Luis Emerim (editor e colunista)
- Roberto Yellow Moschen Jr. (colunista e webmaster da página)
- Bruna Maia (colunista e guria)

-COLABORADORES :
- Julián Catino


.

Não foi utilizado nenhum tipo de droga pesada na realização dessa edição. Juro que não passava de 50 gramas! 

Este e-zine não contém glútem, conservante, estupefaciente, flaviocavalcante, estalactite, estalagmite, araldite e me trás os óculos, Edite? 

Os artigos publicados aqui que são de autoria dos leitores e colaboradores. Tais textos podem, ou não, representar a opinião do editor e dos colunistas do Mulatas, então, não venham me encher o saco!

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